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「一二.
三事件」六十年祭
The 60th
Anniversary of the "12 - 3Incident ", Macau
60º Aniversário do
Incidente de 3 de Dezembro de 1966, Macau
上卷
Volume I
Volume I

謹以本專題紀念「一二. 三事件」的死難者
格物研究
2026年6月6日
This special feature is dedicated
to the memory of the victims of the "December 3rd Incident"
Cognitio Sapiens
Ngensis, June 6, 2026
Este especial é dedicado à memória das vítimas do "Incidente de 3 de
Dezembro"
Cognitio Sapiens
Ngensis, 6 de Junho de 2026
獻給逝者: 願你們安息
Dedicated to the
deceased: May you rest in peace
Dedicado aos
falecidos: Que descansem em paz

澳門「一二.三事件」中的死難者
(遇難日期: 1966年12月3至4日)
黃澤松、劉文欽、吳少海、鮑日明
龔國銘、許文安、余國平、陳 蘇
(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
The
victims of the "December 3rd Incident" in Macau (Dates of death:
December 3–4, 1966)
Wong Chak Song, Lau Man Yam, Ng Siu Hoi, Pou Jat Ming, Gong Gwok Ming,
Hui Man On, Yu Kwok Ping, Chan Sou
(Image source: Acta Scientrium Ngensis)
As
vítimas do "Incidente de 3 de Dezembro" em Macau (Datas do falecimento:
3 a 4 de Dezembro de 1966)
Wong Chak Song, Lau Man Yam, Ng Siu Hoi, Pou Jat Ming, Gong Gwok Ming,
Hui Man On, Yu Kwok Ping, Chan Sou
(Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)

上卷: 風起如湧:「一二.三事件」的起因與衝突
Volume I: The
Rising Wind: Causes and Conflicts of the "12-3 Incident"
Vol. 1 Ventos
em Turbilhão – O Prelúdio do Incidente 1-2-3 de Macau (1966)
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「一二.三事件」歷史圖片著色計劃研究說明
關於一二.三事件歷史圖片著色計劃
資料匱乏與歷史被淡忘的現實
在進行「一二.三事件」(1966年12月3日)
的歷史研究過程中,我們深刻感受到資料與檔案的嚴重不足。官方文獻、新聞報導、影像記錄等相關資料極為有限,許多重要細節已無法查證。在某種程度上,這段歷史在過去數十年間被刻意淡化、遺忘,甚至避免被深入討論,導致能夠參與研究的素材可謂少之又少。
這不僅是資料的缺失,更是記憶的斷裂。許多死難者的生平已難以確認,許多事件的具體經過只能依靠零星口述與碎片化文獻拼湊。對於研究者而言,這是一種無奈的現實;對於公眾而言,這更是一種難以全面認識歷史的障礙。
使用 AI 技術為歷史圖片注上顏色在此背景下,格物研究組決定嘗試運用現代 AI
技術,為過去存留的「一二·三事件」歷史圖片進行著色處理。我們希望透過這種方式,讓這段歷史在視覺上變得更加鮮明,讓公眾在閱讀與了解時,能夠獲得比傳統黑白照片更鮮活、更具象的體驗。白照片雖然是歷史的真實記錄,但往往讓觀者與那段時空產生距離感。經過
AI 著色後的影像,雖然並非完全還原歷史原貌,卻能幫助讀者更直觀地感受到當時的場景、人物與氛圍,從而提升對歷史事件的理解與共鳴。
研究限制與誠懇提醒
然而我們必須誠懇地說明,由於資料嚴重不足,在研究與著色過程中,難免會出現誤差或不準確之處。AI
著色基於現有資料與算法推測,並非絕對客觀的歷史復原。某些颜色、細節、背景可能與實際情況有所出入。
因此,本計劃所呈現的影像與研究內容,僅供參考與學習之用,不代表完全準確的歷史再現。我們誠懇地請讀者留意這些限制,並以批判性思考的態度看待這些資料。
我們的願望
儘管資料匱乏、歷史被淡忘,我們仍希望透過這次嘗試,能夠為「一二·三事件」的歷史研究與公眾教育,貢獻一點微小的力量。讓這段歷史不再被完全遺忘,讓八位死難者的犧牲不再毫無記憶,讓更多人能夠了解澳門這段關鍵的歷史轉折。
記錄~從來不只是回望過去,更是一種對抗遺忘的行動。(格物研究
2026.6.4)
About the "12-3 Incident"
Historical Photo Colorization Project
The Reality of Scant Data and a Fading
History
In conducting historical research on the
"12-3 Incident" (December 3, 1966), we deeply felt the severe lack of
data and archives. Official documents, news reports, and visual records
are extremely limited, leaving many crucial details impossible to
verify. To some extent, this piece of history has been deliberately
downplayed, forgotten, or even shielded from deep discussion over the
past decades. As a result, the materials available for research are
scarce. This is not just a loss of data, but a rupture in collective
memory. The life stories of many victims are now difficult to confirm,
and the specific details of many events can only be pieced together from
sporadic oral accounts and fragmented documents. For researchers, this
is a frustrating reality; for the general public, it is a barrier to a
comprehensive understanding of history.
Using AI Technology to Colorize Historical
Photos
Against this backdrop, the Cognitio
Sapiens Ngensis Group decided to try using modern AI technology to
colorize surviving historical photos of the "12-3 Incident". We hope
that this approach will make this history visually more distinct. This
allows the public to gain a more vivid and concrete experience than
traditional black-and-white photos provide when reading and learning
about the event. While black-and-white photos are authentic records of
history, they often create a sense of distance between the viewer and
that specific time and space. Although the AI-colorized images do not
fully restore the history's original appearance, they can help readers
intuitively feel the scenes, people, and atmosphere of the time, thereby
enhancing understanding and empathy for these historical events.
Research Limitations and an Earnest
Reminder
However, we must earnestly clarify that due
to the severe shortage of information, errors or inaccuracies are
inevitable during the research and colorization process. AI colorization
is based on existing data and algorithmic speculation; it is not an
absolutely objective historical restoration. Certain colors, details,
and backgrounds may differ from the actual conditions of the time.
Therefore, the images and research content presented in this project are
for reference and learning purposes only. They do not represent a
completely accurate historical reproduction. We sincerely urge readers
to bear these limitations in mind and view these materials with a
critical mindset.
Our Hope
Despite the scarcity of data and the fact
that history has been faded by time, we still hope that this attempt can
contribute a small amount of effort to the historical research and
public education of the "12-3 Incident". May this history no longer be
entirely forgotten, may the sacrifices of the eight victims no longer
fade from memory, and may more people understand this crucial historical
turning point in Macau. Documentation is never just about looking back
at the past; it is an act of defiance against forgetting. ( Cognitio
Sapiens Ngensis, June 4, 2026)
Notas de Investigação sobre o Projecto de Colorização de
Fotos Históricas do "Incidente 1-2-3"
Sobre o Projecto de Colorização de Fotos
Históricas do "Incidente 1-2-3"
A Realidade da Escassez de Dados e de uma História Esquecida
Ao conduzir a investigação histórica sobre o "Incidente 1-2-3" (3 de
Dezembro de 1966), sentimos profundamente a grave falta de dados e
arquivos. Os documentos oficiais, as reportagens jornalísticas e os
registos visuais são extremamente limitados, tornando impossível a
verificação de muitos detalhes cruciais. Até certo ponto, esta parte da
história foi deliberadamente minimizada, esquecida ou até evitada de ser
discutida em profundidade ao longo das últimas décadas. Consequentemente,
os materiais disponíveis para investigação são muito escassos. Isto não
é apenas uma perda de dados, mas sim uma ruptura na memória colectiva.
As histórias de vida de muitas vítimas são hoje difíceis de confirmar, e
os detalhes específicos de muitos acontecimentos só podem ser reunidos a
partir de relatos orais esporádicos e documentos fragmentados. Para os
investigadores, esta é uma realidade frustrante; para o público em geral,
é uma barreira para uma compreensão abrangente da história.
Utilização da Tecnologia de IA para Colorir Fotos Históricas
Neste contexto, o Grupo de Investigação Gewu decidiu tentar utilizar a
tecnologia moderna de IA para colorir as fotos históricas sobreviventes
do "Incidente 1-2-3". Esperamos que esta abordagem torne esta história
visualmente mais nítida. Isto permite que o público obtenha uma
experiência mais viva e concreta do que as tradicionais fotos a preto e
branco proporcionam ao ler e aprender sobre o evento. Embora as fotos a
preto e branco sejam registos autênticos da história, muitas vezes criam
uma sensação de distanciamento entre o observador e aquele tempo e
espaço específicos. Embora as imagens coloridas por IA não restaurem
totalmente a aparência original da história, podem ajudar os leitores a
sentir intuitivamente os cenários, as pessoas e a atmosfera da época,
aumentando assim a compreensão e a empatia por estes acontecimentos
históricos.
Limitações da Investigação e um Alerta Sincero
No entanto, devemos esclarecer sinceramente que, devido à grave escassez
de informação, são inevitáveis erros ou imprecisões durante o processo
de investigação e colorização. A colorização por IA baseia-se em dados
existentes e em especulações algorítmicas; não é uma restauração
histórica absolutamente objectiva. Certas cores, detalhes e fundos podem
diferir das condições reais da época.
Por conseguinte, as imagens e os conteúdos de investigação apresentados
neste projecto servem apenas para fins de referência e aprendizagem. Não
representam uma reprodução histórica totalmente exacta. Solicitamos
sinceramente aos leitores que tenham em conta estas limitações e que
analisem estes materiais com uma atitude de pensamento crítico.
O Nosso Desejo
Apesar da escassez de dados e do facto de a história ter sido desbotada
pelo tempo, esperamos ainda que esta tentativa possa dar um pequeno
contributo para a investigação histórica e educação pública do "Incidente
1-2-3". Que esta história não seja totalmente esquecida, que os
sacrifícios das oito vítimas não desapareçam da memória, e que mais
pessoas possam compreender este ponto de viragem crucial na história de
Macau. Registar nunca é apenas olhar para o passado, é um acto de
resistência contra o esquecimento. ( Cognitio Sapiens Ngensis, 4 de
Junho de 2026)

澳門1966年11月15日氹仔警民衝突的原點~氹仔坊眾學校舊址(右方).(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
The ground zero of the police-civilian clash in Taipa, Macau, on
November 15, 1966 – the former site of the Taipa Fong Chong School (on
the right). (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
O
ponto de origem do confronto entre a polícia e os residentes na Taipa,
Macau, em 15 de Novembro de 1966 – o antigo local da Escola Fong Chong
da Taipa (à direita). (Fonte da imagem: Acta Scientrium
Ngensis) |
導 言:
若然說澳葡是一窩會針死人的黃蜂,文革時期的中共就是那個把蜂竇挑下來的人
Introduction:
If the Macanese
Portuguese government were described as a nest of wasps that could sting
people to death, Chinese Communist Party (CCP) from the
Cultural Revolution-era was the 'Keyman' who knocked that wasps'
nest down
Introdução:
Se o governo
português de Macau fosse descrito como um ninho de vespas capaz de matar
pessoas com as suas picadas, o Partido Comunista Chinês (PCC) da
época da Revolução Cultural seria o "homem-chave" que derrubou
este ninho de vespas.

澳門1966年一二.三事件死難者的墓地,左起:吳少海、龔國銘、劉文欽。(圖片來源: 延陵科學綜合室2026)
The burial site of the
victims of the 1966 "12-3 Incident" in Macau. From left: Ng Siu-hoi,
Gong Guoming, Lau Man-yam. (Image source: Acta Scientrium Ngensis 2026)
O local de sepultamento das
vítimas do "Incidente 1-2-3" de 1966 em Macau. Da esquerda para a
direita: Ng Siu-hoi, Gong Guoming, Lau Man-yam. (Fonte da imagem: Acta
Scientrium Ngensis 2026)
西方學界對一二.三事件的共識性理解。事件被描述為受文革啟發的對葡殖民統治的政治示威與騷亂,造成 8人死亡、200
多人受傷。事件標誌葡萄牙在澳門統治的實質結束,其後葡方承認中共在澳門的事實主導地位。與 1967
年香港「六七暴動」相似,都是左派組織藉文革風暴,引入文革式鬥爭手段,企圖奪取殖民地政府權力;但澳葡選擇道歉妥協,港英堅持平亂,導致兩地後續發展軌跡不同。
1966 年 12 月 3
日,澳門爆發大規模動亂,史稱一二.三事件。這場事件不僅是澳門殖民地歷史的轉捩點,更是冷戰、去殖民化與文革浪潮交匯的歷史縮影。若用一個比喻來想像當時的澳門,可以說:澳葡政府像是一窩會針死人的黃蜂,而文革時期的中共則是那個把蜂竇挑下來的人。澳門,夾在中間,顯得分外不幸。
一、澳葡~會針死人的黃蜂
葡萄牙在澳門的殖民統治,長達四百多年。到 1960
年代,雖然表面上維持「和平治理」,但華人社會長期遭受制度性歧視。葡籍官員掌握核心權力,華人則在政治、經濟、社會地位上處於劣勢。路氹地區的教育、醫療、基礎設施投入嚴重不足,氹仔一場學校違規擴大爭議,竟能迅速演變成大規模抗議,正反映了長期積累的民怨。1966
年 12 月 3 日,大批手持《毛語錄》的群眾衝擊澳督府,澳葡政府出動軍警鎮壓,造成 8人死亡、200
多人受傷。這一幕,就像黃蜂在被驚擾後,用毒針回擊。對許多澳門華人來說,葡殖政府的壓迫與冷漠,的確像一窩會針死人的黃蜂。
二、中共~挑蜂竇的人
然而把蜂竇挑下來的人,同樣不是無辜的。文革爆發於 1966 年 5
月,紅衛兵運動迅速高漲,文革式語言與戰術開始向外擴散。澳門左派組織在中共港澳工作委員會 (新華社香港分社) 的領導下,引入大字報、批鬥、脅迫等手段,向澳葡政府施壓。但中共的角色,並非單純的文革激進派。外國學界的研究指出,一二.三事件的本質,是「反殖民+反國民黨+文革式鬥爭」的混合體。中共在事件中的核心目標之一,是清除國民黨在澳門的勢力。最終澳葡政府被迫關閉所有國民黨機構、遣送
7
名國民黨「間諜」回內地,使國民黨勢力在澳門徹底絕跡。這意味著,挑蜂竇的人,不僅是文革的激進派,更是國共鬥爭中的勝利者,利用文革的浪潮,清除國民黨在澳門的最後陣地。
三、澳門~被夾擊的不幸
澳門的不幸,不只是被夾在黃蜂與挑蜂竇的人之間,更是被冷戰、去殖民化、文革、國共鬥爭、葡萄牙殖民政策等多重歷史洪流同時捲入。從冷戰角度看,澳門是西方與社會主義陣營交匯的前沿。從去殖民化角度看,1961年代是非洲、亞洲殖民地獨立運動的高潮,澳門雖未正式獨立,但華人社會對殖民統治的不滿,正反映了去殖民化的全球趨勢。從文革角度看,紅衛兵運動與文革語言,迅速從內地擴散到港澳,影響左派組織的動員策略。從國共鬥爭角度看,一二.三事件的核心目標之一,是清除國民黨在澳門的勢力,確立中共的獨佔政治主導。從葡萄牙殖民政策角度看,里斯本中央政府對遠東殖民地的控制力有限,加上
1961 年葡萄牙在非洲殖民地戰爭爆發,使澳門在戰略上被邊緣化,最終選擇妥協道歉,而非堅決平亂。
四、事件的後果~黃蜂失勢蜂竇易主
事件後,澳葡政府不僅道歉,而且同意關閉所有國民黨機構、遣送國民黨「間諜」回中國大陸。葡萄牙科英布拉大學學者 Carmen Amado
Mendes 指出,1967 年澳葡接受抗議者條件,是葡萄牙事實上行使主權失效的時刻,即失去對澳門的 de facto
sovereignty。這意味著,在 1967 年之前,澳門在法律上仍屬葡萄牙殖民地;但在1967
年澳葡妥協後,澳門實際上已成為中共主導的政治實體,葡萄牙僅保留名義上的主權,直到 1999 年正式回歸。
五、被歷史洪流捲入的澳門
澳門的不幸,不只是被夾在黃蜂與挑蜂竇的人之間,更是被多重歷史洪流同時捲入。澳葡政府像是一窩會針死人的黃蜂,而文革時期的中共則是那個把蜂竇挑下來的人。澳門夾在中間顯得分外不幸。但歷史的複雜性,不在於非黑即白的對立,而在於多層交錯的衝突與妥協。一二.三事件,正是這種複雜性的最佳縮影:它既是反殖民的抗爭,也是國共鬥爭的延續;既是文革的溢出,也是冷戰與去殖民化的交匯。澳門的不幸,正是人類歷史洪流中,小地方被大時代延禍的縮影。
The consensus understanding of the "12-3 Incident" within Western
academia: The event is described as a political demonstration and riot
inspired by the Cultural Revolution against Portuguese colonial rule,
leaving 8 people dead and over 200 injured. The incident marked the de
facto end of Portuguese rule in Macau, after which the Portuguese side
recognized the CCP's de facto dominance over Macau. Similar to the 1967
"Leftist Riots" in Hong Kong, both events involved leftist organizations
capitalizing on the storm of the Cultural Revolution and introducing
Cultural Revolution-style struggle tactics in an attempt to seize power
from the colonial governments. However, while the Macanese Portuguese
government chose to apologize and compromise, the British authorities in
Hong Kong persisted in suppressing the unrest, leading to different
subsequent development trajectories for the two territories.
On December 3, 1966, large-scale unrest broke out in Macau, known
historically as the "12-3 Incident." This event was not only a turning
point in Macau's colonial history but also a historical microcosm where
the currents of the Cold War, decolonization, and the Cultural
Revolution converged. Using a metaphor to imagine Macau at that time,
one could say: the Macanese Portuguese government was like a nest of
wasps that could sting people to death, while the Cultural
Revolution-era CCP was the one who knocked that wasps' nest down. Caught
in the middle, Macau appeared particularly unfortunate.
I. The Macanese Portuguese Government: Wasps That Could Sting People to
Death
Portuguese colonial rule in Macau spanned over four hundred years. By
the 1960s, although "peaceful governance" was maintained on the surface,
Chinese society suffered from long-standing institutional
discrimination. Portuguese officials held core power, while the Chinese
population remained disadvantaged in political, economic, and social
status. Investment in education, healthcare, and infrastructure in the
Coloane and Taipa regions was severely inadequate. A dispute over the
unauthorized expansion of a school in Taipa managed to escalate rapidly
into a large-scale protest, precisely reflecting long-accumulated public
resentment. On December 3, 1966, a large crowd holding Quotations from
Chairman Mao Tse-tung stormed the Governor's Palace. The Macanese
Portuguese government deployed military and police forces to suppress
them, leaving 8 people dead and over 200 injured. This scene was like
wasps striking back with venomous stings after being disturbed. To many
Macau Chinese, the oppression and coldness of the Portuguese colonial
government did indeed resemble a nest of wasps that could sting people
to death.
II. The CCP: The One Who Knocked Down the Wasps' Nest
However, the party who knocked down the wasps' nest was by no means
innocent either. The Cultural Revolution broke out in May 1966, and the
Red Guard movement rapidly surged, causing Cultural Revolution-style
language and tactics to spill outward. Under the leadership of the CCP
Hong Kong and Macau Work Committee (Xinhua News Agency Hong Kong
Branch), leftist organizations in Macau introduced tactics such as
big-character posters, struggle sessions, and intimidation to pressure
the Macanese Portuguese government. Yet, the CCP's role was not merely
that of Cultural Revolution radicals. Research from foreign academia
points out that the essence of the "12-3 Incident" was a hybrid of
"anti-colonialism + anti-Kuomintang (KMT) + Cultural Revolution-style
struggle." One of the CCP's core objectives during the incident was to
purge KMT influence from Macau. Ultimately, the Macanese Portuguese
government was forced to shut down all KMT organizations and deport 7
KMT "spies" back to the mainland, completely wiping out KMT influence in
Macau. This signifies that the one who knocked down the wasps' nest was
not just a radical of the Cultural Revolution, but also a victor in the
Nationalist-Communist struggle, utilizing the wave of the Cultural
Revolution to clear out the KMT's final stronghold in Macau.
III. Macau: The Misfortune of Being Caught in the Crossfire
Macau's misfortune lay not only in being squeezed between the wasps and
the one who knocked down their nest, but also in being simultaneously
swept into multiple historical torrents, including the Cold War,
decolonization, the Cultural Revolution, the Nationalist-Communist
struggle, and Portuguese colonial policy. From the perspective of the
Cold War, Macau was a frontline where the Western and Socialist camps
intersected. From the perspective of decolonization, the 1960s marked
the peak of independence movements across African and Asian colonies;
though Macau did not achieve formal independence, the Chinese
community's discontent with colonial rule mirrored this global trend of
decolonization. From the perspective of the Cultural Revolution, the Red
Guard movement and its political rhetoric rapidly spread from the
mainland to Hong Kong and Macau, heavily influencing the mobilization
strategies of leftist organizations. From the perspective of the
Nationalist-Communist struggle, one of the core objectives of the "12-3
Incident" was to purge Kuomintang (KMT) influence from Macau, thereby
establishing the Chinese Communist Party's (CCP) exclusive political
dominance. From the perspective of Portuguese colonial policy, the
central government in Lisbon held limited control over its Far Eastern
colony. Furthermore, the outbreak of the Portuguese Colonial War in
Africa in 1961 strategically marginalized Macau, ultimately prompting
Lisbon to choose apology and compromise over resolute suppression.
IV. Consequences of the Incident: Wasps Lose Power, the Nest Changes
Hands
Following the incident, the Macanese Portuguese government not only
apologized but also agreed to shut down all KMT organizations and deport
KMT "spies" back to mainland China. Carmen Amado Mendes, a scholar from
the University of Coimbra in Portugal, points out that the moment the
Macanese Portuguese authorities accepted the protesters' conditions in
1967 marked the de facto failure of Portugal's exercise of
sovereignty—the loss of its de facto sovereignty over Macau. This
implies that while Macau legally remained a Portuguese colony prior to
1967, following the 1967 compromise, it effectively became a political
entity dominated by the CCP. Portugal retained only nominal sovereignty
until the official handover in 1999.
V. Macau Swept into the Torrents of History
Macau's misfortune lay not only in being squeezed between the wasps and
the one who knocked down their nest, but also in being simultaneously
swept into multiple historical torrents. The Macanese Portuguese
government was like a nest of wasps that could sting people to death,
while the Cultural Revolution-era CCP was the one who knocked that
wasps' nest down. Caught in the middle, Macau appeared particularly
unfortunate. Yet, the complexity of history lies not in black-and-white
oppositions, but in multilayered, intertwined conflicts and compromises.
The "12-3 Incident" is the finest microcosm of this complexity: it was
both an anti-colonial struggle and a continuation of the
Nationalist-Communist conflict; it was an spillover of the Cultural
Revolution, as well as a convergence of the Cold War and decolonization.
Macau's misfortune serves as a poignant microcosm of how small places
bear the brunt of macro-eras within the torrents of human history.
A compreensão de consenso
da academia ocidental sobre o "Incidente 1-2-3": O evento é descrito
como uma manifestação política e um motim inspirados pela Revolução
Cultural contra o domínio colonial português, resultando em 8 mortos e
mais de 200 feridos. O incidente marcou o fim substancial do domínio de
Portugal em Macau, após o qual o lado português reconheceu o domínio
factual do PCC sobre Macau. Semelhante aos "Distúrbios de 1967" em Hong
Kong, ambos os casos envolveram organizações de esquerda que
aproveitaram a tempestade da Revolução Cultural e introduziram métodos
de luta ao estilo da Revolução Cultural, na tentativa de tomar o poder
dos governos coloniais; no entanto, a administração portuguesa de Macau
optou por pedir desculpas e ceder, enquanto as autoridades britânicas de
Hong Kong insistiram em reprimir a agitação, resultando em trajectórias
de desenvolvimento subsequentes diferentes para os dois territórios.
Em 3 de Dezembro de 1966, eclodiram distúrbios em grande escala em
Macau, historicamente conhecidos como o "Incidente 1-2-3". Este
acontecimento não foi apenas um ponto de viragem na história colonial de
Macau, mas também um microcosmo histórico onde se cruzaram as correntes
da Guerra Fria, da descolonização e da vaga da Revolução Cultural.
Usando uma metáfora para imaginar Macau naquela época, poder-se-ia dizer:
o Governo Português de Macau era como um ninho de vespas capaz de picar
alguém até à morte, enquanto o PCC da era da Revolução Cultural era a
pessoa que derrubou esse ninho. Macau, encurralado no meio, parecia
particularmente infeliz.
I. A Administração Portuguesa de Macau: Vespas Capazes de Picar Até à
Morte
O domínio colonial de Portugal em Macau durou mais de quatrocentos anos.
Na década de 1960, embora se mantivesse uma "governação pacífica" à
superfície, a sociedade chinesa sofria há muito tempo de uma
discriminação institucional. Os funcionários portugueses detinham o
poder central, enquanto os chineses se encontravam em desvantagem em
termos políticos, económicos e de estatuto social. O investimento na
educação, saúde e infra-estruturas nas zonas de Coloane e Taipa era
gravemente insuficiente. Uma disputa sobre a expansão ilegal de uma
escola na Taipa conseguiu escalar rapidamente para um protesto em grande
escala, reflectindo precisamente o descontentamento popular acumulado ao
longo de muito tempo. Em 3 de Dezembro de 1966, uma grande multidão
empunhando as Citações do Presidente Mao invadiu o Palácio do
Governador. O Governo Português de Macau mobilizou forças militares e
policiais para reprimir os manifestantes, resultando em 8 mortos e mais
de 200 feridos. Esta cena foi como vespas a ripostar com picadas
venenosas após terem sido perturbadas. Para muitos chineses de Macau, a
opressão e a indiferença do governo colonial português assemelhavam-se,
de facto, a um ninho de vespas capaz de picar alguém até à morte.
II. O PCC: Aquele Que Derrubou o Ninho de Vespas
No entanto, a parte que derrubou o ninho de vespas também não era
inocente. A Revolução Cultural eclodiu em Maio de 1966, e o movimento
dos Guardas Vermelhos cresceu rapidamente, fazendo com que a linguagem e
as tácticas ao estilo da Revolução Cultural começassem a transbordar
para o exterior. Sob a liderança do Comité de Trabalho de Hong Kong e
Macau do PCC (Agência de Notícias Xinhua - Filial de Hong Kong), as
organizações de esquerda de Macau introduziram métodos como cartazes de
caracteres grandes (Dazibao), sessões de denúncia e coação para
pressionar o Governo Português de Macau. Contudo, o papel do PCC não foi
meramente o de radicais da Revolução Cultural. Estudos da academia
estrangeira apontam que a essência do "Incidente 1-2-3" foi um híbrido
de "anti-colonialismo + anti-Kuomintang (KMT) + luta ao estilo da
Revolução Cultural". Um dos objectivos centrais do PCC no incidente foi
purgar a influência do KMT em Macau. Eventualmente, o Governo Português
de Macau foi forçado a encerrar todas as instituições do KMT e a
deportar 7 "espiões" do KMT de volta para o interior da China, fazendo
com que a influência do KMT desaparecesse por completo de Macau. Isto
significa que aquele que derrubou o ninho de vespas não foi apenas um
radical da Revolução Cultural, mas também o vencedor na luta entre o
Partido Nacionalista e o Partido Comunista, utilizando a vaga da
Revolução Cultural para eliminar o último reduto do KMT em Macau.
III. Macau: A Infelicidade de Estar Encurralado no Fogo Cruzado
A infelicidade de Macau não residiu apenas em estar encurralado entre as
vespas e a pessoa que derrubou o seu ninho, mas também em ter sido
arrastado simultaneamente por múltiplas torrentes históricas, tais como
a Guerra Fria, a descolonização, a Revolução Cultural, a luta entre o
Partido Nacionalista e o Partido Comunista, e a política colonial
portuguesa. Sob a perspectiva da Guerra Fria, Macau era uma linha da
frente onde se cruzavam os blocos ocidental e socialista. Sob a
perspectiva da descolonização, a década de 1960 foi o auge dos
movimentos de independência nas colónias africanas e asiáticas; embora
Macau não tenha alcançado a independência formal, o descontentamento da
sociedade chinesa face ao domínio colonial reflectia esta tendência
global de descolonização. Sob a perspectiva da Revolução Cultural, o
movimento dos Guardas Vermelhos e a sua retórica política espalharam-se
rapidamente do interior da China para Hong Kong e Macau, influenciando
fortemente as estratégias de mobilização das organizações de esquerda.
Sob a perspectiva da luta entre os Nacionalistas e os Comunistas, um dos
objectivos centrais do "Incidente 1-2-3" foi purgar a influência do
Kuomintang (KMT) em Macau, estabelecendo assim a dominância política
exclusiva do Partido Comunista Chinês (PCC). Sob a perspectiva da
política colonial portuguesa, o governo central de Lisboa detinha um
controlo limitado sobre a sua colónia no Extremo Oriente. Além disso, o
eclodir da Guerra Colonial Portuguesa em África em 1961 marginalizou
estrategicamente Macau, levando a que a administração optasse por um
pedido de desculpas e compromisso em vez de uma repressão firme.
IV. Consequências do Incidente: As Vespas Perdem o Poder, o Ninho Muda
de Mãos
Após o incidente, o Governo Português de Macau não só pediu desculpas,
como também concordou em encerrar todas as instituições do KMT e
deportar os "espiões" do KMT de volta para o interior da China. Carmen
Amado Mendes, académica da Universidade de Coimbra em Portugal, assinala
que o momento em que as autoridades portuguesas de Macau aceitaram as
condições dos manifestantes, em 1967, marcou a falha factual do
exercício da soberania de Portugal — ou seja, a perda da sua soberania
de facto sobre Macau. Isto significa que, embora Macau continuasse a ser
juridicamente uma colónia portuguesa antes de 1967, após o compromisso
de 1967, tornou-se efectivamente uma entidade política dominada pelo PCC,
tendo Portugal retido apenas a soberania nominal até à transferência
oficial em 1999.
V. Macau Arrastado pelas Torrentes da História
A infelicidade de Macau não residiu apenas em estar encurralado entre as
vespas e a pessoa que derrubou o seu ninho, mas também em ter sido
arrastado simultaneamente por múltiplas torrentes históricas. O Governo
Português de Macau era como um ninho de vespas capaz de picar alguém até
à morte, enquanto o PCC da era da Revolução Cultural era a pessoa que
derrubou esse ninho. Macau, encurralado no meio, parecia particularmente
infeliz. Contudo, a complexidade da história não reside em oposições a
preto e branco, mas sim em conflitos e compromissos sobrepostos e
entrelaçados. O "Incidente 1-2-3" é o reflexo perfeito desta
complexidade: foi tanto uma luta anti-colonial como a continuação do
conflito entre Nacionalistas e Comunistas; foi um transbordo da
Revolução Cultural, bem como o cruzamento da Guerra Fria e da
descolonização. A infelicidade de Macau serve como um microcosmo
comovente de como as pequenas localidades sofrem o impacto das grandes
eras nas torrentes da história humana.

澳門各界慶祝中華人民共和國成立十九周年大會紀念章(正面),也是文化大革命影響到澳門的產物。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Commemorative medal from the Grand Rally of All Walks of Life in Macau
Celebrating the 19th Anniversary of the Founding of the People's
Republic of China (Obverse), which was also a product of the Cultural
Revolution's influence expanding into Macau. (Image source: Acta
Scientrium Ngensis)
Medalha comemorativa do Grande Comício de Todos os Sectores de Macau em
Celebração do 19.º Aniversário da Fundação da República Popular da China
(Anverso), que foi também um produto da influência da Revolução Cultural
em Macau. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
1966年澳門社會受文革風潮轉向
The Shift in
Macau's Society Under the Influence of the Cultural Revolution in 1966
Viragem
na Sociedade de Macau Sob a Influência da Vaga da Revolução Cultural em
1966

晏德地 (Rui de Andrade)
(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Rui de Andrade (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Rui de Andrade (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
1966年11月15日發生的氹仔事件,是澳門一二.三事件的導火線。這起事件的背景是1960年代初期氹仔地區兒童失學問題嚴重,當地工人及街坊組織起來籌辦學校。居民自籌經費成立了「氹仔居民學校籌建委員會」,向澳葡當局申請擴建校舍,前後交涉了24次卻始終未獲答覆。在等待許可期間,工人先行搭棚施工,準備將破舊房子改建成校舍。
當天早晨,海島市政廳代理廳長晏德地 (Rui de Andrade)
在上班途中發現氹仔坊眾學校門前搭起了棚架,隨即派出警察前往阻止校舍擴建工程,理由是未經批准。工人們繼續工作,沒有理會警方的勸阻。晏德地後來在接受訪問時回憶說,他當時不知道工人在做什麼,認為警察警告後工人仍不理會,是明顯違法的行為,他覺得工人完全不尊重他的權威,所以下令拘捕。
事態隨即升級,澳葡防暴隊出动,動武毆打現場群眾。事件造成24人受傷,6人被捕,其中包括菜農工會成員、爆竹工會成員以及《澳門日報》記者。多名傷者頭顱被打傷,記者被扣留長達2小時。這被視為葡澳當局對華人教育需求長期漠視的典型案例——居民自筹資金辦學卻遭官方拖延不理,最終以暴力阻止建校。事件發生後,「氹仔居民學校籌建委員會」向澳葡政府提出五項要求,包括嚴懲肇事者。然而的不滿情緒迅速蔓延,親北京社團發起抗議,全澳範圍內爆發罷工、罷市。每天有大量人群聚集在澳督府外抗議,事態不斷升級。到了12月3日,抗議活動演變成大規模動亂,造成8人死亡、200餘人受傷,這就是歷史上著名的一二.三事件。
在當時中方的政治壓力下,澳葡政府為了平息動亂,必須將事件中的直接責任人撤職並驅逐出境。1966年12月16日,澳督嘉樂庇宣布撤換多名官員,包括陸軍司令施維納、澳門警察廳廳長傅利沙、海島市市政廳廳長晏德地以及海島市警察廳廳長顏端尼等一干人。晏德地作為直接下令拘捕並導致流血事件的官員,成為首要撤換對象。晏德地被「被迫返回葡國」的內幕,並不是自發性辭職,而是政治處置。澳葡政府當時威信已經喪失,必須用人頭換取穩定,向北京方面示好。將這些直接責任人撤職並驅逐出境,是粵澳雙方政治妥協的結果。此事件徹底改變了澳門的政治格局,澳葡政府的管治威信崩潰,親北京的左派勢力自此主導澳門社會,這種政治格局一直延續到澳門回歸中國。晏德地的事件成為澳門殖民歷史的重要轉捩點,標誌著葡萄牙對澳門統治的實質性衰落。
The Taipa Incident, which
occurred on November 15, 1966, served as the fuse for the "12-3
Incident" in Macau. The background to this event was the severe lack of
schooling options for children in the Taipa region during the early
1960s, which prompted local workers and neighborhood organizations to
band together to establish a school. Raising funds on their own, the
residents formed the "Preparatory Committee for the Construction of the
Taipa Residents' School" and applied to the Macanese Portuguese
authorities for permission to expand the school premises. Despite
following up 24 times, they never received a response. While waiting for
the permit, workers went ahead with erecting bamboo scaffolding to
convert a dilapidated building into school classrooms. That morning, Rui
de Andrade, the acting administrator of the Municipal Council of the
Islands, noticed the bamboo scaffolding erected in front of the Taipa
Fong Chong School on his way to work. He immediately dispatched police
officers to halt the school expansion project on the grounds that it
lacked official approval. The workers carried on with their labor,
ignoring the police's warnings. Andrade later recalled in an interview
that he did not know what the workers were doing at the time. He
believed that the workers' refusal to comply after police warnings was a
flagrant violation of the law. Feeling that the workers showed a
complete disregard for his authority, he ordered the arrests.
The situation escalated immediately as the Macanese Portuguese riot
squad deployed and used force to beat the crowd at the scene. The
incident left 24 people injured and 6 arrested, including members of the
Vegetable Farmers' Union, the Firecrackers' Union, and a reporter from
the Macao Daily News. Multiple casualties sustained head injuries, and
the reporter was detained for up to two hours. This was viewed as a
quintessential case of the Portuguese colonial authorities'
long-standing neglect of Chinese educational needs—where residents
funded their own school only to be ignored and delayed by officials, and
ultimately met with violence when attempting to build it. Following the
incident, the "Preparatory Committee for the Construction of the Taipa
Residents' School" presented five demands to the Macanese Portuguese
government, including the severe punishment of the perpetrators.
However, public resentment spread rapidly. Pro-Beijing associations
launched protests, triggering city-wide strikes among workers and
merchants across Macau. Every day, massive crowds gathered outside the
Governor's Palace to protest, causing the situation to spiral out of
control. By December 3, the protests erupted into large-scale riots that
left 8 people dead and over 200 injured, becoming historically known as
the "12-3 Incident."
Under intense political pressure from the Chinese side at the time, the
Macanese Portuguese government had to dismiss and deport the officials
directly responsible for the incident to quell the unrest. On December
16, 1966, Governor José Nobre de Carvalho announced the replacement of
several officials, including Military Commander Schmidt, Macau Police
Chief Frutuoso, Island Municipal Council Administrator Rui de Andrade,
and Island Police Chief Antoni. As the official who had directly ordered
the arrests that led to the bloodshed, Andrade became the primary target
for removal. The inside story of Andrade being "forced to return to
Portugal" reveals that it was not a voluntary resignation but a
political disposal. Having lost its authority, the Macanese Portuguese
government had to sacrifice these officials to trade for stability and
show goodwill to Beijing. Dismissing and deporting those directly
responsible was the result of a political compromise between Guangdong
and Macau. This incident thoroughly reshaped Macau's political
landscape; the governing authority of the Macanese Portuguese government
collapsed, and pro-Beijing leftist forces dominated Macau society from
then on—a political structure that persisted until Macau's handover to
China. The Andrade incident became a major turning point in Macau's
colonial history, marking the substantive decline of Portuguese rule
over Macau.
O Incidente da Taipa,
ocorrido em 15 de Novembro de 1966, serviu de estopim para o "Incidente
1-2-3" em Macau. O contexto deste acontecimento prende-se com o facto
de, no início da década de 1960, a falta de escolaridade para as
crianças na zona da Taipa ser um problema grave, o que levou os
trabalhadores e moradores locais a organizarem-se para fundar uma escola.
Os residentes angariaram fundos próprios e criaram a "Comissão
Preparatória para a Construção da Escola dos Moradores da Taipa",
solicitando às autoridades portuguesas de Macau a aprovação para a
expansão das instalações escolares, tendo realizado diligências por 24
vezes sem nunca obter resposta. Enquanto aguardavam pela licença, os
trabalhadores avançaram com a montagem de andaimes de bambu para
transformar uma casa degradada em instalações escolares. Naquela manhã,
Rui de Andrade, administrador interino da Câmara Municipal das Ilhas, a
caminho do trabalho, deparou-se com os andaimes montados em frente à
Escola Fong Chong da Taipa. De imediato, enviou a polícia para travar as
obras de expansão sob o pretexto de falta de autorização. Os
trabalhadores continuaram a trabalhar, ignorando a advertência policial.
Mais tarde, numa entrevista, Rui de Andrade recordou que, na altura, não
sabia o que os trabalhadores estavam a fazer e considerou que a
insistência deles após o aviso da polícia constituía uma violação
flagrante da lei. Sentindo que os trabalhadores desrespeitavam
totalmente a sua autoridade, ordenou a detenção dos mesmos.
A situação agravou-se de imediato com a intervenção do corpo de polícia
anti-motim de Macau, que recorreu à força física para agredir a multidão
no local. O incidente resultou em 24 feridos e 6 detidos, incluindo
membros do Sindicato dos Produtores de Hortaliças, do Sindicato dos
Operários de Fogo-de-Artifício e um jornalista do Diário de Macau.
Vários feridos sofreram lesões cranianas e o jornalista ficou retido por
duas horas. Este caso foi visto como um exemplo típico da negligência
prolongada das autoridades portuguesas face às necessidades educativas
da população chinesa — onde os residentes financiaram a própria escola,
mas enfrentaram a inércia e o adiamento oficial, culminando no uso da
violência para impedir a construção. Após o sucedido, a "Comissão
Preparatória para a Construção da Escola dos Moradores da Taipa"
apresentou cinco exigências ao Governo de Macau, incluindo a punição
severa dos culpados. No entanto, o descontentamento popular alastrou-se
rapidamente. As associações pró-Pequim lançaram protestos, desencadeando
greves e o encerramento do comércio em toda a Macau. Diariamente,
grandes multidões concentravam-se em frente ao Palácio do Governador
para protestar, provocando uma escalada contínua. Em 3 de Dezembro, os
protestos degeneraram em distúrbios de grande escala, que causaram 8
mortos e mais de 200 feridos, ficando para a história como o célebre "Incidente
1-2-3".
Sob a pressão política da parte chinesa na altura, e para acalmar os
tumultos, o Governo de Macau viu-se obrigado a exonerar e expulsar do
território os responsáveis directos pelo incidente. Em 16 de Dezembro de
1966, o Governador José Nobre de Carvalho anunciou a substituição de
vários funcionários, incluindo o Comandante Militar Schmidt, o
Comandante da Polícia de Macau Frutuoso, o Administrador do Município
das Ilhas Rui de Andrade e o Comandante da Polícia das Ilhas Antoni.
Como o funcionário que ordenara directamente as detenções que conduziram
ao derramamento de sangue, Rui de Andrade tornou-se o principal alvo de
exoneração. Os bastidores que levaram Rui de Andrade a ser "forçado a
regressar a Portugal" revelam que não se tratou de uma demissão
voluntária, mas sim de uma resolução política. O Governo de Macau já
tinha perdido a sua autoridade e precisava de sacrificar estes quadros
para recuperar a estabilidade e demonstrar boa vontade a Pequim. A
exoneração e expulsão destes responsáveis directos foi o resultado de um
compromisso político entre Guangdong e Macau. Este incidente alterou
profundamente o panorama político de Macau; o prestígio e a autoridade
da governação portuguesa desmoronaram-se, e as forças de esquerda
pró-Pequim passaram a dominar a sociedade de Macau desde então — uma
estrutura política que se manteve até à transferência de soberania para
a China. O caso de Rui de Andrade tornou-se um ponto de viragem crucial
na história colonial de Macau, marcando o declínio substantivo do
domínio português sobre o território.
氹仔建校衝突關鍵轉捩點
The Critical
Turning Point of the Taipa School Construction Conflict
O Ponto de Viragem
Crucial no Conflito da Construção da Escola da Taipa

從嘉模教堂高地處望向氹仔坊眾學校修建場地的情況,這時候有大量警察集結。(圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
A view from the high ground
of the Our Lady of Carmel Church looking towards the construction site
of the Taipa Fong Chong School, where a large number of police officers
were gathering. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Uma vista a partir do alto
da Igreja de Nossa Senhora do Carmo em direcção ao local das obras de
remodelação da Escola Fong Chong da Taipa, num momento em que se
registava uma grande concentração de forças policiais. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:
慘無人道的毒打!葡警連小童、老翁也不放過,甚至以警棍猛撞婦女下部。但實際觀是,氹仔坊眾學校因辦學需要擴大校舍現場,警察防暴隊出動鎮壓發生肢體衝突。(圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
The original description
from Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in
Macau: "Inhumane and brutal beatings! The Portuguese police spared
neither children nor old men, and even slammed batons into women's lower
bodies." However, the actual observation was that physical clashes broke
out when the police riot squad was deployed to suppress the scene where
the Taipa Fong Chong School was expanding its premises to meet
educational needs. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
A descrição original em
Contra as Atrocidades Sangrentas dos Imperialistas Portugueses em Macau:
"Espancamentos desumanos e cruéis! A polícia portuguesa não poupou nem
crianças nem idosos, e chegou a golpear a parte inferior do corpo de
mulheres com bastões." Contudo, a observação real foi a de que eclodiram
confrontos físicos quando o corpo de polícia anti-motim foi mobilizado
para reprimir o local onde a Escola Fong Chong da Taipa expandia as suas
instalações para responder às necessidades educativas. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)

六十年過去,氹仔已經滄海變桑田,桑田變賭城,原氹仔坊眾學校舊址亦今已成餐廳,在地產盈利掛稅的現今社會,原建築仍然幸存已經是一個奇蹟,然而建校本是造福莘莘學子本,與政治無關,但冥冥中卻被政治拖入一個萬劫不復的漩渦之內,而且更導致八位澳門市民殉難!
(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Sixty years have passed.
Taipa has seen its mulberry fields turn into oceans, and those oceans
turn into a casino city. The former site of the Taipa Fong Chong School
has now become a restaurant. In today's real estate-driven and
tax-focused society, it is already a miracle that the original building
survives. Building a school was originally intended to benefit countless
students and had nothing to do with politics. Yet, by some mysterious
twist of fate, it was dragged into a devastating political whirlpool,
ultimately leading to the martyrdom of eight Macau citizens! (Image
source: Acta Scientrium Ngensis)
Passaram-se sessenta anos.
A Taipa viu os seus campos de cultivo transformarem-se em oceanos, e
esses oceanos transformarem-se numa cidade de casinos. O antigo local da
Escola Fong Chong da Taipa é hoje um restaurante. Na sociedade actual,
movida pelo lucro imobiliário e pela tributação, a sobrevivência do
edifício original já é um milagre. A construção de uma escola destinava-se
originalmente a beneficiar inúmeros estudantes e nada tinha a ver com a
política. No entanto, por uma misteriosa força do destino, acabou por
ser arrastada para um turbilhão político devastador, resultando na morte
de oito cidadãos de Macau! (Fonte da imagem: Acta
Scientrium Ngensis)
氹仔建校衝突1966年11月15日澳門近代史的關鍵轉捩點1966年11月15日,氹仔發生的一場建校衝突,成為澳門近代史上極具影響力的事件。這場原本圍繞學校擴建工程的民間糾紛,最終演變成大規模警民衝突,並成為後來「一二.三事件」的重要導火線,是氹仔坊眾學校因辦學需要擴大校舍,澳門居民自籌經費成立「氹仔居民學校籌建委員會」,多次向澳葡當局申請批准施工。據資料記載,校方前後與當局交涉達二十四次,但長時間未獲正式回覆,办学需求長期被忽視。在遲遲未取得正式批准的情況下,校方與居民為了不耽誤辦學進度,決定先行搭棚施工。11月15日當日,海島市政廳代理廳長晏德地
(Rui de Andrade)
上班時途經坊眾學校,發現校舍前已搭起棚架,立即派出一名警察前往查詢並要求阻止施工。工人不聽勸阻,繼續施工。晏德地隨即派出更多警力介入,警察防暴隊出動鎮壓。雙方對峙後迅速爆發衝突,葡警被指毆打在場群眾,導致多人受傷。
根據官方與民間記載,這場衝突造成40人受傷,66人被捕,其中包括在場採訪的《澳門日報》記者。被捕者中有不少是建校籌委與參與交涉的澳門華人社會代表。事件發生後,中華總商會及建校代表立即前往澳門總督府交涉,要求釋放被捕人員並徹底調查事件。然而,部分前往交涉的人士未能即時獲得會見,反而遭到拘留,進一步激化華人社會的不滿情緒。社會反應與後續影響,氹仔建校衝突迅速引起澳門各界強烈反應。11月18日,氹仔居民提出五項要求,包括道歉、賠償、釋放被捕人員等,但澳葡當局回應遲緩且態度強硬。這場衝突不僅是校舍修建問題,更觸發了澳門華人對澳葡殖民統治長期積壓的不滿。民族主義情緒被迅速挑起,街頭抗議、罷工、罷市等行動隨即展開,星火燎原,最終導致1966年12月3日發生更大規模的一二.三事件,澳門歷史上最大規模的警民衝突。
1966年11月15日的氹仔建校衝突,標誌著澳門社會矛盾從和平交涉轉向大規模抗議。它不僅是澳葡殖民統治末期社會動盪的開端,也深刻影響了澳門此後的政治格局。事件促使華人社會更強力地要求政治改革與平等權利,並為1970年代澳門逐漸向中國過渡埋下伏筆。這起事件也成為澳門近代史研究的重要案例,展示殖民統治末期社會矛盾如何從具體民生問題演變成政治運動,以及民間社會如何在長期壓抑後通過集體行動表達訴求。氹仔建校衝突提醒我們,歷史的大轉折往往始於看似微小的日常事件,一間學校的擴建,卻意外地改變了整個澳門的命運軌跡。
The Taipa school
construction conflict of November 15, 1966, was a critical turning point
in modern Macau history. This event, which originally began as a civic
dispute over a school expansion project, eventually escalated into a
large-scale police-civilian clash and became a major fuse for the
subsequent "12-3 Incident." Due to the need to expand its premises for
educational purposes, the Taipa Fong Chong School prompted Macau
residents to self-fund and establish the "Preparatory Committee for the
Construction of the Taipa Residents' School," which repeatedly applied
to the Macanese Portuguese authorities for construction approval.
Records show that the school followed up with the authorities as many as
twenty-four times, but went without an official response for a long
period, leaving their educational needs ignored for a long time. In the
absence of official approval and to avoid delaying the educational
progress, the school and residents decided to go ahead with erecting
bamboo scaffolding for construction. On November 15, Rui de Andrade, the
acting administrator of the Municipal Council of the Islands, passed by
the Fong Chong School on his way to work. Noticing that scaffolding had
been erected in front of the school, he immediately dispatched a police
officer to investigate and halt the construction. The workers ignored
the warning and continued working. Andrade then dispatched more police
forces to intervene, and the police riot squad was deployed to suppress
the scene. Following a standoff, a conflict rapidly erupted, with the
Portuguese police accused of beating the crowd, resulting in multiple
injuries.
According to official and civilian records, this conflict resulted in 40
injuries and 66 arrests, including a reporter from the Macao Daily News
who was covering the scene. Among the detainees were many members of the
school construction preparatory committee and representatives of the
Macau Chinese community involved in the negotiations. Following the
incident, the Macao Chamber of Commerce and representatives of the
school construction committee immediately went to the Governor's Palace
to negotiate, demanding the release of the detainees and a thorough
investigation into the incident. However, some of those who went to
negotiate were not granted an immediate audience; instead, they were
detained, further fueling the resentment of the Chinese community. The
social reaction and subsequent impacts of the Taipa school construction
conflict quickly triggered strong responses from all walks of life in
Macau. On November 18, Taipa residents put forward five demands,
including an apology, compensation, and the release of the detained
personnel. However, the Macanese Portuguese authorities responded slowly
and maintained a rigid stance. This conflict was no longer just about
the construction of school premises; it triggered long-accumulated
discontent among Macau Chinese toward Portuguese colonial rule.
Nationalist sentiments were quickly ignited, and actions such as street
protests and city-wide strikes by workers and merchants commenced
immediately. The spark quickly set off a prairie fire, ultimately
leading to the even larger-scale "12-3 Incident" on December 3, 1966—the
largest police-civilian clash in Macau's history.
The Taipa school construction conflict of November 15, 1966, marked a
shift in Macau's social contradictions from peaceful negotiations to
large-scale protests. It was not only the beginning of social unrest in
the late period of Portuguese colonial rule but also profoundly shaped
Macau's political landscape thereafter. The incident prompted the
Chinese community to demand political reforms and equal rights more
vigorously, laying the groundwork for Macau's gradual transition toward
China in the 1970s. This event has also become an important case study
in modern Macau historical research, demonstrating how social
contradictions in the late colonial era can evolve from specific
livelihood issues into political movements, and how civil society
expresses demands through collective action after prolonged suppression.
The Taipa school construction conflict reminds us that major turning
points in history often begin with seemingly minor daily events: the
expansion of a single school unexpectedly altered the trajectory of
Macau's destiny.
O conflito da construção da
escola na Taipa, em 15 de Novembro de 1966, constituiu um ponto de
viragem crucial na história contemporânea de Macau. Este acontecimento,
que inicialmente começou como uma disputa civil em torno das obras de
expansão de uma escola, acabou por degenerar num confronto em grande
escala entre a polícia e os residentes, tornando-se um importante
estopim para o posterior "Incidente 1-2-3". Devido à necessidade de
expandir as instalações para fins educativos, a Escola Fong Chong da
Taipa motivou os residentes de Macau a financiarem a criação da "Comissão
Preparatória para a Construção da Escola dos Moradores da Taipa", a qual
solicitou repetidamente a aprovação das obras junto das autoridades
portuguesas de Macau. Segundo os registos, os responsáveis da escola
realizaram diligências junto das autoridades por vinte e quatro vezes,
mas ficaram sem resposta oficial durante um longo período, sendo as
necessidades educativas ignoradas de forma prolongada. Perante a demora
na obtenção da autorização oficial, e para não atrasar o progresso
escolar, a escola e os residentes decidiram avançar com a montagem de
andaimes de bambu para a execução das obras. No dia 15 de Novembro, Rui
de Andrade, administrador interino da Câmara Municipal das Ilhas, passou
junto à Escola Fong Chong a caminho do trabalho. Ao notar os andaimes
montados em frente à escola, enviou imediatamente um agente policial
para averiguar e ordenar a interrupção dos trabalhos. Os operários
ignoraram a advertência e continuaram a trabalhar. Rui de Andrade enviou
então mais reforços policiais para intervir, tendo o corpo de polícia
anti-motim avançado para reprimir a situação. Após um impasse, eclodiu
rapidamente um conflito, com a polícia portuguesa a ser acusada de
agredir a multidão, resultando em vários feridos.
De acordo com os registos oficiais e civis, este confronto causou 40
feridos e 66 detidos, incluindo um jornalista do Diário de Macau que se
encontrava a fazer a cobertura no local. Entre os detidos figuravam
muitos membros da comissão preparatória da construção da escola e
representantes da comunidade chinesa de Macau envolvidos nas negociações.
Após o sucedido, a Associação Comercial de Macau e os representantes da
comissão da escola dirigiram-se imediatamente ao Palácio do Governador
para negociar, exigindo a libertação dos detidos e uma investigação
rigorosa sobre o caso. Contudo, alguns dos que se deslocaram para a
audiência não foram recebidos de imediato; em vez disso, foram detidos,
o que inflamou ainda mais o descontentamento da sociedade chinesa.
Quanto à reacção social e aos impactos subsequentes, o conflito da
construção da escola na Taipa gerou rapidamente uma forte reacção em
todos os sectores de Macau. Em 18 de Novembro, os residentes da Taipa
apresentaram cinco exigências, que incluíam um pedido de desculpas,
indemnizações e a libertação das pessoas detidas. No entanto, as
autoridades portuguesas de Macau responderam com lentidão e mantiveram
uma postura rígida. Este confronto já não se limitava à questão da
construção das instalações escolares; serviu para despoletar o
descontentamento há muito acumulado na comunidade chinesa face ao
domínio colonial português. Os sentimentos nacionalistas foram
rapidamente acesos, dando início imediato a acções de protesto nas ruas,
greves e ao encerramento do comércio. A faísca rapidamente provocou um
incêndio total, culminando, em 3 de Dezembro de 1966, no "Incidente
1-2-3" de maior envergadura — o maior confronto entre a polícia e os
civis na história de Macau.
O conflito da construção da escola na Taipa, em 15 de Novembro de 1966,
marcou a transição das contradições sociais de Macau de negociações
pacíficas para protestos em grande escala. Não foi apenas o início da
agitação social no período final do domínio colonial português, mas
também moldou profundamente o panorama político subsequente de Macau. O
incidente impulsionou a sociedade chinesa a exigir de forma mais
enérgica reformas políticas e igualdade de direitos, lançando as bases
para a transição gradual de Macau para a China na década de 1970. Este
caso tornou-se também um marco importante na investigação da história
contemporânea de Macau, demonstrando como as contradições sociais no
final da era colonial podem evoluir de questões concretas de
subsistência para movimentos políticos, e como a sociedade civil
expressa as suas reivindicações através da acção colectiva após uma
opressão prolongada. O conflito da construção da escola na Taipa
recorda-nos que os grandes pontos de viragem na história começam muitas
vezes com acontecimentos quotidianos aparentemente insignificantes: a
expansão de uma única escola alterou, inesperadamente, a trajectória do
destino de toda a Macau.


《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:葡警像野獸般連過路的中國同胞也抓住狠狠毒打。 (圖片來源:
延陵科學綜合室)
The original description
from Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in
Macau: "Like wild beasts, the Portuguese police even grabbed Chinese
compatriots who were merely passing by and beat them brutally." (Image
source: Cognitio Sapiens Ngensis)
A descrição original em Contra as Atrocidades Sangrentas dos
Imperialistas Portugueses em Macau: "Como feras selvagens, a polícia
portuguesa agarrou até mesmo os compatriotas chineses que apenas
passavam pelo local, espancando-os brutalmente." (Fonte da imagem:
Cognitio Sapiens Ngensis)
護督施維納
(Carlos Armando da Mota Cerveira)

施維納 (Carlos Armando da Mota Cerveira) (圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
Carlos Armando da Mota Cerveira (Image source: Acta Scientrium
Ngensis)
Carlos Armando da Mota Cerveira (Fonte da imagem: Acta Scientrium
Ngensis)
施維納 (Carlos Armando da Mota Cerveira)
是澳門葡萄牙殖民管治時期的重要人物之一。根據現有資料,他最為人熟悉的歷史角色,是在1966年澳門一二.
三事件期間擔任臨時護督。澳門在20世紀60年代代正處於社會結構、政治氣氛與殖民管治模式逐步轉變的階段,當地華人社會對葡方殖民當局的不滿情緒亦日益累積。在這樣的背景下,施維納所面對的,不單是一般行政管理問題,而是整個殖民統治秩序受到嚴重挑戰的危機。1966年的「12·3事件」是澳門近代史上的重大轉折點。事件起因與校舍、教育管理及殖民當局的處理方式有關,隨後迅速演變成大規模的社會衝突與政治對抗。作為當時葡方最高行政人物之一,施維納需要直接應對這場危機。然而,相關資料顯示,他在處理事件時態度較為強硬,未有成功緩和華人社會與殖民政府之間的緊張關係。相反,事件在一定程度上因其強硬姿態而進一步升溫,最終促使葡方在澳門的管治方式出現明顯調整。殖民政權往往同時需要兩套語言,一套對內用來維持權威,強調紀律、國家與尊嚴;另一套對外則試圖包裝自己為合法、理性與負責任的治理者。但在地方社會的真實經驗裡,殖民統治通常不是抽象的制度,而是透過警力、行政命令與危機處理方式具體呈現出來。
Carlos Armando da Mota
Cerveira is one of the pivotal figures during the period of Portuguese
colonial rule in Macau. According to available records, his most
well-known historical role was serving as the Acting Governor during the
"12-3 Incident" in Macau in 1966. In the 1960s, Macau was undergoing a
gradual transformation in its social structure, political climate, and
colonial governance model, while public resentment within the local
Chinese community toward the Portuguese colonial authorities was
steadily accumulating. Against this backdrop, what Cerveira faced was
not merely an issue of general administration, but a crisis in which the
entire colonial ruling order was being severely challenged. The "12-3
Incident" of 1966 was a major turning point in modern Macau history. The
incident originated from disputes involving school premises, educational
administration, and the colonial authorities' handling of these matters,
which then rapidly escalated into large-scale social conflicts and
political confrontations. As one of the highest-ranking Portuguese
administrative figures at the time, Cerveira had to respond directly to
this crisis. However, relevant data indicates that he adopted a
relatively rigid stance when handling the incident, failing to defuse
the tension between the Chinese community and the colonial government.
Instead, his unyielding posture caused the incident to escalate further
to a certain extent, ultimately prompting a significant adjustment in
the way the Portuguese side governed Macau. Colonial regimes often
require two sets of languages simultaneously: one for internal use to
maintain authority, emphasizing discipline, nationhood, and dignity; the
other for external use, attempting to present themselves as legitimate,
rational, and responsible governors. Yet, in the actual experience of
local society, colonial rule is usually not an abstract system, but
something manifested concretely through police force, administrative
orders, and methods of crisis management.
Carlos Armando da Mota
Cerveira é uma das figuras fundamentais do período do domínio colonial
português em Macau. De acordo com os dados disponíveis, o seu papel
histórico mais conhecido foi o de Encarregado do Governo interino de
Macau durante o "Incidente 1-2-3" em 1966. Na década de 1960, Macau
encontrava-se numa fase de transição gradual na sua estrutura social,
ambiente político e modelo de governação colonial, enquanto o
descontentamento da sociedade chinesa local face às autoridades
coloniais portuguesas se acumulava progressivamente. Neste contexto, o
que Cerveira enfrentava não era uma mera questão de administração geral,
mas sim uma crise em que toda a ordem do domínio colonial estava a ser
severamente desafiada. O "Incidente 1-2-3" de 1966 constituiu um grande
ponto de viragem na história contemporânea de Macau. O incidente teve
origem em disputas relacionadas com instalações escolares, administração
educativa e a forma de actuação das autoridades coloniais, evoluindo
rapidamente para conflitos sociais e confrontações políticas em grande
escala. Sendo uma das mais altas figuras da administração portuguesa na
época, Cerveira teve de lidar directamente com esta crise. Contudo, os
dados relevantes indicam que adoptou uma postura relativamente rígida na
gestão do incidente, não conseguindo aliviar a tensão entre a comunidade
chinesa e o governo colonial. Pelo contrário, a situação agravou-se
ainda mais, até certo ponto, devido à sua atitude intransigente, o que
acabou por motivar um ajustamento claro na forma de governação de
Portugal em Macau. Os regimes coloniais necessitam frequentemente de
dois conjuntos de linguagens em simultâneo: um para o uso interno para
manter a autoridade, enfatizando a disciplina, a pátria e a dignidade;
outro para o uso externo, tentando apresentar-se como um administrador
legítimo, racional e responsável. No entanto, na experiência real da
sociedade local, o domínio colonial geralmente não é um sistema
abstracto, mas sim algo que se manifesta concretamente através da força
policial, de ordens administrativas e dos métodos de gestão de crises.
施維納的高光時刻
The Highlight
of Cerveira's Career
O Momento de
Destaque na Carreira de Cerveira

施維納 (Carlos Armando da Mota Cerveira) 檢閱澳陸軍部隊情形。
(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Carlos Armando da
Mota Cerveira reviewing the troops of the Portuguese Military Forces in
Macau. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Carlos Armando da Mota Cerveira a passar revista às Forças Militares de
Macau. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
陸軍總司令施維納宣誓成為市政廳廳長1966年5月8日,澳門政壇出現一項引人注目的任命。當日上午十一時海、陸軍總司令施維納於督憲府二樓正式宣誓就任澳門市政廳長,其就職儀式由澳督羅必信中校親自監誓,場面莊重而隆重。當日出席監誓儀式者,除政府各部門首長外,尚有中西各界知名人士約百餘人,足見此一人事更迭備受關注。儀式伊始,由民政廳長施雅拔宣讀來自葡京方面的委任令,確立施維納之任命合法性與權威性。隨後,施維納依例宣誓就職,正式承擔市,政廳長之職責。宣誓完畢後,澳督羅必信發表致詞,對施維納過往在軍職上的表現給予高度評價,稱其為人勤勉刻苦,富於責任感。羅必信同時提及,前任市政廳長加路思因健康問題被迫離職,市政廳職務一度由軍方代辦,顯示當時行政運作面臨一定過渡與調整。在此背景下,施維納的上任,被寄望能穩定局勢並推動市政發展。施維納在答詞中態度謙遜,表示將竭盡所能履行職責,並期望獲得市政委員及各界人士的支持與配合,以共同推進市政工作。其言辭雖簡,但顯示出對未來工作的務實態度。儀式最後,來賓依次簽名留念,氣氛由莊重轉為和緩。隨後,施維納即前往市政廳正式視事,象徵其職務由儀式層面轉入實際行政運作。此時的施維納,身兼多重要職,不僅為澳門陸軍總司令,同時出任澳門市政廳主席,並在澳督外訪離澳期間,兼負護理澳門總督之責,成為當時澳門軍政權力交織之核心人物之一。其權力之集中與角色之多重,在當時的殖民治理體制中,實屬少見。然而這位在就職典禮上被寄予厚望的軍政要員,卻在往後歷史發展中留下了截然不同的印記。至一九六六年十一月,隨著澳督更替與局勢急劇轉變,施維納的決策與行動,最終為澳門帶來一場深刻而沉重的悲劇,成為日後歷史評價中難以忽視的一頁。
On May 8, 1966, a
high-profile appointment took place in Macau's political arena. At 11:00
a.m. that morning, Carlos Armando da Mota Cerveira, Commander-in-Chief
of the Military Forces, was officially sworn in as the President of the
Municipal Council of Macau on the second floor of the Governor's Palace.
The inauguration ceremony was personally overseen by Governor Lieutenant
Colonel António Adriano Faria Lopes dos Santos, making for a solemn and
grand occasion. The ceremony was attended by heads of various government
departments as well as over a hundred prominent figures from both the
Chinese and Western communities, demonstrating how much attention this
personnel change attracted. The ceremony began with Henrique de
Albuquerque Silva, the Director of Civil Administration, reading the
appointment decree from Lisbon, which established the legality and
authority of Cerveira's appointment. Subsequently, Cerveira took the
oath of office in accordance with regulations, officially assuming the
duties of the President of the Municipal Council. Following the oath,
Governor Lopes dos Santos delivered a speech, speaking highly of
Cerveira's past performance in his military roles and describing him as
diligent, hardworking, and deeply responsible. Lopes dos Santos also
mentioned that the former President of the Municipal Council, Carlos,
had been forced to step down due to health issues, and the council's
duties had temporarily been managed by the military, reflecting a
certain transition and adjustment in administrative operations at the
time. Against this background, Cerveira's assumption of office carried
the expectation that he would stabilize the situation and promote
municipal development. In his reply, Cerveira showed humility,
expressing his commitment to doing his utmost to fulfill his duties and
his hope for the support and cooperation of the municipal councilors and
people from all walks of life to jointly advance municipal work. Though
concise, his words demonstrated a pragmatic attitude toward his future
tasks. At the end of the ceremony, guests signed the guestbook in turn,
and the atmosphere shifted from solemn to relaxed. Cerveira then
proceeded immediately to the Municipal Council to formally assume his
duties, symbolizing the transition of his role from the ceremonial level
to actual administrative operations. At this point, Cerveira held
multiple key offices simultaneously; he was not only the
Commander-in-Chief of the Military Forces in Macau but also served as
the President of the Municipal Council of Macau, and was responsible for
serving as the Acting Governor of Macau during the Governor's official
travels abroad. He became one of the core figures at the intersection of
military and political power in Macau at the time. Such a concentration
of power and multiplicity of roles was truly rare in the colonial
governance system of that era. However, this military and political
official, who had been given such high expectations at his inauguration
ceremony, would go on to leave a starkly different mark in the
subsequent course of history. By November 1966, with the change of
Governor and a rapid shift in the situation, Cerveira's decisions and
actions ultimately brought a profound and heavy tragedy to Macau,
becoming a page that cannot be ignored in future historical evaluations.
Em 8 de Maio de 1966, o
cenário político de Macau foi marcado por uma nomeação de grande
destaque. Pelas onze horas da manhã daquele dia, o Comandante Militar
Carlos Armando da Mota Cerveira tomou posse oficialmente como Presidente
da Câmara Municipal de Macau, no segundo andar do Palácio do Governador.
A cerimónia de posse foi presidida pessoalmente pelo Governador, o
Tenente-Coronel António Adriano Faria Lopes dos Santos, revestindo-se de
solenidade e imponência. O acto contou com a presença de directores de
vários serviços públicos e de mais de uma centena de personalidades de
relevo das comunidades chinesa e ocidental, o que demonstra o elevado
interesse que esta alteração de pessoal despertou. A cerimónia teve
início com a leitura, por parte do Chefe dos Serviços de Administração
Civil, Henrique de Albuquerque Silva, do decreto de nomeação vindo de
Lisboa, confirmando a legalidade e a autoridade da nomeação de Cerveira.
Em seguida, Cerveira prestou o juramento legal, assumindo formalmente as
funções de Presidente da Câmara Municipal. Concluído o juramento, o
Governador Lopes dos Santos proferiu um discurso no qual elogiou as
funções militares anteriormente desempenhadas por Cerveira, descrevendo-o
como um homem zeloso, trabalhador e dotado de um elevado sentido de
responsabilidade. Lopes dos Santos referiu ainda que o anterior
Presidente da Câmara Municipal, Carlos, se vira obrigado a deixar o
cargo por motivos de saúde, tendo as funções da câmara sido geridas
temporariamente pelos militares, o que reflectia uma certa transição e
ajustamento nas operações administrativas da época. Neste contexto, a
tomada de posse de Cerveira gerou a expectativa de que este pudesse
estabilizar a situação e impulsionar o desenvolvimento municipal. Na sua
resposta, Cerveira mostrou-se humilde, manifestando o seu empenho em dar
o seu melhor no cumprimento dos seus deveres e expressando o desejo de
contar com o apoio e a colaboração dos vereadores e dos diversos
sectores da sociedade para, em conjunto, fazerem avançar os trabalhos
municipais. Embora breves, as suas palavras demonstraram uma atitude
pragmática face às tarefas futuras. No final da cerimónia, os convidados
assinaram sucessivamente o livro de honra, tornando a atmosfera mais
descontraída. Logo após, Cerveira dirigiu-se à Câmara Municipal para
iniciar formalmente as suas funções, simbolizando a transição do seu
papel do plano cerimonial para a operação administrativa real. Neste
momento, Cerveira acumulava vários cargos de grande importância: era não
só o Comandante das Forças Militares em Macau, mas também exercia as
funções de Presidente da Câmara Municipal de Macau e assumia o cargo de
Encarregado do Governo de Macau durante as ausências do Governador no
estrangeiro. Tornou-se, assim, uma das figuras centrais na convergência
dos poderes militar e político em Macau na época. Esta concentração de
poder e multiplicidade de papéis eram verdadeiramente raras no sistema
de governação colonial daquele tempo. Contudo, este dirigente militar e
político, em quem se tinham depositado elevadas expectativas na
cerimónia de posse, viria a deixar uma marca profundamente diferente no
desenvolvimento histórico posterior. Em Novembro de 1966, com a
substituição do Governador e a rápida alteração da conjuntura, as
decisões e acções de Cerveira acabaram por trazer uma profunda e pesada
tragédia para Macau, constituindo uma página impossível de ignorar nas
avaliações históricas futuras.

正在處理一二. 三事件期的護督施維納 (Carlos Armando da Mota
Cerveira) 。 (圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Acting Governor
Carlos Armando da Mota Cerveira handling the situation during the "12-3
Incident." (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
O Encarregado do Governo, Carlos Armando da Mota Cerveira, a lidar com a
situação durante o período do "Incidente 1-2-3". (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)
施維納是葡萄牙殖民管治時期澳門的重要人物之一。資料顯示,他在1966年12月澳門發生嚴重社會衝突時,曾以「葡臨時護督」身分處理局勢,當時他同時也是葡澳軍政系統中的核心人物之一。在澳門歷史敘述中,他的名字通常與「12.3事件」密切連在一起,因為那場事件深刻改變了葡萄牙在澳門的治理方式與華人社會的政治態勢。
1960年代的澳門,正處於冷戰、殖民地去殖民化,以及中國大陸政治氛圍外溢的多重壓力之下。1966年的「12.3事件」起因於澳門當局處理華人團體校舍問題,引發群眾不滿,之後迅速演變成大規模政治風波。在這個脈絡中,施維納作為當時的護督,面對的
是一場不只是治安問題、而是殖民統治合法性撃的危機。
施維納在事件中的角色,已有資料指出,當時澳門華人領袖何賢曾拜會施維納,勸他謹慎處理局勢,但施維納態度強硬,未有接受勸告。從相關敘述看,他傾向以維持殖民政府權威為優先,這也使事件更快升級,並最終導致葡方在澳門的治理姿態出現明顯轉變。在澳門歷史記憶中,他常被視為一位強硬但也受到局勢壓迫的殖民官員。最後施維納並未作出明顯讓步。這一點反映出當時葡方官員對局勢的判斷與華人社會的期望之間存在明顯落差。從歷史角度看,這不僅說明事件本身的複雜性,也反映出殖民管治體制在面對本地社會壓力時的局限。施維納在澳門歷史上的地位,主要並非來自其一般行政工作,而是來自他在1966年危機中的決策與態度。他作為臨時護督所作出的應對,直接影響了事件的走向,也成為研究澳門殖民政治史的重要個案。從更宏觀的歷史脈絡來看,一二.三事件標誌著澳門葡方殖民統治進入新的階段,施維納正是這一歷史轉變中的關鍵人物之一。雖然他並非澳門最知名的總督,但其在危機時期所扮演的角色,使他成為理解澳門近代政治變遷時不能忽略的人物。
Cerveira is one of the
pivotal figures in Macau during the period of Portuguese colonial rule.
Records show that when severe social conflicts broke out in Macau in
December 1966, he handled the situation in his capacity as the
"Portuguese Acting Governor," while simultaneously serving as one of the
core figures within the Portuguese military and political apparatus in
Macau. In historical narratives of Macau, his name is usually closely
linked to the "12-3 Incident," because that event profoundly transformed
both Portugal's governance approach in Macau and the political dynamic
of the Chinese community. During the 1960s, Macau stood under
multi-layered pressures from the Cold War, colonial decolonization, and
the spillover of the political atmosphere from mainland China. The "12-3
Incident" of 1966 originated from the Macau authorities' handling of a
school premises issue involving a Chinese group, which triggered public
resentment and quickly escalated into a large-scale political storm. In
this context, Cerveira, as the Acting Governor at the time, faced a
crisis that was not merely a matter of public order, but a direct blow
to the legitimacy of colonial rule. Regarding Cerveira's role in the
incident, existing records note that Ho Yin, a prominent Macau Chinese
leader, visited Cerveira to urge him to handle the situation with
caution, but Cerveira maintained a rigid stance and did not accept the
advice. Judging from relevant narratives, he inclined to prioritize
maintaining the authority of the colonial government, which accelerated
the escalation of the incident and ultimately led to a distinct shift in
Portugal's governance posture in Macau. In the historical memory of
Macau, he is often viewed as a colonial official who was hardline yet
pressured by the unfolding circumstances. In the end, Cerveira did not
make any significant concessions. This point reflects a conspicuous gap
between the Portuguese officials' assessment of the situation and the
expectations of the Chinese community. From a historical perspective,
this not only underscores the complexity of the incident itself but also
reflects the limitations of the colonial governing system when
confronting local social pressure. Cerveira's historical standing in
Macau stems primarily not from his routine administrative work, but from
his decisions and attitude during the 1966 crisis. His response as the
Acting Governor directly influenced the course of the event and has
become an important case study for researching Macau's colonial
political history. From a broader historical context, the "12-3
Incident" marked the entry of Portuguese colonial rule in Macau into a
new phase, and Cerveira was precisely one of the key figures in this
historical transition. Although he is not the most famous governor of
Macau, the role he played during this period of crisis makes him a
figure that cannot be overlooked when trying to understand the modern
political evolution of Macau.
Cerveira é uma das figuras marcantes de Macau durante o período do
domínio colonial português. Os dados demonstram que, aquando da eclosão
dos graves conflitos sociais em Macau, em Dezembro de 1966, este geriu a
situação na qualidade de "Encarregado do Governo Português", sendo, em
simultâneo, uma das figuras centrais do sistema militar e político de
Portugal em Macau. Na narrativa histórica de Macau, o seu nome surge
habitualmente associado de forma estreita ao "Incidente 1-2-3", dado que
este acontecimento alterou profundamente o modelo de governação de
Portugal em Macau e a postura política da sociedade chinesa. Na década
de 1960, Macau encontrava-se sob as múltiplas pressões da Guerra Fria,
da descolonização colonial e do transbordo do ambiente político do
interior da China. O "Incidente 1-2-3" de 1966 teve origem na forma como
as autoridades de Macau lidaram com a questão das instalações escolares
de um grupo chinês, o que espoletou o descontentamento popular e
rapidamente se transformou numa crise política em grande escala. Neste
contexto, Cerveira, enquanto Encarregado do Governo da época, enfrentava
uma crise que transcendia os problemas de segurança pública,
constituindo um golpe directo contra a legitimidade do domínio colonial.
Quanto ao papel de Cerveira no incidente, os dados existentes apontam
que o líder chinês de Macau, Ho Yin, se reuniu com Cerveira para o
aconselhar a gerir a situação com prudência, mas Cerveira manteve uma
postura rígida e não aceitou o conselho. A avaliar pelas narrativas
associadas, a sua inclinação prioritária foi a de salvaguardar a
autoridade do governo colonial, o que acelerou a escalada do incidente e
acabou por ditar uma mudança visível na postura de governação de
Portugal em Macau. Na memória histórica de Macau, é frequentemente visto
como um funcionário colonial intransigente, mas também pressionado pela
conjuntura. Por fim, Cerveira não fez concessões significativas. Este
aspecto reflecte o desfasamento evidente entre a leitura que as
autoridades portuguesas faziam da situação e as expectativas da
sociedade chinesa. Sob o ponto de vista histórico, isto demonstra não só
a complexidade do próprio incidente, mas também as limitações do sistema
de governação colonial face à pressão da sociedade local. O estatuto
histórico de Cerveira em Macau advém, essencialmente, não do seu
trabalho administrativo corrente, mas sim das suas decisões e atitude
durante a crise de 1966. A resposta que deu enquanto Encarregado do
Governo influenciou directamente o rumo dos acontecimentos e tornou-se
um caso de estudo importante para a investigação da história política
colonial de Macau. Numa perspectiva histórica mais macro, o "Incidente
1-2-3" assinalou a entrada do domínio colonial português em Macau numa
nova fase, sendo Cerveira precisamente uma das figuras-chave nesta
transição histórica. Embora não seja o governador mais consagrado de
Macau, o papel que desempenhou neste período de crise torna-o uma
personalidade incontornável para a compreensão das mutações políticas
contemporâneas de Macau.
1966年澳門危機中的政治預警與人道呼籲
Political
Warnings and Humanitarian Appeals in the 1966 Macau Crisis
Avisos
Políticos e Apelos Humanitários na Crise de Macau de 1966

陸軍總司令施維納 (穿軍禮服者) 在市政廳舉行的總督嘉樂庇就職典禮上,正在集中精神觀看簽字中的何賢。
(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Commander-in-Chief of the
Military Forces Carlos Armando da Mota Cerveira (in military dress
uniform) intently watching Ho Yin sign the register during Governor José
Nobre de Carvalho's inauguration ceremony held at the Municipal Council.
(Image source: Acta Scientrium Ngensis)
O Comandante Militar Carlos
Armando da Mota Cerveira (de grande uniforme militar) observa
atentamente Ho Yin a assinar o livro de honra durante a cerimónia de
posse do Governador José Nobre de Carvalho, realizada na Câmara
Municipal. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
1966 年澳門危機中的政治預警與人道呼籲1996
年,澳門廣播電視有限公司製作了一檔紀念「一二.三事件」三十週年的新聞節目由林玉鳳主持的節目中,披露了一段極具歷史價值的第一手資料,1966
年事件爆發前夕,澳門名流民意代表何賢先生與崔樂祺先生曾一同面見當時代理澳門總督 (護督) 施維納 (Carlos Armando da Mota
Cerveira)
,並作出重要警告。根據節目披露的內容,何賢在會面時明確表示:「國內文革現時環境亦非常之混亂,澳門政府當局處理澳門示威抗議事件務必小心,不能使用軍事武力鎮壓。」更令人動容的是,何賢在述說時竟流下眼淚。
這段歷史片段,不僅揭示了當時澳門社會的緊張局勢,更展現了何氏在歷史關頭的政治預見與人道關懷。何賢的政治預見、中共文革亂局的深刻認識何賢當時的眼淚,並非源於個人情感,而是基於對當時中國大陸政治局勢的深刻認識。1966
年正是文化大革命爆發之初,極左思潮席捲全國,社會秩序陷入混亂。何賢似乎已經預見到國內處於一個瘋狂狀態,知道若澳門政府處理不當,將引發不可收拾的後果。
何賢的警告具有高度的政治敏感性。他清楚地認識到,當時中共勢力正在天天滋擾澳門督府及澳門政府行政機關,社會矛盾已經積累到臨界點。在這種情況下,若澳葡當局仍採取強硬手段,使用軍事武力鎮壓示威群眾,必將導致更大規模的流血衝突。深刻揭示了當時澳葡政府的態度,他們對澳門社會的動盪局勢,明顯缺乏足夠認識,對中共政府的壓力視而不見,
(護督) 施維納仍舊抱有殖民統治的傲慢心態。
澳葡當局在事件發生前的處理方式,暴露了其對澳門社會的嚴重誤判。他們未能理解當時中國大陸的政治環境已經徹底改變,未能認識到澳門作為殖民地的特殊地位已經受到挑戰。何賢的憂慮澳葡正是對這種盲目自信最沉痛的警告。警告未被採納的後果,何賢的警告最終未能被澳葡當局採納。1966
年 11 月 15
日,氹仔坊眾學校工程事件引發警民衝突,澳葡當局最終採取了強硬措施,並在12月初進行戒嚴,導致八位澳門同胞死亡。這一悲劇性結果,恰恰印證了何賢當時的預見。如果澳葡當局當時能夠聽從何賢的建議,採取更謹慎、更人道的方式處理示威抗議事件,或許可以避免這場流血悲劇。何賢的眼淚成為歷史中最沉痛的註腳:一位有遠見的政治人,看到災難即將發生卻無力阻止。
何賢的歷史地位在澳門稱為「愛國人士」,他具有一定的政治智慧,也是名流和民意代表,更是一位具有高度政治智慧與人道關懷的賢達。
他在 1966
年危機中的表現,具有卓越的政治預見性。他能夠準確判斷中國大陸政治局勢的發展趨勢,預見到文革對澳門可能帶來的衝擊。其次,他在政治危機中優先考慮到市民生命安全,展現了深厚的人道關懷。他擔任澳門社會與澳葡政府之間的重要溝通橋樑,試圖通過對話化解危機。
In 1996, Teledifusão de
Macau (TDM) produced a news program commemorating the 30th anniversary
of the "12-3 Incident." Hosted by Agnes Lam (Lam Iok-fong), the program
disclosed a highly valuable piece of first-hand historical information:
on the eve of the 1966 incident, prominent Macau figures and
representatives of public opinion, Mr. Ho Yin and Mr. Chui Lok-ki,
jointly met with the Acting Governor of Macau, Carlos Armando da Mota
Cerveira, and issued a critical warning. According to the contents
disclosed in the program, Ho Yin explicitly stated during the meeting:
"The current environment of the Cultural Revolution in the mainland is
extremely chaotic. The Macau government authorities must handle the
demonstrations and protests in Macau with absolute caution and must not
use military force for suppression." Even more movingly, Ho Yin actually
shed tears as he spoke.
This historical footage not only reveals the tense social situation in
Macau at the time but also showcases Mr. Ho's political foresight and
humanitarian concern at a critical juncture in history. Ho Yin's
political foresight and profound understanding of the chaos wrought by
the CCP's Cultural Revolution: Ho Yin's tears at that moment did not
stem from personal emotion, but from his deep understanding of the
political situation in mainland China. The year 1966 marked the very
beginning of the Cultural Revolution, during which ultra-leftist
ideology swept the country and social order descended into chaos. Ho Yin
seemed to have foreseen that the mainland was in a state of frenzy,
knowing that if the Macau government handled matters improperly, it
would trigger uncontrollable consequences.
Ho Yin's warning carried a high degree of political sensitivity. He
clearly recognized that CCP forces were harassing the Governor's Palace
and the administrative organs of the Macau government on a daily basis,
and social contradictions had accumulated to a tipping point. Under such
circumstances, if the Macanese Portuguese authorities were to persist in
taking a hardline approach and use military force to suppress the
protesting crowds, it would inevitably lead to a larger-scale bloody
conflict. This deeply exposed the attitude of the Macanese Portuguese
government at the time; they clearly lacked a sufficient understanding
of the volatile situation in Macau society, turned a blind eye to the
pressure from the Chinese Communist government, and Acting Governor
Cerveira still maintained the arrogance of colonial rule.
The Macanese Portuguese authorities' handling of the situation before
the incident exposed their severe misjudgment of Macau society. They
failed to comprehend that the political environment in mainland China
had completely changed, and failed to recognize that Macau's special
status as a colony was being challenged. Ho Yin's anxiety was the most
painful warning against this blind self-confidence. The consequences of
the warning being unheeded: Ho Yin's warning was ultimately not adopted
by the Macanese Portuguese authorities. On November 15, 1966, the
dispute over the Taipa Fong Chong School construction project triggered
a police-civilian clash. The Macanese Portuguese authorities eventually
resorted to hardline measures and declared martial law in early
December, resulting in the deaths of eight Macau compatriots. This
tragic outcome precisely validated Ho Yin's foresight at the time. Had
the Macanese Portuguese authorities listened to Ho Yin's advice and
adopted a more cautious and humanitarian approach to handle the
demonstrations and protests, this bloody tragedy might have been
avoided. Ho Yin's tears became the most painful footnote in history: a
visionary political figure who saw disaster approaching but was
powerless to stop it. Regarding his historical standing, Ho Yin is
recognized in Macau as a "patriotic figure." He possessed significant
political wisdom, served as a prominent leader and representative of
public opinion, and was a dignitary endowed with a high level of
political acumen and humanitarian concern.
His performance during the 1966 crisis demonstrated outstanding
political foresight. First, he was able to accurately judge the
developmental trends of the political situation in mainland China and
foresee the impact that the Cultural Revolution might bring to Macau.
Second, he prioritized the safety of citizens' lives during a political
crisis, demonstrating deep humanitarian concern. He served as a crucial
bridge of communication between Macau society and the Macanese
Portuguese government, attempting to defuse the crisis through dialogue.
Em 1996, a Teledifusão de Macau (TDM) produziu um programa de informação
em comemoração do 30.º aniversário do "Incidente 1-2-3". O programa,
apresentado por Agnes Lam (Lam Iok-fong), revelou um dado em primeira
mão de elevado valor histórico: na véspera da eclosão do incidente em
1966, as figuras ilustres e representantes da opinião pública de Macau,
o Sr. Ho Yin e o Sr. Chui Lok-ki, reuniram-se conjuntamente com o
Encarregado do Governo de Macau da época, Carlos Armando da Mota
Cerveira, e fizeram um aviso crucial. De acordo com o conteúdo divulgado
no programa, Ho Yin afirmou claramente na reunião: "O ambiente actual da
Revolução Cultural no interior da China é de extremo caos. As
autoridades do Governo de Macau devem ser extremamente cautelosas na
gestão dos protestos e manifestações em Macau, e não podem, de modo
algum, recorrer à força militar para a repressão." Ainda mais comovente
foi o facto de Ho Yin ter chorado ao proferir estas palavras.
Este fragmento histórico não só expõe a situação de tensão que se vivia
na sociedade de Macau na altura, como também demonstra a previdência
política e a preocupação humanitária do Sr. Ho num momento crucial da
história. A previdência política de Ho Yin e a sua profunda compreensão
do caos da Revolução Cultural do PCC: As lágrimas de Ho Yin naquele
momento não resultaram de emoções pessoais, mas sim de uma compreensão
profunda da conjuntura política no interior da China. O ano de 1966
coincidiu com o início da Revolução Cultural, quando a ideologia de
extrema-esquerda varria o país e a ordem social se afundava no caos. Ho
Yin parecia já antever que o interior da China se encontrava num estado
de frenesim, sabendo que, se o Governo de Macau gerisse a situação de
forma inadequada, as consequências seriam incontroláveis.
O aviso de Ho Yin revestia-se de uma elevada sensibilidade política. Ele
compreendia claramente que as forças do PCC importunavam diariamente o
Palácio do Governador e os órgãos administrativos do Governo de Macau, e
que as contradições sociais tinham acumulado até ao ponto crítico.
Perante tal cenário, se a administração portuguesa de Macau continuasse
a adoptar uma postura intransigente, recorrendo à força militar para
reprimir a multidão manifestante, tal ditaria inevitavelmente um
confronto sangrento de maior envergadura. Isto revelou profundamente a
atitude do Governo de Macau da época; careciam visivelmente de uma
percepção adequada sobre a situação volátil da sociedade de Macau,
ignoravam a pressão do regime comunista chinês, e o Encarregado do
Governo, Cerveira, mantinha a arrogância própria da governação colonial.
A forma de actuação das autoridades portuguesas de Macau antes do
incidente expôs o seu grave erro de avaliação sobre a sociedade local.
Não conseguiram compreender que o ambiente político no interior da China
mudara por completo, nem reconheceram que o estatuto especial de Macau
como colónia estava a ser posto em causa. A angústia de Ho Yin foi o
aviso mais doloroso contra essa cega autoconfiança. As consequências do
aviso não ter sido acolhido: O aviso de Ho Yin acabou por não ser
adoptado pelas autoridades portuguesas de Macau. Em 15 de Novembro de
1966, o conflito em torno das obras da Escola dos Moradores da Taipa
despoletou confrontos entre a polícia e os residentes. As autoridades de
Macau acabaram por tomar medidas de força e decretaram o estado de sítio
no início de Dezembro, provocando a morte de oito compatriotas de Macau.
Este desfecho trágico veio confirmar, precisamente, a previdência de Ho
Yin. Se as autoridades tivessem escutado o conselho de Ho Yin e adoptado
uma abordagem mais prudente e humanitária na gestão das manifestações,
esta tragédia sangrenta ter-se-ia, porventura, evitado. As lágrimas de
Ho Yin tornaram-se a nota de rodapé mais dolorosa da história: um homem
político de visão que viu o desastre aproximar-se, mas que foi impotente
para o impedir. No que toca ao seu estatuto histórico, Ho Yin é
reconhecido em Macau como uma "personalidade patriótica". Detinha uma
assinalável sabedoria política, era uma figura de relevo e representante
da opinião pública, e um homem ilustre dotado de elevado discernimento
político e sensibilidade humanitária.
A sua actuação na crise de 1966 demonstrou uma excelente previdência
política. Em primeiro lugar, foi capaz de avaliar com precisão a
tendência de desenvolvimento da situação política no interior da China,
antevendo o impacto que a Revolução Cultural traria para Macau. Em
segundo lugar, deu prioridade à segurança da vida dos cidadãos no seio
da crise política, manifestando uma profunda preocupação humanitária.
Exerceu o papel de uma ponte de comunicação crucial entre a sociedade de
Macau e o Governo de Macau, tentando dissipar a crise através do diálogo.
澳門總督嘉樂庇
(Governador de Macau)
The Governor of
Macau, Nobre de Carvalho
O Governador de
Macau, Nobre de Carvalho

澳門第121任總督嘉樂庇 (José Manuel de Sousa Faro Nobre de
Carvalho) (圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
The 121st Governor of Macau, José Manuel de
Sousa Faro Nobre de Carvalho. (Image source: Acta Scientrium
Ngensis)
O 121.º Governador de Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho.
(Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
嘉樂庇 (José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho)
是澳門第121任總督,生於1910年9月5日,葡萄牙里斯本人,曾在陸軍服役,並且在印度果阿、安哥拉等地有軍事服務經歷。1966年11月25日他抵達澳門履新為總督,任內發生了著名的「一二三事件」,他簽署了承擔全部責任的聲明書。其後,他推動了以工業為基礎的經濟政策,積極推動澳氹大橋
(以其名字命名)
和九澳深水港的建設,並致力於基礎設施和社會福利建設,如解決澳門食水問題和市政建設。嘉樂庇在1970年升至將軍,兩度獲准續任澳督,直到1974年四二五革命後仍留任至同年10月才離任,1989年於葡萄牙里斯本逝世。特別事件包括1967年的「一二三事件」,當時因警民衝突和激烈抗議,形勢緊張並導致戒嚴,最後嘉樂庇總督簽署聲明,承擔事件全部責任並賠償死傷者損失,對澳門華人居民表示歉意。此外,他主導的澳氹大橋於1974年建成通車,成為澳門發展的標誌工程之一。
José Manuel de Sousa Faro
Nobre de Carvalho was the 121st Governor of Macau. Born in Lisbon,
Portugal, on September 5, 1910, he served in the army and had extensive
military service experience in places such as Goa, India, and Angola. He
arrived in Macau to assume office as Governor on November 25, 1966.
During his tenure, the famous "12-3 Incident" took place, leading him to
sign a statement assuming full responsibility for the event.
Subsequently, he propelled an industry-oriented economic policy,
actively promoted the construction of the Macau-Taipa Bridge (which was
named after him) and the Ká-Hó Deepwater Port, and dedicated efforts to
infrastructure and social welfare developments, such as resolving
Macau's drinking water issues and advancing municipal construction.
Promoted to the rank of General in 1970, Nobre de Carvalho was granted
two extensions to continue his term as Governor. He remained in office
even after the Carnation Revolution (April 25 Revolution) in 1974, until
his departure in October of the same year. He passed away in Lisbon,
Portugal, in 1989. Notable events during his term include the "12-3
Incident" in 1967, when intense protests and police-civilian clashes
escalated tensions, resulting in martial law. Ultimately, Governor Nobre
de Carvalho signed a statement assuming full responsibility for the
incident, compensating the victims for their losses, and offering a
formal apology to the Chinese residents of Macau. Furthermore, the
Macau-Taipa Bridge built under his leadership opened to traffic in 1974,
becoming one of the landmark projects of Macau's development.
José Manuel de Sousa Faro
Nobre de Carvalho foi o 121.º Governador de Macau. Nascido em Lisboa,
Portugal, em 5 de Setembro de 1910, serviu no exército e teve
experiência de serviço militar em locais como Goa (Índia) e Angola.
Chegou a Macau para assumir as funções de Governador em 25 de Novembro
de 1966. Durante o seu mandato, ocorreu o célebre "Incidente 1-2-3", o
que o levou a assinar uma declaração assumindo a responsabilidade total
pelo sucedido. Posteriormente, impulsionou uma política económica
baseada na indústria, promoveu activamente a construção da Ponte Macau-Taipa
(baptizada com o seu nome) e do Porto de Águas Profundas de Ká-Hó, e
dedicou-se ao desenvolvimento de infra-estruturas e do bem-estar social,
tais como a resolução do problema do abastecimento de água potável em
Macau e as obras de urbanização municipal. Promovido a General em 1970,
Nobre de Carvalho obteve por duas vezes a prorrogação do seu mandato
como Governador de Macau. Manteve-se no cargo mesmo após a Revolução de
25 de Abril de 1974, deixando o território apenas em Outubro do mesmo
ano. Faleceu em Lisboa, Portugal, em 1989. Entre os acontecimentos
marcantes do seu mandato destaca-se o "Incidente 1-2-3" em 1967, quando
os confrontos entre a polícia e os residentes e os protestos intensos
agravaram a situação, resultando na declaração do estado de sítio. Por
fim, o Governador Nobre de Carvalho assinou uma declaração assumindo a
responsabilidade total pelo incidente, indemnizando as vítimas pelos
danos sofridos e apresentando um pedido formal de desculpas aos
residentes chineses de Macau. Além disso, a Ponte Macau-Taipa, por si
planeada, foi inaugurada em 1974, tornando-se uma das obras emblemáticas
do desenvolvimento de Macau.


儀式完成後嘉樂庇 (José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho) 成為澳門第121任總督。(圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
Following the completion of the ceremony,
José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho became the 121st Governor of
Macau. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Após a conclusão da cerimónia, José Manuel de Sousa Faro Nobre de
Carvalho tornou-se o 121.º Governador de Macau. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)
動盪中上任的澳門總督嘉樂庇
The Governor of
Macau Who Assumed Office Amidst Turmoil
O Governador de
Macau Que Tomou Posse no Meio da Agitação

嘉樂庇總督的日常處理公務照片。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
A photograph of
Governor Nobre de Carvalho handling routine official business. (Image
source: Acta Scientrium Ngensis)
Fotografia do Governador Nobre de Carvalho na gestão diária dos assuntos
públicos. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
嘉樂庇 (José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho)
在 1966 年到澳門上任時,是乘飛機來澳門的。他的路線是從葡萄牙先飛到香港啟德機場,再從香港轉往澳門。1966 年 11 月 25
日,葡萄牙總理薩拉查宣布任命他為澳門總督,次日 11 月 26
日他就抵達澳門履新。當時他先到香港後,香港總督戴麟趾爵士親自到啟德機場接機,並告訴他澳門發生了動盪,這就是後來被稱為「一二.三事件」的起因——氹仔見效事件。葡萄牙政府當時對澳門發生的變故完全一無所知。
嘉樂庇到達澳門知道發生了氹仔事件後,起初的反應是試圖緩和事態。1966 年 11 月 29
日,也就是他抵澳後大約三天,他接見了澳門工商界代表,表示在建校問題上動用警察屬於處理失當,並承諾將成立一個由官方和民間中立人士組成的調查委員會,徹查這次事件。
然而,這樣的表態已經錯過了挽回事態的最佳時機。澳門中華總商會並沒有回應他的邀請派出民間代表參與調查委員會,導致調查委員會無法如預期地運作。到了
12 月 3 日,事態進一步惡化,爆發了「一二.三事件」的暴力衝突,澳葡保安部隊開槍驅散人群,當場有人死傷,當局並宣布戒嚴。
When José Manuel de Sousa
Faro Nobre de Carvalho arrived in Macau to take office in 1966, he
traveled by air. His route involved flying from Portugal to Kai Tak
Airport in Hong Kong first, before transferring to Macau. On November
25, 1966, Portuguese Prime Minister António de Oliveira Salazar
announced his appointment as the Governor of Macau, and he arrived in
Macau the following day, November 26, to assume his post. Upon his
initial arrival in Hong Kong, the Governor of Hong Kong, Sir David
Trench, personally met him at Kai Tak Airport to welcome him and
informed him that unrest had broken out in Macau—specifically, the Taipa
school construction incident, which was the root cause of what would
later be known as the "12-3 Incident." At that time, the Portuguese
government in Lisbon was entirely unaware of the sudden turn of events
in Macau.
Upon his arrival in Macau and learning about the Taipa incident, Nobre
de Carvalho's initial reaction was an attempt to defuse the situation.
On November 29, 1966, roughly three days after his arrival, he met with
representatives from Macau's business and industrial sectors. He
acknowledged that deploying the police over the school construction
issue was a case of mishandling and promised to establish an
investigative committee composed of official and neutral civilian
figures to thoroughly probe the incident. However, this gesture came too
late to save the situation. The Macao Chamber of Commerce did not
respond to his invitation to dispatch civilian representatives to
participate, leaving the investigative committee unable to function as
intended. By December 3, the situation deteriorated further, erupting
into the violent clashes of the "12-3 Incident." The Macanese Portuguese
security forces opened fire to disperse the crowds, causing immediate
casualties on the spot, and the authorities declared martial law.
Quando José Manuel de Sousa
Faro Nobre de Carvalho chegou a Macau para tomar posse em 1966, viajou
por via aérea. O seu itinerário consistiu em voar de Portugal para o
Aeroporto de Kai Tak, em Hong Kong, e depois transitar para Macau. Em 25
de Novembro de 1966, o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal,
António de Oliveira Salazar, anunciou a sua nomeação como Governador de
Macau, e ele chegou ao território no dia seguinte, 26 de Novembro, para
assumir o cargo. Ao chegar primeiro a Hong Kong, o Governador de Hong
Kong, Sir David Trench, deslocou-se pessoalmente ao Aeroporto de Kai Tak
para o receber e informou-o de que se registavam distúrbios em Macau —
nomeadamente o incidente da construção da escola na Taipa, que esteve na
origem do que mais tarde viria a ser conhecido como o "Incidente 1-2-3".
Na altura, o Governo de Lisboa estava totalmente alheio aos
acontecimentos repentinos em Macau.
Ao chegar a Macau e tomar conhecimento do incidente da Taipa, a reacção
inicial de Nobre de Carvalho foi tentar acalmar os ânimos. Em 29 de
Novembro de 1966, cerca de três dias após a sua chegada, recebeu os
representantes dos sectores comercial e industrial de Macau,
reconhecendo que o recurso à polícia na questão da construção da escola
tinha sido um erro de gestão e prometendo criar uma comissão de
inquérito composta por figuras oficiais e civis neutras para investigar
o caso a fundo. No entanto, este posicionamento pecou por tardio para
salvar a situação. A Associação Comercial de Macau não respondeu ao seu
convite para indicar representantes civis para a comissão,
inviabilizando o funcionamento previsto da mesma. Em 3 de Dezembro, a
situação deteriorou-se ainda mais, eclodindo os confrontos violentos do
"Incidente 1-2-3". As forças de segurança portuguesas abriram fogo para
dispersar a multidão, causando mortos e feridos no local, tendo as
autoridades decretado o estado de sítio.

嘉樂庇總督親往澳門中華總商會簽署認罪書。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Governor Nobre de Carvalho personally
proceeding to the Macao Chamber of Commerce to sign the admission of
guilt. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
O Governador Nobre de Carvalho desloca-se pessoalmente à Associação
Comercial de Macau para assinar a declaração de assunção de culpa. (Fonte
da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
事件發生後,嘉樂庇的反應開始轉為妥協。12 月 16
日他將陸軍司令兼市政廳廳長施維納、警察廳廳長傅基利撤職,而海島市代理民政局長晏德地 (Rui de Andrade) 、警察副廳長顏端尼則於
13、14 日分別離開澳門返回葡萄牙。12 月 10
日,廣東省人民委員會外事處與澳門華人社團向他提出六項要求,包括立即向澳門同胞當面認罪並簽署認罪書、保證今後不允許國民黨勢力在澳門進行任何活動等。
到了 1967 年 1 月 27
日,澳葡當局發表聲明,向死難者遺屬、受傷者、被捕者和遭受各種損失的受害者,以及全體澳門中國居民認罪、賠禮,並表示深切的歉意,全部接受了澳門華人社團提出的六項要求,承擔死難者的全部喪葬費和撫恤費,以及其他受害者的一切損失,合共澳門幣
2,058,424 元。1967 年 1 月 28 日,澳葡當局簽署答覆書,次日 1 月 29
日,嘉樂庇親自前往澳門中華總商會三樓禮堂,簽署了兩份「認罪書」。
根據他卸任後的回憶,這件事讓他被迫簽署承擔全部責任的聲明書,當時葡萄牙政府對澳門發生的變故竟然一無所知。這次事件後,澳葡當局大權旁落,澳門社會自此被中共勢力控制,國民黨在澳門的機構和團體被查封,在澳勢力被全面肅清。嘉樂庇在
1970 年 9 月獲准續任兩年,同年晉升為將軍,1972 年 7 月又獲准續任兩年。
Following the incident,
Nobre de Carvalho's reaction began to shift toward compromise. On
December 16, he dismissed Military Commander and Municipal Council
President Mota Cerveira and Police Chief Frutuoso, while the Acting
Civil Administrator of the Islands, Rui de Andrade, and Deputy Police
Chief Antoni left Macau to return to Portugal on December 13 and 14,
respectively. On December 10, the Foreign Affairs Office of the
Guangdong Provincial People's Committee and Macau Chinese associations
presented him with six demands, including an immediate face-to-face
admission of guilt to the compatriots of Macau, the signing of an
admission statement, and a guarantee that Kuomintang (KMT) forces would
no longer be permitted to conduct any activities in Macau. On January
27, 1967, the Macanese Portuguese authorities issued a statement
admitting guilt, apologizing, and expressing deep regrets to the
families of the deceased, the injured, the detainees, the victims who
suffered various losses, and all Chinese residents of Macau. They fully
accepted the six demands put forward by the Macau Chinese associations
and agreed to cover all funeral and pension expenses for the deceased,
as well as all losses of other victims, totaling 2,058,424 Macau Patacas
(MOP). On January 28, 1967, the Macanese Portuguese authorities signed
the reply letter, and on the following day, January 29, Nobre de
Carvalho personally proceeded to the third-floor auditorium of the Macao
Chamber of Commerce to sign two copies of the "admission of guilt."
According to his memoirs after stepping down, this event forced him to
sign a statement assuming full responsibility, whereas the Portuguese
government had remained completely oblivious to the transformations in
Macau at the time. Following this incident, the Macanese Portuguese
authorities lost practical power, and Macau society fell under the de
facto control of Chinese Communist Party (CCP) forces from then on. KMT
institutions and organizations in Macau were shut down, and their
influence in the territory was completely eradicated. Nobre de Carvalho
was granted a two-year extension to his term in September 1970, was
promoted to the rank of General in the same year, and was granted
another two-year extension in July 1972.
Após o sucedido, a atitude
de Nobre de Carvalho tendeu para o compromisso. Em 16 de Dezembro,
exonerou o Comandante Militar e Presidente da Câmara Municipal, Mota
Cerveira, e o Comandante da Polícia, Frutuoso, enquanto o Administrador
interino do Município das Ilhas, Rui de Andrade, e o Segundo-Comandante
da Polícia, Antoni, abandonaram Macau com destino a Portugal nos dias 13
e 14 de Dezembro, respectivamente. Em 10 de Dezembro, o Gabinete de
Assuntos Externos do Comité Popular da Província de Guangdong e as
associações chinesas de Macau apresentaram-lhe seis exigências, que
incluíam a assunção imediata e presencial de culpa perante os
compatriotas de Macau, a assinatura de uma declaração de culpa e a
garantia de que as forças do Kuomintang (KMT) não seriam mais
autorizadas a realizar quaisquer actividades em Macau. Em 27 de Janeiro
de 1967, as autoridades portuguesas de Macau emitiram uma declaração na
qual assumiam a culpa, pediam desculpas e expressavam profundos lamentos
aos familiares dos falecidos, aos feridos, aos detidos, às vítimas que
sofreram diversos prejuízos e a todos os residentes chineses de Macau.
Aceitaram integralmente as seis exigências formuladas pelas associações
chinesas de Macau, assumindo todas as despesas fúnebres e de pensão dos
falecidos, bem como os prejuízos das restantes vítimas, num montante
global de 2.058.424 patacas de Macau (MOP). Em 28 de Janeiro de 1967, as
autoridades portuguesas assinaram a carta de resposta e, no dia seguinte,
29 de Janeiro, Nobre de Carvalho dirigiu-se pessoalmente ao salão do
terceiro andar da Associação Comercial de Macau para assinar dois
exemplares da "declaração de assunção de culpa". Conforme recordou nas
suas memórias após a cessação de funções, este caso obrigou-o a assinar
uma declaração assumindo a responsabilidade total, numa altura em que o
Governo de Portugal permanecia completamente ignorante em relação às
transformações em Macau. Após este incidente, as autoridades de Macau
perderam o poder efectivo, e a sociedade de Macau passou a ser
controlada de facto pelas forças do Partido Comunista Chinês (PCC). As
instituições e organizações do KMT em Macau foram encerradas e a sua
influência no território foi totalmente erradicada. Nobre de Carvalho
obteve em Setembro de 1970 uma prorrogação de dois anos do seu mandato,
sendo promovido a General no mesmo ano, e em Julho de 1972 obteve nova
prorrogação por mais dois anos.
獨立調查委員會的挫敗:左派如何將「氹仔事件」推向最壞方向
The Failure of
the Independent Commission of Inquiry: How the Leftists Pushed the "Taipa
Incident" to the Worst Possible Outcome
O Fracasso da
Comissão de Inquérito Independente: Como a Esquerda Empurrou o "Incidente
da Taipa" para o Pior Cenário

葡屬澳門舊法院大樓(南灣舊法院大樓)歷史簡介舊法院大樓位於澳門南灣大馬路,建於1951 年 5 月
21 日,由華籍工程師周滋汎承建,耗費一百多萬澳門幣。大樓前身是磚木結構的政府合署大樓,於1946
年因受白蟻侵蝕嚴重而被完全拆卸,同年開始重建工程。落成初期,大樓曾被用作多個政府部門的辦公場所,包括財政廳、民政廳、經濟廳、公鈔局及法院,因此有「政府合署大廈」之稱。(圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
A Brief History of the Old
Court Building of Portuguese Macau (The Old Court Building in Praia
Grande)
Located on Avenida da Praia Grande, Macau, the Old Court Building was
constructed on May 21, 1951, by Chinese engineer Chou Tsz-fan at a cost
of over one million Macau Patacas. The building's predecessor was a
government office complex with a brick-and-wood structure, which was
completely demolished in 1946 due to severe termite infestation, with
reconstruction beginning the same year. Upon its initial completion, the
building served as the office premises for various government
departments, including the Finance Department, Civil Administration
Department, Economic Department, General Treasury, and the Court,
earning it the name "Government Offices Building." (Image source:
Acta Scientrium Ngensis)
Breve Introdução Histórica
ao Antigo Edifício do Tribunal de Macau Português (Antigo Edifício do
Tribunal na Praia Grande)
Situado na Avenida da Praia Grande, em Macau, o Antigo Edifício do
Tribunal foi construído em 21 de Maio de 1951, sob a direcção do
engenheiro chinês Chou Tsz-fan, tendo custado mais de um milhão de
patacas de Macau. O antecessor do edifício era um complexo de
secretarias governamentais com uma estrutura de tijolo e madeira, que
foi totalmente demolido em 1946 devido a uma grave infestação de
térmitas, tendo as obras de reconstrução começado no mesmo ano. Nos
primeiros tempos após a sua conclusão, o edifício serviu de instalação
para diversos serviços públicos, tais como a Repartição dos Serviços de
Finanças, a Repartição dos Serviços de Administração Civil, a Repartição
dos Serviços Económicos, a Caixa Geral e o Tribunal, razão pela qual
ficou conhecido como o "Edifício das Secretarias Governamentais". (Fonte
da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
1966 年 11 月,澳門新任總督嘉樂庇 (Vasco
Lopes Guimarães)
正式履新,面對「氹仔事件」引發的社會動盪。嘉樂庇在初步接見工商界代表時,承認動用警察屬「處理失當」,並承諾成立獨立調查委員會調查事件。這本應是平息事件的正當途徑,若澳門總督承認不當並進行公正調查,事件理應能夠平息。然而在獨立調查委員會首日進行工作之時,左派示威者已佔據南灣,大法官無法工作,只好駕車掉頭離開。自此,左派勢力將事件推向最壞的方向,最終導致1966
年 12 月 3 日大規模血腥衝突爆發,造成 8 人死亡、212 人受傷。
本文將整理獨立調查委員會的成立與挫敗過程,分析左派如何將本來可以和平解決的轉化為大規模政治鬥爭。
1966 年 11 月 15 日氹仔事件爆發,1966 年 11 月 15
日,海島市市政廳代局長晏德地發現氹仔坊眾學校工人正在搭棚施工,遂派員勸阻。雙方發生對峙並演變成警民衝突,造成數十人受傷、6
人被捕,其中包括《澳門日報》記者。氹仔坊眾學校是由澳門工會聯合總會、炮竹工會、造船工會等左派工會創辦的工人子弟夜校。校方為擴建校舍,自 1966
年 4 月起入稟海島市市政廳申請修建許可,前後會見局長 24 次均無結果,但校方在未獲許可的情況下先行搭棚施工,埋下衝突種子。
1966 年 11 月 18 日:建校委員會提出五項要求 建校委員會正式提出五項要求:
1. 懲處兇手
2. 政府不阻撓辦學
3. 賠償傷者損失
4. 撤銷對被捕者的判決
5. 保證不再發生類似事件
1966 年 11 月 22 日:親北京社團譴責事件
澳門親北京社團舉行座談會,強烈譴責警民衝突事件,並威脅將進行鬥爭。至此,事件已從單純的勞資糾紛轉化為政治對抗。
In November 1966, the
newly appointed Governor of Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de
Carvalho, officially assumed his post, facing the social unrest
triggered by the "Taipa Incident." During his initial meetings with
representatives from the business and industrial sectors, Nobre de
Carvalho acknowledged that deploying the police was a case of
"mishandling" and promised to establish an Independent Commission of
Inquiry to investigate the matter. This should have been the proper
avenue to defuse the situation; had the Governor of Macau acknowledged
the wrongdoing and conducted an impartial investigation, the incident
ought to have been resolved peacefully. However, on the very first day
the Independent Commission of Inquiry was set to begin its work, leftist
demonstrators had already occupied Praia Grande. Unable to carry out his
duties, the Chief Justice had no choice but to turn his car around and
leave. From that point on, leftist forces pushed the incident toward the
worst possible direction, ultimately leading to the outbreak of
large-scale bloody clashes on December 3, 1966, which resulted in 8
deaths and 212 injuries.
This article will outline
the establishment and failure of the Independent Commission of Inquiry,
analyzing how the leftists transformed an issue that could have been
resolved peacefully into a large-scale political struggle.
The outbreak of the Taipa
Incident on November 15, 1966: On November 15, 1966, Rui de Andrade, the
acting administrator of the Municipal Council of the Islands, noticed
workers from the Taipa Fong Chong School erecting bamboo scaffolding for
construction and dispatched personnel to stop them. The confrontation
escalated into a police-civilian clash, resulting in dozens of injuries
and 6 arrests, including a reporter from the Macao Daily News. The Taipa
Fong Chong School was an evening school for workers' children founded by
leftist unions such as the Macao Federation of Trade Unions, the
Firecrackers' Union, and the Shipbuilding Union. To expand the school
premises, the school had filed a petition with the Municipal Council of
the Islands for a construction permit since April 1966, meeting with the
administrator 24 times without any results. However, the school went
ahead with erecting scaffolding and starting construction without
official permission, sowing the seeds of the conflict.
November 18, 1966: The School Construction Committee presented five
demands. The School Construction Committee officially put forward five
demands:
Punish the perpetrators
The government must not obstruct the operation of the school
Compensate the injured for their losses
Overturn the verdicts against the detainees
Guarantee that no similar incidents occur in the future
November 22, 1966: Pro-Beijing associations condemned the incident.
Pro-Beijing associations in Macau held a symposium to strongly condemn
the police-civilian clash, threatening to launch a struggle. By this
point, the incident had transformed from a simple labor-management
dispute into a political confrontation.
Em Novembro de 1966, o recém-nomeado Governador de Macau, José Manuel de
Sousa Faro Nobre de Carvalho, assumiu oficialmente as suas funções,
deparando-se com a agitação social espoletada pelo "Incidente da Taipa".
Durante os primeiros encontros com os representantes dos sectores
comercial e industrial, Nobre de Carvalho reconheceu que o recurso à
polícia tinha sido um "erro de gestão" e prometeu criar uma Comissão de
Inquérito Independente para investigar o caso. Este deveria ter sido o
caminho correcto para acalmar os ânimos; se o Governador de Macau
admitisse a falha e conduzisse uma investigação imparcial, o incidente
deveria ter sido sanado. Contudo, logo no primeiro dia em que a Comissão
de Inquérito Independente deveria dar início aos seus trabalhos, os
manifestantes de esquerda já tinham ocupado a Praia Grande. Impedido de
exercer as suas funções, o Juiz não teve outra alternativa senão dar a
volta ao seu automóvel e retirar-se. A partir desse momento, as forças
de esquerda empurraram o incidente para a pior direcção possível,
culminando na eclosão dos confrontos sangrentos em grande escala no dia
3 de Dezembro de 1966, que resultaram em 8 mortos e 212 feridos.
O presente artigo irá sistematizar o processo de criação e o subsequente
fracasso da Comissão de Inquérito Independente, analisando a forma como
a esquerda transformou uma questão que poderia ter sido resolvida
pacificamente numa luta política de grande envergadura.
A eclosão do Incidente da Taipa em 15 de Novembro de 1966: Em 15 de
Novembro de 1966, Rui de Andrade, administrador interino da Câmara
Municipal das Ilhas, constatou que os operários da Escola Fong Chong da
Taipa realizavam obras com a montagem de andaimes de bambu, tendo
enviado pessoal para interromper os trabalhos. O impasse evoluiu para um
confronto entre a polícia e os residentes, provocando dezenas de feridos
e 6 detidos, entre os quais um jornalista do Diário de Macau. A Escola
Fong Chong da Taipa era uma escola nocturna para filhos de operários,
fundada por sindicatos de esquerda, tais como a Associação Geral dos
Operários de Macau, o Sindicato dos Operários de Fogo-de-Artifício e o
Sindicato dos Estaleiros Navais. Para proceder à expansão das
instalações escolares, a escola tinha submetido um pedido de licença de
construção junto da Câmara Municipal das Ilhas desde Abril de 1966,
tendo os seus responsáveis reunido com o administrador por 24 vezes sem
qualquer resultado. Todavia, a escola avançou com a montagem de andaimes
e o início das obras sem a devida autorização, lançando as sementes do
conflito.
18 de Novembro de 1966: A Comissão de Construção da Escola apresentou
cinco exigências. A Comissão de Construção da Escola formulou
formalmente cinco exigências:
Punição dos culpados
Que o governo não ponha obstáculos ao funcionamento da escola
Indemnização dos feridos pelos danos sofridos
Revogação das sentenças contra as pessoas detidas
Garantia de que não se repetirão incidentes semelhantes no futuro
22 de Novembro de 1966: As associações pró-Pequim condenaram o incidente.
As associações pró-Pequim em Macau organizaram um simpósio para condenar
veementemente o confronto entre a polícia e os residentes, ameaçando
avançar para uma acção de luta. Neste ponto, o incidente já se tinha
transformado de uma simples disputa laboral numa confrontação política.
Em 25 de Novembro de 1966, o recém-nomeado Governador de Macau, José
Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, chegou oficialmente a Macau para
tomar posse. Sendo a figura-chave na gestão dos acontecimentos
subsequentes, Nobre de Carvalho enfrentou uma enorme pressão política.
Em 29 de Novembro de 1966, o Governador reconheceu o erro de gestão e
prometeu instituir uma comissão de inquérito. Nobre de Carvalho reuniu-se
com representantes dos sectores comercial e industrial, admitindo que o
recurso à polícia tinha sido um "erro de gestão" e comprometendo-se a
criar uma Comissão de Inquérito Independente para investigar o caso.
Este era o canal legítimo para resolver o diferendo; se o Governador de
Macau reconhecesse o erro e fizesse uma investigação justa, a crise
deveria ter sido debelada.
O Governador Nobre de Carvalho mandou publicar em Boletim Oficial a
criação da Comissão de Inquérito Independente

成立獨立調查委員會並委任大法官賈樂安 (João Carlos de Carvalho,
1932-2026) 擔任委員會主席。要求獨立調查委員會,公正調查「氹仔事件」。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
An Independent Commission
of Inquiry was established, and Chief Justice João Carlos de Carvalho
(1932–2026) was appointed as its chairman, tasked with conducting an
impartial investigation into the "Taipa Incident." (Image source:
Acta Scientrium Ngensis)
Foi criada a Comissão de
Inquérito Independente, tendo o Juiz João Carlos de Carvalho (1932–2026)
sido nomeado presidente da mesma, com a missão de conduzir uma
investigação imparcial sobre o "Incidente da Taipa". (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)
1966 年 11 月 25
日澳門新任總督嘉樂庇正式抵達澳門履新。作為處理後續事件的关键人物,嘉樂庇面臨極大的政治壓力。1966 年 11 月 29
日,總督承認處理失當並承諾成立調查委員會,嘉樂庇接見工商界代表,承認動用警察屬「處理失當」,並承諾成立獨立調查委員會調查事件。這是平息事件的正當途徑若澳門總督承認不當並進行公正調查,事件理應能夠息。
嘉樂庇刊登憲報成立獨立調查委員會
1966 年 11 月底嘉樂庇總督正式刊登憲報,成立獨立調查委員會,並委任大法官賈樂安(João Carlos de Carvalho .
1932-2026)擔任委員會主席。獨立調查委員會的成立本應是公正調查「氹仔事件」的開始。
委員會的職責包括:
• 調查 1966 年 11 月 15 日警民衝突的真相
• 釐清警員是否濫用權力
• 提出改進建議期望事件
在總督承認處理失當並成立獨立調查委員會後,社會各界普遍期望事件能夠平息。工商界代表、中華總商會等中立團體均認為,這是解決問題的正當途徑。
然而,左派勢力並未接受這一解決方案,反而將事件推向更壞的方向。1966 年 12 月 3 日左派佔據南灣,大法官無法工作
,獨立調查委員會原定首日進行工作,當大法官賈樂安駕車前往南灣調查委員會辦公室時,整個南灣已被左派示威者佔據。左派示威者人數眾多,堵塞道路,佔據建築物,大法官無法正常工作,只好駕車掉頭離開。獨立調查委員會首日即遭挫敗,公正調查進程被左派勢力癱瘓。左派勢力並未將獨立調查委員會視為解決問題的正當途徑,反而將事件視為政治鬥爭的機會。
On November 25, 1966, the
newly appointed Governor of Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de
Carvalho, officially arrived in Macau to assume his post. As the pivotal
figure responsible for handling the subsequent events, Nobre de Carvalho
faced immense political pressure. On November 29, 1966, the Governor
acknowledged the mishandling and promised to establish an investigative
commission. Nobre de Carvalho met with representatives from the business
and industrial sectors, admitting that deploying the police was a case
of "mishandling" and pledging to set up an Independent Commission of
Inquiry to probe the incident. This was the proper avenue to settle the
dispute; if the Governor of Macau admitted the error and conducted an
impartial investigation, the crisis should have been abated.
Governor Nobre de Carvalho
published the official gazette to establish the Independent Commission
of Inquiry
At the end of November 1966, Governor Nobre de Carvalho officially
published the government gazette to establish the Independent Commission
of Inquiry, appointing Chief Justice João Carlos de Carvalho (1932–2026)
as the chairman of the commission. The establishment of the Independent
Commission of Inquiry was originally intended to mark the beginning of
an impartial investigation into the "Taipa Incident."
The responsibilities of the
commission included:
• Investigating the truth behind the police-civilian clash on November
15, 1966
• Clarifying whether police officers had abused their power
• Putting forward recommendations for improvement with the expectation
of resolving the incident
Following the Governor's
admission of mishandling and the establishment of the Independent
Commission of Inquiry, all walks of life generally expected the incident
to settle down. Neutral groups, such as business representatives and the
Macao Chamber of Commerce, believed this was the proper way to resolve
the problem. However, leftist forces did not accept this solution;
instead, they pushed the incident in a worse direction. On December 3,
1966, the leftists occupied Praia Grande, rendering the Chief Justice
unable to work. The Independent Commission of Inquiry was scheduled to
commence work on its first day. When Chief Justice João Carlos de
Carvalho drove toward the commission's office in Praia Grande, the
entire area had already been occupied by leftist demonstrators. The
leftist demonstrators were vast in number, blocking roads and occupying
buildings. Unable to function normally, the Chief Justice had no choice
but to turn his car around and depart. The Independent Commission of
Inquiry was frustrated on its very first day, and the process of a fair
investigation was paralyzed by leftist forces. Leftist forces did not
view the Independent Commission of Inquiry as a legitimate path to
resolve the problem, but rather saw the incident as an opportunity for
political struggle.
No final de Novembro de
1966, o Governador Nobre de Carvalho mandou publicar oficialmente em
Boletim Oficial a constituição da Comissão de Inquérito Independente,
nomeando o Juiz João Carlos de Carvalho (1932–2026) para assumir a
presidência da mesma. A instituição desta comissão deveria ter
assinalado o início de um apuramento imparcial dos factos do "Incidente
da Taipa".
As competências da comissão incluíam:
• Investigar a verdade subjacente ao confronto entre a polícia e os
residentes de 15 de Novembro de 1966
• Esclarecer se houve abuso de poder por parte das forças policiais
• Apresentar recomendações de melhoria com vista à resolução do
incidente
Após o reconhecimento do erro de gestão por parte do Governador e a
criação da Comissão de Inquérito Independente, os diversos sectores da
sociedade esperavam de uma forma geral que a situação estabilizasse. Os
grupos neutros, tais como os representantes do comércio e a Associação
Comercial de Macau, consideravam que esta era a via correcta para
solucionar o problema. No entanto, as forças de esquerda não acolheram
esta solução, optando por empurrar o incidente numa direcção ainda pior.
Em 3 de Dezembro de 1966, a esquerda ocupou a Praia Grande,
impossibilitando o Juiz de trabalhar. A Comissão de Inquérito
Independente tinha o início dos seus trabalhos agendado para esse dia.
Quando o Juiz João Carlos de Carvalho se deslocava de automóvel em
direcção às instalações da comissão na Praia Grande, toda a zona já se
encontrava tomada por manifestantes de esquerda. Os manifestantes eram
em grande número, bloqueando as vias rodoviárias e ocupando edifícios.
Sem condições para trabalhar normalmente, o Juiz não teve outro remédio
senão inverter a marcha do seu veículo e abandonar o local. A Comissão
de Inquérito Independente viu-se frustrada logo no primeiro dia, ficando
o processo de investigação justa paralisado pelas forças de esquerda.
Estas forças não encararam a Comissão de Inquérito Independente como uma
via legítima para resolver o problema, mas sim como uma oportunidade de
luta política.

1966 年 12 月 3
日中午,抗議的人群已經聚集在南灣法院大樓前,防暴警察釋放催淚彈驅散人群。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
At noon on December 3,
1966, protesting crowds had already gathered in front of the Praia
Grande Court Building as riot police deployed tear gas to disperse them.
(Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Ao meio-dia de 3 de
Dezembro de 1966, a multidão de manifestantes já se encontrava
concentrada em frente ao Edifício do Tribunal na Praia Grande, tendo a
polícia anti-motim lançado gases lacrimogéneos para dispersar a multidão.
(Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)

1966 年 12 月 3
日抗議的人群已經聚集及佔據南灣,法院大樓前已站滿人群,大法官賈樂安的車輛亦無法通過。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
On December 3, 1966, the
protesting crowds had already gathered and occupied Praia Grande. The
front of the Court Building was packed with people, and Chief Justice
João Carlos de Carvalho's vehicle was unable to pass through. (Image
source: Acta Scientrium Ngensis)
Em 3 de Dezembro de 1966, a multidão de manifestantes já se tinha
concentrado e ocupado a Praia Grande. A zona em frente ao Edifício do
Tribunal estava repleta de pessoas, impossibilitando a passagem do
veículo do Juiz João Carlos de Carvalho. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)

原負責港澳事務的廖承志曾在1966年 8
月指示,不要在澳門、香港發動文化大革命,1967年10月之後廖承志卻被紅衞兵奪權、批鬥。港澳兩地已完全掌控在極端左派手上。左圖:廖承志1976年的親筆簽名及印章。(圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
Liao Chengzhi, who
was originally in charge of Hong Kong and Macau affairs, instructed in
August 1966 that the Cultural Revolution should not be launched in Hong
Kong and Macau. However, after October 1967, Liao Chengzhi was stripped
of power and subjected to struggle sessions by the Red Guards. Both Hong
Kong and Macau fell completely under the control of the extreme left.
Left image: Liao Chengzhi's handwritten signature and seal from 1976.
(Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Liao Chengzhi, originalmente responsável pelos assuntos de Hong Kong e
Macau, havia instruído em Agosto de 1966 que a Revolução Cultural não
deveria ser lançada em Hong Kong e Macau. Contudo, após Outubro de 1967,
Liao Chengzhi foi afastado do poder e alvo de sessões de denúncia pelos
Guardas Vermelhos. Ambas as regiões de Hong Kong e Macau ficaram
completamente sob o controlo da esquerda extremista. À esquerda:
assinatura autógrafa e carimbo de Liao Chengzhi em 1976. (Fonte da
imagem: Acta Scientrium Ngensis)
早在1966 年 11 月 30
日,濠江學校師生在澳督府外集會抗議,隨後數日抗議民眾越來越多,有人手持紅寶書、朗誦毛語錄,抗議活動逐漸升級,從單純的建校糾紛轉化為政治對抗
左派勢力與港澳工委、新華社的聯繫左派勢力並非孤立行動,而是獲得中國內地支持,由前新華社香港分社(中共港澳工作委員會)領導人梁威林、祁烽發動的澳門抗爭運動。加上廖承志未幾被紅衞兵奪權、批鬥,左派分子接受新的指示,決定以更激烈的方式與港澳工委、新華社有明確聯繫這使得事件轉化為具有政治目的事件。
1966 年 12 月 3 日大規模衝突爆發,12 月 3 日中午 12
時總督府門前發生大規模衝突。左派人士闖入澳督府,高唱紅歌、朗讀毛語錄、推翻警車。下午 3:00
後擊市政廳與公證署,群眾摧毀美士基打紀念銅像並將其掉入內港,破壞歐維士石像,衝擊市政廳和公證署。下午
4:30防暴警員開槍射擊,群眾沿龍嵩街前往警廳,防暴警員施放催淚彈並開槍射擊,傍晚 6:00總督頒令戒嚴並實行宵禁,傍晚 6
時禁其後數天又有數人被亂槍射殺。 由12月3日至4日官方統計8 人死亡、212 人受傷 、40 至 62 人被捕。坊間說法則有 11 人死亡。
As early as November
30, 1966, teachers and students from Hou Kong School gathered outside
the Governor's Palace to protest. In the following days, the number of
protestors grew larger, with some holding the "Little Red Book" and
reciting quotations from Chairman Mao. The protest gradually escalated,
transforming from a simple dispute over school construction into a
political confrontation. The connections between the leftist forces, the
Hong Kong and Macau Work Committee, and the Xinhua News Agency showed
that the leftist forces did not act in isolation. Instead, they received
backing from mainland China, with the Macau protest movement being
instigated by Liang Weilin and Qi Feng, leaders of the former Xinhua
News Agency Hong Kong Branch (the CCP Hong Kong and Macau Work
Committee). Furthermore, shortly after Liao Chengzhi was stripped of
power and struggled against by the Red Guards, leftist elements received
new directives and decided to carry out actions in a more aggressive
manner. Having clear links with the Hong Kong and Macau Work Committee
and the Xinhua News Agency, they caused the incident to transform into
an event with clear political motives.
On December 3, 1966, a large-scale conflict broke out. At 12:00 noon on
December 3, a massive clash erupted in front of the Governor's Palace.
Leftists forced their way into the Governor's Palace, singing
revolutionary songs, reading Mao quotations, and overturning police
cars. After 3:00 p.m., they attacked the Municipal Council and the
Notary Office. The crowd destroyed the commemorative bronze statue of
Vicente Nicolau de Mesquita and threw it into the Inner Harbor, defaced
the stone statue of Jorge Álvares, and stormed the Municipal Council and
the Notary Office. At 4:30 p.m., riot police opened fire. The crowd
marched along Rua de Central toward the Police Headquarters, where riot
police fired tear gas and live ammunition. At 6:00 p.m., the Governor
issued a martial law order and imposed a curfew. In the following days,
several more people were shot and killed by indiscriminate gunfire.
Official statistics from December 3 to 4 recorded 8 deaths, 212
injuries, and between 40 and 62 arrests. Unofficial local accounts,
however, claimed that 11 people were killed.
Logo em 30 de Novembro de
1966, professores e alunos da Escola Hou Kong concentraram-se em frente
ao Palácio do Governador em sinal de protesto. Nos dias seguintes, o
número de manifestantes aumentou progressivamente, com indivíduos a
empunhar o "Livro Vermelho" e a recitar as citações de Mao, fazendo com
que as acções de protesto escalassem gradualmente, transformando-se de
uma mera disputa sobre a construção de uma escola numa confrontação
política. As ligações entre as forças de esquerda, o Comité de Trabalho
de Hong Kong e Macau e a Agência de Notícias Xinhua demonstraram que as
forças de esquerda não agiram de forma isolada. Pelo contrário, contaram
com o apoio do interior da China, tendo o movimento de contestação em
Macau sido desencadeado por Liang Weilin e Qi Feng, líderes da antiga
Filial de Hong Kong da Agência de Notícias Xinhua (o Comité de Trabalho
de Hong Kong e Macau do PCC). Além disso, pouco tempo após Liao Chengzhi
ter sido afastado do poder e fustigado pelos Guardas Vermelhos, os
elementos de esquerda receberam novas directrizes, decidindo adoptar
formas mais violentas. Mantendo ligações claras com o Comité de Trabalho
de Hong Kong e Macau e com a Agência de Notícias Xinhua, fizeram com que
o caso se convertesse num acontecimento com objectivos políticos
definidos.
Em 3 de Dezembro de 1966, eclodiram confrontos em grande escala. Ao
meio-dia de 3 de Dezembro, registou-se um violento confronto em frente
ao Palácio do Governador. Elementos de esquerda invadiram o Palácio do
Governador, entoando cânticos revolucionários, lendo citações de Mao e
capotando viaturas policiais. Após as 15h00, atacaram o Leal Senado (Câmara
Municipal) e a Repartição do Notariado. A multidão destruiu a estátua de
bronze em memória de Vicente Nicolau de Mesquita, lançando-a no Porto
Interior, vandalizou a estátua de pedra de Jorge Álvares, e invadiu o
Leal Senado e a Repartição do Notariado. Às 16h30, a polícia anti-motim
abriu fogo. A multidão marchou ao longo da Rua de São Lourenço (Rua
Central) em direcção ao Quartel-General da Polícia, onde a polícia anti-motim
lançou gases lacrimogéneos e disparou tiros de arma de fogo. Às 18h00, o
Governador decretou o estado de sítio e o recolher obrigatório. Nos dias
subsequentes, mais algumas pessoas foram mortas por tiros
indiscriminados. As estatísticas oficiais de 3 a 4 de Dezembro
registaram 8 mortos, 212 feridos e entre 40 a 62 detidos. Contudo, os
relatos populares locais apontavam para a existência de 11 mortos.
廖承志大權旁落及極端左派勢力政治目的
左派勢力並非單純追求勞資糾紛的解決,而是有明確的政治目的於在肅清國民黨勢力,於1967 年 1 月 2
日,澳葡政府公告禁止與中華人民共和國敵對活動,查封所有國民黨機構,禁止懸掛青天白日旗,國民黨勢力在澳門被完全肅清。一二·三事件後,共產黨勢力事實控制澳門,左派在各階層紮根至今,影響延續至現代。香港左派來澳門吸收「澳門經驗」,直接導致
1967 年香港六七暴動爆發。文化大革命的震波由此從中國大陸擴展至港澳地區。由1966 年5 月 16
日,毛澤東發動文化大革命。負責港澳事務的廖承志曾在 8 月指示,不要在港澳發動文化大革命。然而,受同年 12 月 3
日澳門一二・三事件刺激,極端左派在澳門奪權成功大圍鼓舞,理智派系漸漸失去空間,1967年10月後廖承志被紅衞兵奪權、批鬥,左派分子接受新的指示,決定以更激烈的方式在香港展開反殖鬥爭。左派勢力將澳門事件視為文化大革命在港澳地區的延伸,這使得事件從單純的警民衝突紛轉化為具有政治目的的鬥爭,往往會導致無法控制的代價。
Liao
Chengzhi's Loss of Power and the Political Objectives of the Extreme
Leftist Forces
The leftist forces were not merely seeking a resolution to a labor
dispute; rather, they had clear political objectives aimed at
eradicating Kuomintang (KMT) influence. On January 2, 1967, the Macanese
Portuguese government issued an official proclamation banning all
activities hostile to the People's Republic of China, shutting down all
KMT institutions, and prohibiting the display of the Blue Sky, White Sun
flag. Consequently, KMT influence in Macau was completely eradicated.
Following the "12-3 Incident," Communist forces took de facto control of
Macau, and the leftists took root across all strata of society, an
influence that extends into the modern era. Leftists from Hong Kong came
to Macau to absorb this "Macau experience," which directly led to the
outbreak of the 1967 Leftist Riots in Hong Kong. The shockwaves of the
Cultural Revolution thus rippled from mainland China into the Hong Kong
and Macau regions. On May 16, 1966, Mao Zedong launched the Cultural
Revolution. Liao Chengzhi, who was responsible for Hong Kong and Macau
affairs, had instructed in August that the Cultural Revolution should
not be carried out in Hong Kong and Macau. However, stimulated by the
success of the extreme left in seizing power during the December 3 "12-3
Incident" in Macau, the rational factions gradually lost their political
footing. After October 1967, Liao Chengzhi was stripped of power and
subjected to struggle sessions by the Red Guards, and leftist elements
accepted new instructions, deciding to launch anti-colonial struggles in
Hong Kong through even more violent means. The leftist forces viewed the
Macau incident as an extension of the Cultural Revolution in the Hong
Kong and Macau regions, which transformed the event from a simple
police-civilian clash into a struggle with explicit political goals, a
shift that often incurs uncontrollable costs.
O Afastamento de Liao Chengzhi e os Objectivos Políticos
das Forças de Esquerda Extremistas
As forças de esquerda não procuravam a mera resolução de um conflito
laboral, mas sim objectivos políticos claros, focados na erradicação da
influência do Kuomintang (KMT). Em 2 de Janeiro de 1967, o Governo de
Macau publicou um bando oficial proibindo todas as actividades hostis à
República Popular da China, encerrando todas as instituições do KMT e
proibindo a exibição da bandeira do "Céu Azul e Sol Branco".
Consequentemente, a influência do KMT em Macau foi totalmente erradicada.
Após o "Incidente 1-2-3", as forças comunistas assumiram o controlo de
facto de Macau, e a esquerda enraizou-se em todos os estratos da
sociedade, uma influência que se estende até à actualidade. Elementos de
esquerda de Hong Kong deslocaram-se a Macau para absorver esta "experiência
de Macau", o que ditou directamente a eclosão dos Distúrbios de 1967 (Revolta
de 67) em Hong Kong. As ondas de choque da Revolução Cultural expandiram-se,
assim, do interior da China para as regiões de Hong Kong e Macau. Em 16
de Maio de 1966, Mao Zedong lançou a Revolução Cultural. Liao Chengzhi,
responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau, havia instruído em
Agosto que a Revolução Cultural não deveria ser realizada nestas duas
regiões. Contudo, estimulados pelo sucesso da esquerda extremista na
tomada de poder durante o "Incidente 1-2-3" de Dezembro em Macau, as
facções moderadas e racionais perderam gradualmente o seu espaço
político. Após Outubro de 1967, Liao Chengzhi foi afastado do poder e
alvo de sessões de denúncia pelos Guardas Vermelhos, e as células de
esquerda aceitaram novas instruções, determinando-se a iniciar as lutas
anti-coloniais em Hong Kong através de meios ainda mais violentos. As
forças de esquerda encararam o caso de Macau como uma extensão da
Revolução Cultural nas regiões de Hong Kong e Macau, o que transformou o
acontecimento de um simples confronto entre a polícia e os residentes
numa luta com fins políticos explícitos, uma mutação que costuma
acarretar custos incontroláveis.
從氹仔事件到一二·三事件~一段被血染紅的歷史
From the Taipa
Incident to the 12-3 Incident: A History Stained with Blood
Do Incidente da
Taipa ao Incidente 12-3: Uma História Manchada de Sangue

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:愛國同胞懷着對帝國主義的無比仇恨,爬上四百多年前來中國進行侵畧活動的佐治 •歐維士的石像,砸斷它的右臂。
(圖片來源: 延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Driven
by immense hatred for imperialism, patriotic compatriots climbed onto
the stone statue of Jorge Álvares—who came to China for aggressive
activities over four hundred years ago—and smashed off its right arm.
(Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra
as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Movidos
por um ódio imenso ao imperialismo, os compatriotas patrióticos subiram
à estátua de pedra de Jorge Álvares — que veio à China para atividades
de agressão há mais de quatrocentos anos — e partiram o seu braço
direito. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:水車也是紙老虎,愛國師生鬥志昂揚,迎着水槍搏鬥。(圖片來源:
延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Water
cannons are paper tigers as well; patriotic teachers and students, high
in morale, fought bravely against the water jets. (Image source:
Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra
as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Os
autotanques de água também são tigres de papel; professores e estudantes
patrióticos, com o moral elevado, lutaram bravamente contra os jactos de
água. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
1966年,澳門離島氹仔的基層工人因貧窮無法讓子女上學,於是發起籌建坊眾學校希望讓當地學童有學位可讀。同年4月,校方租下施督憲正街4、6、8號的屋宇擬進行擴建,6月入禀行政局申請,但經過24次交涉和申請始終未獲批准。在無耐性等待動工許可的同時,校方依照慣例先行搭棚施工。11月15日,海島市行政局代局長晏德地
(Ruide Andrade)
在上班途中發現學校門前搭起的棚架,大吃一驚,立即派員查詢並勸阻。工人不聽勸告,雙方語氣逐漸兇狠,當局面派出警員前往阻止,雙方對峙,最終演變成一場警民衝突。
葡澳警察動武毆打群眾,造成24人受傷,其中一名菜農工會成員及一名爆竹工會成員被打傷頭顱,後來因後遺症去世;另有6人被捕,包括在場採訪的《澳門日報》記者被警方扣留兩小時。
當日下午1時,澳門中華總商會立刻派人與海島市行政局聯絡,建校代表亦派出人員前往交涉,但其中4人尚未會面局長就被拘捕一晚,後在商會副會長崔德祺的協助下才被保釋。氹仔居民對此極度不滿,全澳舉行罷工罷市,不少左派團體到澳督府遞交抗議信,社會矛盾逐漸升級。11月18日,氹仔居民學校籌建委員會向澳葡政府提出五項要求,澳葡當局必須嚴懲製造這次流血事件的肇事人
2. 澳葡氹仔當局不應阻撓我們修理校舍辦學,侵犯居民正常權益 3. 澳葡氹仔當局和澳葡警方必須負責賠償受傷者的一切醫藥費和因此事件引起的一切損失
4. 對澳葡司法員警無理拘捕我代表判刑一事表示抗議,應撤銷無理判決 5.
澳葡當局必須保證今後不再有毆打居民的類似事件發生事件發生後,被譽為澳門華人社群領袖的何賢曾拜會護理總督施維納 (CarlosArmando da
Mota Cerveira) ,請求他謹慎處理事件。然而,施維納以強硬態度回絕對方勸導,拒絕妥協。
11月22日,親北京社團代表舉行座談會譴責事件,並威脅要進行「鬥爭」。11月25日,新任總督嘉樂庇抵澳履新,11月29日下午接見工商界代表時,承認在建校一事上動用警察屬於處理失當,並承諾成立一個由官方和民間中立人士組成的調查委員會徹查事件。
然而澳門中華總商會並未應總督邀請派出民間代表參與調查委員會,調查委員會結果無法如預期運作。親北京社團代表的抗議行動繼續升級,每天都有人群聚集在澳門總督府外抗議。學聯、工聯等團體的要求與六項協議內容
隨著抗議持續升級,12月3日前,澳門親北京社團包括澳門中華學生聯合總會 (學聯) 、澳門工會聯合總會 (工聯) 、澳門婦女聯合總會 (婦聯)
和澳門街坊會聯合總會 (街總) 等團體,向澳葡政府提出更嚴厲的要求。
In 1966, grassroots workers
in Taipa, an outlying island of Macau, were unable to send their
children to school due to poverty. They initiated the establishment of
the Taipa Fong Chong School, hoping to provide local schoolchildren with
places to study. In April of the same year, the school leased properties
at Nos. 4, 6, and 8 of Rua do Regedor for expansion. They submitted an
application to the Administrative Council in June, but after 24 rounds
of negotiations and submissions, it was never approved. Lacking the
patience to wait indefinitely for the construction permit, the school
followed past practice and began erecting scaffolding for construction.
On November 15, Ruide Andrade, the acting administrator of the
Municipality of the Islands, noticed the scaffolding erected in front of
the school on his way to work. Deeply shocked, he immediately dispatched
staff to investigate and halt the work. The workers ignored the
warnings, and the tone on both sides grew aggressive. The authorities
then dispatched police officers to stop them, leading to a standoff that
ultimately escalated into a violent clash between the police and the
public.
The Portuguese-Macau police resorted to force, beating the crowd and
injuring 24 people. Among them, a member of the Vegetable Farmers' Union
and a member of the Firecracker Workers' Union suffered severe head
trauma and later passed away due to complications. In addition, six
people were arrested, including a reporter from the Macao Daily News who
was interviewing people at the scene and was detained by the police for
two hours. At 1:00 PM that afternoon, the Macao Chamber of Commerce
immediately sent representatives to contact the Municipality of the
Islands. Representatives for the school construction also went to
negotiate, but four of them were arrested and held overnight before even
meeting the administrator. They were later released on bail with the
assistance of Chui Tak-kei, the vice president of the Chamber of
Commerce.
Residents of Taipa were extremely angered by this, prompting a city-wide
strike and market shutdown across Macau. Many left-wing groups marched
to the Governor's Palace to deliver protest letters, causing social
tensions to escalate rapidly. On November 18, the Committee for the
Construction of the Taipa Residents' School submitted five demands to
the Portuguese-Macau government:
The Portuguese-Macau authorities must severely punish the perpetrators
responsible for creating this bloody incident.
The Portuguese-Macau Taipa authorities must not obstruct our building
repairs for schooling, which violates the normal rights of residents.
The Portuguese-Macau Taipa authorities and the Portuguese-Macau police
must be responsible for compensating all medical expenses of the injured
and all losses caused by this incident.
We protest against the unjust arrest and sentencing of our
representatives by the Portuguese-Macau judicial police, and the
groundless verdicts must be overturned.
The Portuguese-Macau authorities must guarantee that similar incidents
of beating residents will never happen again.
Following the incident, Ho Yin, revered as the leader of the Chinese
community in Macau, visited Acting Governor Carlos Armando da Mota
Cerveira, urging him to handle the situation with caution. However, Mota
Cerveira flatly rejected the advice with a hardline stance and refused
to compromise. On November 22, representatives of pro-Beijing community
groups held a seminar condemning the incident and threatened to launch a
"struggle." On November 25, the newly appointed Governor Nobre de
Carvalho arrived in Macau to assume office. When receiving
representatives from the industrial and commercial sectors on the
afternoon of November 29, he admitted that deploying police in the
school construction dispute was a mishandling of the situation. He
promised to establish an investigation committee composed of official
and neutral civilian figures to thoroughly investigate the incident.
However, the Macao Chamber of Commerce did not accept the Governor's
invitation to send civilian representatives to the investigation
committee, rendering the committee unable to function as expected. The
protests by pro-Beijing community groups continued to escalate, with
crowds gathering outside the Macau Governor's Palace every day. Demands
and content of the six-point agreement from groups like the Students'
Union and the Federation of Trade Unions: As protests continued to
intensify, prior to December 3, pro-Beijing groups in Macau—including
the Macao Chinese Students' United Association (Students' Union), the
Macao Federation of Trade Unions (Trade Unions), the Macao Women's
General Association (Women's Association), and the General Union of
Neighbors' Associations of Macao (Neighbors' Union)—submitted even
harsher demands to the Portuguese-Macau government.
Em 1966, os trabalhadores
de base da Taipa, uma ilha periférica de Macau, não podiam enviar os
seus filhos à escola devido à pobreza. Por isso, iniciaram a angariação
de fundos para a construção da Escola Fong Chong da Taipa, esperando dar
às crianças locais a oportunidade de estudar. Em Abril do mesmo ano, a
escola arrendou os prédios n.os 4, 6 e 8 da Rua do Regedor para fins de
ampliação. Em Junho, submeteram o pedido ao Conselho Executivo, mas após
24 rondas de negociações e pedidos, este nunca foi aprovado. Sem
paciência para esperar indefinidamente pela licença de construção, a
escola seguiu a prática habitual e começou a montar andaimes para a obra.
A 15 de Novembro, Ruide Andrade, administrador interino do Município das
Ilhas, avistou os andaimes montados em frente à escola a caminho do
trabalho. Profundamente surpreendido, enviou imediatamente funcionários
para averiguar e impedir a obra. Os trabalhadores ignoraram os avisos e
o tom de ambos os lados tornou-se agressivo. As autoridades enviaram
então agentes policiais para os travar, resultando num impasse que
acabou por escalar para um confronto violento entre a polícia e a
população.
A polícia luso-maometana recorreu à força, espancando a multidão e
ferindo 24 pessoas. Entre elas, um membro da Associação dos Agricultores
de Hortaliças e um membro da Associação dos Trabalhadores de Panchões
sofreram graves traumatismos cranianos, vindo a falecer mais tarde
devido às sequelas. Além disso, seis pessoas foram detidas, incluindo um
jornalista do Diário de Macau que se encontrava no local a fazer a
reportagem e que ficou retido pela polícia durante duas horas. Às 13h00
desse mesmo dia, a Associação Comercial de Macau enviou imediatamente
representantes para contactar o Município das Ilhas. Os representantes
da construção da escola também se deslocaram para negociar, mas quatro
deles foram detidos e passaram a noite na prisão antes mesmo de reunirem
com o administrador. Foram libertados mais tarde sob fiança, com o apoio
de Chui Tak-kei, vice-presidente da Associação Comercial.
Os residentes da Taipa ficaram extremamente indignados com o sucedido, o
que desencadeou uma greve geral e o encerramento do comércio em todo o
território de Macau. Vários grupos de esquerda marcharam até ao Palácio
do Governador para entregar cartas de protesto, fazendo com que as
tensões sociais escalassem rapidamente. A 18 de Novembro, a Comissão de
Construção da Escola dos Residentes da Taipa apresentou cinco exigências
ao Governo de Macau:
As autoridades de Macau devem punir severamente os culpados que causaram
este incidente sangrento.
As autoridades da Taipa não devem obstruir as obras de reparação da
nossa escola, o que viola os direitos normais dos residentes.
As autoridades da Taipa e a polícia de Macau devem ser responsáveis pelo
pagamento de todas as despesas médicas dos feridos e de todos os
prejuízos resultantes deste incidente.
Protestamos contra a detenção e condenação injustas dos nossos
representantes pela polícia judiciária de Macau, devendo as sentenças
infundadas ser revogadas.
As autoridades de Macau devem garantir que incidentes semelhantes de
espancamento de residentes nunca mais voltarão a acontecer.
Após o incidente, Ho Yin, reverenciado como o líder da comunidade
chinesa de Macau, visitou o Governador interino Carlos Armando da Mota
Cerveira, apelando a que tratasse o caso com prudência. No entanto, Mota
Cerveira rejeitou firmemente o conselho com uma postura intransigente e
recusou ceder. A 22 de Novembro, representantes de associações
pró-Pequim realizaram um simpósio para condenar o incidente e ameaçaram
iniciar uma "luta". A 25 de Novembro, o novo Governador Nobre de
Carvalho chegou a Macau para assumir o cargo. Ao receber os
representantes dos sectores industrial e comercial na tarde de 29 de
Novembro, admitiu que o uso da força policial no caso da construção da
escola tinha sido um erro de gestão. Prometeu criar uma comissão de
inquérito composta por figuras oficiais e civis neutras para investigar
o incidente a fundo.
Contudo, a Associação Comercial de Macau não aceitou o convite do
Governador para enviar representantes civis para a comissão de inquérito,
pelo que esta não funcionou como previsto. Os protestos das associações
pró-Pequim continuaram a intensificar-se, com multidões a concentrarem-se
todos os dias em frente ao Palácio do Governador de Macau. Exigências e
conteúdo do acordo de seis pontos de grupos como a Associação de
Estudantes e a Federação de Sindicatos: Com a continuação da escalada
dos protestos, antes de 3 de Dezembro, as associações pró-Pequim de
Macau — incluindo a Associação Geral de Estudantes Chineses de Macau (Estudantes),
a Federação das Associações dos Operários de Macau (Sindicatos), a
Associação Geral das Mulheres de Macau (Mulheres) e a União Geral das
Associações dos Moradores de Macau (Moradores) — apresentaram exigências
ainda mais severas ao Governo de Macau.


《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:愛國師生在兇殘的葡警面前毫無懼色,高舉「毛主席語錄」,振臂高呼:「反對澳葡迫害中國同胞!」。 (圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
Original text from
"Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau":
Showing no fear before the brutal Portuguese police, patriotic teachers
and students held high "Quotations from Chairman Mao" and raised their
arms, chanting: "Oppose the Portuguese-Macau persecution of Chinese
compatriots!" (Image source: Acta Scientrium Ngensis )
Texto original de
"Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau":
Sem demonstrarem qualquer medo perante a brutal polícia portuguesa,
professores e estudantes patrióticos ergueram as "Citações do Presidente
Mao" e levantaram os braços, gritando: "Contra a perseguição dos
compatriotas chineses pelas autoridades de Macau!". (Fonte da imagem:
Arquivos do Acta Scientrium Ngensis)


《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:愛國師生手扣着手,築成銅牆鐵壁。他們不怕危險,堅决頂住水車。(圖片來源: 延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Linking
arms, patriotic teachers and students formed a wall of bronze and iron.
Unafraid of danger, they resolutely stood their ground against the water
cannons. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": De braços dados, professores e estudantes
patrióticos formaram uma muralha de bronze e ferro. Destemidos perante o
perigo, resistiram firmemente contra os autotanques de água. (Fonte da
imagem: Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:
愛國同胞的反帝怒火,燒向長期壓迫和剝創中國同胞的澳葡機關「市政廳」,把�堶採a掛着的侵畧者—歷屆「總督」像全部除下擲到街上
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": The
patriotic compatriots' anti-imperialist fury turned toward the "Leal
Senado" (Municipal Council), a Portuguese-Macau organ that had long
oppressed and exploited Chinese compatriots. They tore down all the
portraits of past "Governors" hanging inside and threw them into the
street.
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": A fúria anti-imperialista dos compatriotas
patrióticos virou-se contra o Leal Senado, um órgão de Macau que há
muito oprimia e explorava os compatriotas chineses. Retiraram todos os
retratos dos antigos "Governadores" ali pendurados e atiraram-nos para a
rua.

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:有壓迫就有反抗,愛國同胞對澳葡的血腥迫害怒不可遏,把一輛警車當街翻倒。(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Where
there is oppression, there is resistance. Driven to fury by the bloody
persecution of the Portuguese-Macau authorities, patriotic compatriots
overturned a police car in the middle of the street. (Image source:
Acta Scientrium Ngensis )
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": Onde há opressão, há resistência. Enfurecidos pela
perseguição sangrenta das autoridades de Macau, os compatriotas
patrióticos capotaram um carro da polícia em plena rua. (Fonte da imagem:
Arquivos do Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:愛國同胞把 「市政廳」內的⽂件櫃、沙發椅、打字幾等全部擲下街中
。 (圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau":
Patriotic compatriots threw filing cabinets, sofas, typewriters, and
other items from inside the "Leal Senado" out into the street. (Image
source: Acta Scientrium Ngensis )
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": Os compatriotas patrióticos atiraram arquivos,
sofás, máquinas de escrever e outros objectos do interior do Leal Senado
para o meio da rua. (Fonte da imagem: Arquivos do Acta Scientrium
Ngensis)

葡軍步兵與動裝甲車,出現在南灣一帶巡邏。 (圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Portuguese infantry and
armored vehicles appeared on patrol around Praia Grande. (Image source:
Acta Scientrium Ngensis )
Infantaria portuguesa e viaturas blindadas apareceram a patrulhar a zona
da Praia Grande. (Fonte da imagem: Arquivos do Acta Scientrium
Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:葡當局變本加厲屠殺中國同胞。「陸軍司令」施維納竟然加派葡兵,出動裝甲車,屠殺手無寸鐵的中國同胞。
(圖片來源: 延陵科學綜合室檔案)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": The
Portuguese authorities intensified their slaughter of Chinese
compatriots. The "Army Commander," Mota Cerveira, went so far as to
deploy additional Portuguese soldiers and send out armored vehicles to
massacre unarmed Chinese compatriots. (Image source: Acta
Scientrium Ngensis )
Texto original de "Contra
as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": As
autoridades portuguesas intensificaram o massacre dos compatriotas
chineses. O "Comandante Militar", Mota Cerveira, chegou ao extremo de
mobilizar soldados portugueses adicionais e enviar viaturas blindadas
para massacrar compatriotas chineses indefesos. (Fonte da imagem:
Arquivos do Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:封底圖片說明:澳門中國同胞橫眉怒斥紙老虎,表現了中華民族大無畏的英雄氣概。 (圖片來源:
延陵科學綜合室檔案)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Back
cover caption: Chinese compatriots in Macau defiantly denounced the
paper tiger, demonstrating the undaunted, heroic spirit of the Chinese
nation. (Image source: Acta Scientrium Ngensis )
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": Legenda da contracapa: Os compatriotas chineses de
Macau denunciaram com firmeza o tigre de papel, demonstrando o espírito
heroico e destemido da nação chinesa. (Fonte da imagem: Arquivos do
Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:「氹仔血案」發生後,澳葡當局遲遲不接受氹仔中國居民的五項條件,愛國師生高舉「毛主席語錄」到澳督府去抗議澳葡迫害中國同胞!
(圖片來源: 延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": After
the "Taipa Bloodshed" occurred, the Portuguese-Macau authorities delayed
accepting the five conditions proposed by the Chinese residents of Taipa.
Patriotic teachers and students held high "Quotations from Chairman Mao"
and marched to the Governor's Palace to protest against the
Portuguese-Macau persecution of Chinese compatriots! (Image source:
Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": Após a ocorrência do "Massacre da Taipa", as
autoridades de Macau demoraram a aceitar as cinco condições apresentadas
pelos residentes chineses da Taipa. Professores e estudantes patrióticos
ergueram as "Citações do Presidente Mao" e dirigiram-se ao Palácio do
Governador para protestar contra a perseguição dos compatriotas chineses
pelas autoridades de Macau! (Fonte da imagem: Acta Scientrium
Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:愛國同胞衝進澳葡「立契公署」把�堶悸瑪D葡文件,用具全部砸爛。(圖片來源: 延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau":
Patriotic compatriots rushed into the Portuguese-Macau "Notary Office" (Repartição
do Notariado) and smashed all the Portuguese-Macau documents and
equipment inside. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": Os compatriotas patrióticos invadiram a "Repartição
do Notariado" de Macau, destruindo todos os documentos e utensílios do
governo luso-maometano que se encontravam no interior. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:鏡湖醫院醫護人員發揚救死扶傷的革命人道主義精神,全力搶救受傷同胞。(圖片來源: 延陵科學綜合室)
Original text from
"Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau":
Medical personnel at Kiang Wu Hospital carried forward the revolutionary
humanitarian spirit of healing the wounded and rescuing the dying,
making every effort to save injured compatriots. (Image source:
Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": O pessoal médico do Hospital Kiang Wu promoveu o
espírito humanitário revolucionário de salvar os feridos e socorrer os
moribundos, envidando todos os esforços para resgatar os compatriotas
lesionados. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述:葡兵 亂殺無辜 , 連在家中的居⺠也被殘殺 。
(編者按:X光片的死者為陳蘇) 圖爲⼀中國同胞中槍彈的頭部X光照⽚ 。(圖片來源:
延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau":
Portuguese soldiers slaughtered the innocent indiscriminately, and even
residents inside their own homes were brutally killed. (Editor's Note:
The deceased in the X-ray is Chan Sou). The image shows the head X-ray
of a Chinese compatriot hit by gunfire. (Image source: Acta
Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": Os soldados portugueses mataram inocentes
indiscriminadamente, e até os residentes dentro das suas próprias casas
foram brutalmente assassinados. (Nota do editor: O falecido na
radiografia é Chan Sou). A imagem mostra a radiografia da cabeça de um
compatriota chinês atingido por disparos. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)

《反對葡帝在澳門的血腥暴行》原文描述: 血債定要償還
! 圖爲被澳葡殺死殺傷的中國同胞的部分血衣 。(圖片來源: 延陵科學綜合室)
Original text from "Oppose
the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": The
blood debt must be repaid! The image shows some of the blood-stained
clothes of Chinese compatriots killed or injured by the Portuguese-Macau
authorities. (Image source: Acta Scientrium Ngensis)
Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo
Português em Macau": A dívida de sangue terá de ser paga! A imagem
mostra uma parte das roupas ensanguentadas dos compatriotas chineses
mortos e feridos pelas autoridades de Macau. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)

中共《人民日報》12月11日報章,中共發表文章嚴正批評澳葡政府暴行。
(圖片來源: 延陵科學綜合室)
In the CCP's People's Daily
newspaper on December 11, the CCP published an article sternly
criticizing the atrocities of the Portuguese government in Macau. (Image
source: Acta Scientrium Ngensis)
No jornal do PCC Diário do Povo de 11 de dezembro, o PCC publicou um
artigo criticando severamente as atrocidades do Governo português de
Macau. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis)
篇章一:社文章 (《人民日報》評論員)
標題:嚴厲警告澳門葡萄牙當局
正文:
最近,澳門葡萄牙當局連續出動大批武裝軍警,殘酷鎮壓澳門我愛國同胞的正義斗爭。據不完全統計,十二月三、四兩日,澳門葡萄牙當局共打死打傷我愛國同胞一百多人。這是當局蓄意製造的血腥大慘案。中國人民對此表示極大的憤慨,並向澳門葡萄牙當局提出最強烈的抗議!
澳門我愛國同胞為了維護自己的正當權利而提出的要求,完全是合理的。氹仔島居民自籌經費,修建校舍,解決子女入學問題,這本來是天經地義的事。而澳門葡萄牙當局竟然對他們實行殘暴鎮壓,造成打傷四十多人的「氹仔血案」。這就不能不激起澳門我愛國同胞的憤怒和反抗。他們向澳門葡萄牙當局提出了包括嚴懲肇事者在內的嚴正要求。但是,澳門葡萄牙當局不僅不肯低頭認罪,反而變本加厲地在十二月三、四兩日對澳門我愛國同胞實行空前規模的大屠殺。很清楚,這是澳門葡萄牙當局有組織、有計劃的法西斯暴行,它們必須對此承擔全部罪責。
澳門愛國同胞,面對着葡萄牙法西斯主義者卑鄙無恥的法西斯暴行,不屈不撓,前赴後繼,堅持斗爭,表現了中華民族的大無畏英雄氣概。他們的反迫害斗爭,是完全正義的。我們最堅決地支持澳門愛國同胞的英勇斗爭。
現在,澳門葡萄牙當局表面上偽裝接受氹仔居民提出的要求,實際上是在施展陰謀詭計,妄圖逃脫它在十二月開殺戒中國居民的血腥罪責。但是,冤有頭,債有主,以葡萄牙帝國主義者嘉樂庇為首的澳門葡萄牙當局想要賴掉這筆血債,是萬萬辦不到的。
值得注意的是,台灣蔣介石匪幫和美英帝國主義者,同澳門葡萄牙當局狼狽為奸,竭力支持澳門葡萄牙當局鎮壓中國居民的血腥暴行。它們製造謠言,顛倒黑白,企圖混水摸魚。澳門愛國同胞必須提高警惕,揭露蔣介石匪幫和美英帝國主義的一切陰謀詭計,決不允許它們在澳門興風作浪,胡作非為!如果澳門葡萄牙當局竟然讓蔣介石匪幫和美英帝國主義分子插手澳門事務,中國人民將絕對不能允許,一切嚴重後果必須由澳門葡萄牙當局承擔。
用毛澤東思想武裝起來的偉大的中國人民,是不好惹的。中國人民絕對不能容忍澳門葡萄牙當局對我國同胞的殘暴迫害。誰要向偉大的中國人民挑釁,誰就決不會有什麼好下場。
我廣東省外事處處長十二月九日發表的聲明中提出的四項要求,表達了七億中國人民的堅定立場。我們嚴厲警告澳門葡萄牙當局:你們必須立即停止對澳門中國居民的一切迫害;必須無條件地接受和履行澳門各界中國居民所提出的一切正義要求,嚴懲主要肇事者,向中國居民賠禮道歉,賠償一切損失;還必須切實保證不讓蔣匪特務進行任何破壞活動,不讓美英帝國主義分子插手澳門事務。對中國方面的嚴正要求,澳門葡萄牙當局必須立即接受並完全實現。否則,你們必將自食其果。
Text 1: Editorial (Commentator of "People's
Daily")
Title: A Stern Warning to the Portuguese Authorities in Macao
Body:
Recently, the Portuguese authorities in Macao have repeatedly deployed
large numbers of armed military and police to brutally suppress the
righteous struggle of our patriotic compatriots in Macao. According to
incomplete statistics, on December 3 and 4, the Portuguese authorities
in Macao killed and injured more than 100 of our patriotic compatriots.
This is a bloody massacre deliberately engineered by the authorities.
The Chinese people express their utmost indignation over this and lodge
the strongest protest with the Portuguese authorities in Macao!
The demands raised by our patriotic compatriots in Macao to safeguard
their legitimate rights are completely reasonable. It is a matter of
course that the residents of Taipa Island raised their own funds to
build a school building to solve the problem of their children's
education. Yet, the Portuguese authorities in Macao went so far as to
carry out a brutal crackdown on them, resulting in the "Taipa Bloodshed"
in which more than 40 people were injured. This could not but arouse the
anger and resistance of our patriotic compatriots in Macao. They put
forward solemn demands to the Portuguese authorities in Macao, including
the severe punishment of the perpetrators. However, instead of bowing
their heads and admitting their guilt, the Portuguese authorities in
Macao intensified their actions, carrying out an unprecedentedly
large-scale massacre of our patriotic compatriots in Macao on December 3
and 4. It is very clear that this is an organized and planned fascist
atrocity by the Portuguese authorities in Macao, and they must bear full
responsibility for this crime.
Facing the despicable and shameless atrocities of the Portuguese
fascists, the patriotic compatriots in Macao have stood unyielding,
advanced wave upon wave, and persisted in their struggle, demonstrating
the dauntless heroic spirit of the Chinese nation. Their struggle
against persecution is entirely righteous. We most resolutely support
the heroic struggle of our patriotic compatriots in Macao.
Now, while the Portuguese authorities in Macao superficially feign
acceptance of the demands raised by the Taipa residents, they are
actually employing schemes and intrigues in a vain attempt to escape
their bloody responsibility for the massacre of Chinese residents in
December. However, every wrong has its cause, and every debt has its
debtor. It is absolutely impossible for the Portuguese authorities in
Macao, headed by the Portuguese imperialist José Nobre de Carvalho, to
shirk this debt of blood.
It is worth noting that the Chiang Kai-shek bandit gang in Taiwan and
the US and British imperialists are colluding with the Portuguese
authorities in Macao, doing their utmost to support the bloody
atrocities of the Portuguese authorities in Macao in suppressing Chinese
residents. They manufacture rumors, turn black into white, and attempt
to fish in troubled waters. Patriotic compatriots in Macao must heighten
their vigilance and expose all the schemes and intrigues of the Chiang
Kai-shek bandit gang and the US and British imperialists, and must never
allow them to stir up trouble and act willfully in Macao! If the
Portuguese authorities in Macao should go so far as to let the Chiang
Kai-shek bandit gang and US and British imperialist elements intervene
in Macao affairs, the Chinese people will absolutely not permit it, and
all serious consequences must be borne by the Portuguese authorities in
Macao.
The great Chinese people, armed with Mao Zedong Thought, are not to be
trifled with. The Chinese people will absolutely not tolerate the brutal
persecution of our compatriots by the Portuguese authorities in Macao.
Anyone who provokes the great Chinese people will certainly come to no
good end.
The four demands put forward in the statement issued on December 9 by
the Director of the Foreign Affairs Office of Guangdong Province express
the firm stance of the 700 million Chinese people. We sternly warn the
Portuguese authorities in Macao: You must immediately stop all
persecution of Chinese residents in Macao; you must unconditionally
accept and fulfill all the righteous demands put forward by the Chinese
residents of all circles in Macao, severely punish the main
perpetrators, apologize to the Chinese residents, and compensate for all
losses; you must also earnestly guarantee that Chiang bandit agents will
not be allowed to carry out any destructive activities, and that US and
British imperialist elements will not be allowed to intervene in Macao
affairs. The Portuguese authorities in Macao must immediately accept and
fully implement the solemn demands of the Chinese side. Otherwise, you
will surely reap what you sow.
Texto 1: Editorial (Comentador do "Diário do Povo")
Título: Uma Advertência Severa às Autoridades Portuguesas em Macau
Corpo do texto:
Recentemente, as autoridades portuguesas em Macau mobilizaram
repetidamente um grande número de militares e polícias armados para
reprimir brutalmente a luta justa dos nossos compatriotas patriotas em
Macau. Segundo estatísticas incompletas, nos dias 3 e 4 de dezembro, as
autoridades portuguesas em Macau mataram e feriram mais de 100 dos
nossos compatriotas patriotas. Este é um massacre sangrento
deliberadamente orquestrado pelas autoridades. O povo chinês manifesta a
sua maior indignação perante este facto e apresenta o mais forte
protesto junto das autoridades portuguesas em Macau!
As exigências apresentadas pelos nossos compatriotas patriotas em Macau
para salvaguardar os seus direitos legítimos são totalmente razoáveis. É
perfeitamente natural que os residentes da Ilha da Taipa tenham
angariado fundos próprios para construir instalações escolares,
resolvendo assim o problema da escolaridade dos seus filhos. Contudo, as
autoridades portuguesas em Macau chegaram ao ponto de exercer uma
repressão violenta contra eles, resultando no "Incidente Sangrento da
Taipa", no qual mais de 40 pessoas ficaram feridas. Isto não pôde deixar
de suscitar a indignação e a resistência dos nossos compatriotas
patriotas em Macau. Eles apresentaram exigências severas às autoridades
portuguesas em Macau, incluindo a punição rigorosa dos culpados. No
entanto, em vez de baixarem a cabeça e admitirem a culpa, as autoridades
portuguesas em Macau intensificaram as suas ações, realizando um
massacre de escala sem precedentes contra os nossos compatriotas
patriotas em Macau nos dias 3 e 4 de dezembro. É evidente que se trata
de uma atrocidade fascista, organizada e planeada pelas autoridades
portuguesas em Macau, as quais devem assumir a responsabilidade total
por este crime.
Enfrentando as atrocidades desprezíveis e desavergonhadas dos fascistas
portugueses, os compatriotas patriotas em Macau mantiveram-se
inabaláveis, avançaram vaga após vaga e persistiram na sua luta,
demonstrando o espírito heroico e destemido da nação chinesa. A sua luta
contra a perseguição é inteiramente justa. Apoiamos da forma mais
resoluta a luta heroica dos nossos compatriotas patriotas em Macau.
Atualmente, embora as autoridades portuguesas em Macau finjam
superficialmente aceitar as exigências apresentadas pelos residentes da
Taipa, estão, na realidade, a recorrer a estratagemas e intrigas numa
tentativa vã de escapar à sua responsabilidade sangrenta pelo massacre
de residentes chineses em dezembro. Contudo, cada erro tem a sua origem
e cada dívida tem o seu credor. É absolutamente impossível que as
autoridades portuguesas em Macau, chefiadas pelo imperialista português
José Nobre de Carvalho, se esquivem a esta dívida de sangue.
Importa notar que o bando de bandidos de Chiang Kai-shek em Taiwan e os
imperialistas norte-americanos e britânicos estão em conluio com as
autoridades portuguesas em Macau, empenhando-se ao máximo no apoio às
atrocidades sangrentas das autoridades portuguesas em Macau na repressão
dos residentes chineses. Eles fabricam rumores, invertem o preto e o
branco e tentam pescar em águas turvas. Os compatriotas patriotas em
Macau devem aumentar a sua vigilância e expor todas as intrigas e
estratagemas do bando de bandidos de Chiang Kai-shek e dos imperialistas
norte-americanos e britânicos, não permitindo jamais que estes causem
distúrbios e ajam arbitrariamente em Macau! Se as autoridades
portuguesas em Macau permitirem que o bando de bandidos de Chiang
Kai-shek e elementos imperialistas norte-americanos e britânicos
intervenham nos assuntos de Macau, o povo chinês não o consentirá de
forma alguma, e todas as consequências graves deverão ser suportadas
pelas autoridades portuguesas em Macau.
O grande povo chinês, armado com o Pensamento de Mao Zedong, não é
alguém com quem se possa brincar. O povo chinês não tolerará
absolutamente a perseguição brutal dos nossos compatriotas pelas
autoridades portuguesas em Macau. Quem ousar provocar o grande povo
chinês certamente não terá um bom fim.
As quatro exigências apresentadas na declaração emitida em 9 de dezembro
pelo Diretor do Gabinete de Assuntos Externos da Província de Guangdong
expressam a posição firme dos 700 milhões de cidadãos chineses.
Advertimos severamente as autoridades portuguesas em Macau: Devem cessar
imediatamente toda a perseguição contra os residentes chineses em Macau;
devem aceitar e cumprir incondicionalmente todas as exigências justas
apresentadas pelos residentes chineses de todos os setores em Macau,
punir severamente os principais culpados, pedir desculpas aos residentes
chineses e indemnizar todas as perdas; devem também garantir
categoricamente que os agentes do bando de Chiang não serão autorizados
a realizar quaisquer atividades destrutivas e que os elementos
imperialistas norte-americanos e britânicos não serão autorizados a
intervir nos assuntos de Macau. As autoridades portuguesas em Macau
devem aceitar imediatamente e implementar plenamente as exigências
severas do lado chinês. Caso contrário, colherão o que semearam.

中共《人民日報》12月11日報章社文章。
(圖片來源: 延陵科學綜合室)
An article from the CCP’s
People's Daily newspaper on December 11. (Image source: Acta
Scientrium Ngensis)
Artigo de opinião do jornal
do PCC Diário do Povo de 11 de dezembro. (Fonte da imagem:
Acta Scientrium Ngensis)
全澳同胞決心斗爭到底不獲全勝決不罷休
篇章二:右側大篇幅新聞報道
主標題:
澳門各界同胞代表會議強烈抗議前當局的法西斯暴行
全澳同胞決心斗爭到底不獲全勝決不罷休
會議通過對抗議書向澳葡當局提出六項嚴正要求
副標題:
珠海縣香洲鎮等地紅衛兵和革命群眾大會示威支持澳門同胞正義斗爭
正文:
新華社香港十日電
澳門各界同胞代表一百多人今天上午舉行會議,一致通過強烈譴責澳葡當局殘暴屠殺和迫In害澳門中國同胞的滿腔憤怒的抗議書,並隨即推派代表向澳門葡萄牙總督嘉樂庇提交了這個抗議書。
澳門各界同胞代表的抗議書指出,澳門中國同胞對澳葡當局迫害澳門同胞的一系列法西斯罪行是絕對不能容忍的,澳葡當局必須對其血腥罪行負完全責任。抗議書嚴正宣告,澳葡當局必須逐項接受和實現下列的六項要求:
一、立即嚴懲防空司令、司法警察廳長、警察廳長等血腥屠殺澳門同胞的劊子手。
二、立即取消戒嚴令,撤走在街道巡邏的武裝軍警,並保證今後永不派軍警鎮壓中國同胞。
三、立即賠償受害者的一切損失,立即撫恤死難者的遺屬,承擔死難者的安葬費,並不准干涉澳門同胞為死難者舉行葬禮,開追悼會。
四、立即全部釋放被捕的抗議書中指出被捕的澳門中國同胞,並公布有罪真實的傷亡名單。
五、立即實現氹仔居民學校籌委會提出的五項要求和澳門中華學生聯合會的五項要求。
六、立即向澳門同胞當面認罪和簽具認罪書,同時將該認罪書在報章和電台公布,並保證今後不得再有任何迫害澳門中國同胞的事件發生。
抗議書最後指出,澳葡當局必須迅速作出接受以上六項要求的答覆,否則,由此產生的一切後果由澳葡當局負完全責任。
會議開始時,全體代表起立向死難同胞默哀,並紛紛憤怒譴責澳葡當局的滔天罪行。會議在抗議書通過後,隨即推選張湧、何賢、譚立明、登室山、阮子榮等十三人,代表澳門同胞前往「澳督府」提交抗議書。在會議推選出來的十三名代表出發前,全體代表一齊起立朗讀毛主席語錄:「下定決心,不怕犧牲,排除萬難,去爭取勝利。」
當十三名代表到達「澳督府」,向澳葡總督嘉樂庇當面嚴正宣讀並提交了抗議書。
澳門各界同胞代表會議還決議組織治喪委員會,為死難的中國同胞治喪,舉行追悼會,成立「澳門各界慰問團」,向死難同胞家屬和受傷同胞進行慰問。決議要求澳葡當局立即公布被殺、受傷和被捕的中國同胞的真實名單,委託澳門工會聯合總會接受受害者
(包括被殺、受傷、被捕和失蹤等) 家屬以及其他一切受害者者的登記。
澳門各界同胞代表會議一致表示,全澳同胞決心斗爭到底,不獲全勝,決不罷休。
新華社廣州十日電
在緊靠澳門的廣東省珠海縣香洲鎮和前山、南屏公社,今天有九千多紅衛兵和革命群眾舉行了強大的集會和示威遊行,最強烈地聲討澳葡當局屠殺澳門同胞的法西斯血腥暴行,最堅決地支持澳門同胞反迫害的英勇正義斗爭。
珠海縣各學校的紅衛兵以及工人、農民和漁民代表們,以無比憤怒的心情,紛紛在聲討大會上發言,一致強烈要求澳葡當局立即停止傷害澳門同胞,嚴懲兇手,賠償一切損失,保證今後不再發生類似事件。代表們一致指出,用毛澤東思想武裝起來的七億中國人民是不可侮的。我們一定要清算這筆血債,不獲全勝,決不罷休!
珠海縣縣長官文達,副縣長余周、黃市明等負責人參加了聲討大會。官文達在會上代表珠海全縣人民對澳葡當局的法西斯暴行表示最強烈的抗議,對澳門同胞的英勇斗爭表示最堅決的支持。他說,我們全縣人民同仇敵愾,誓作澳門同胞的強大後盾。
集會後,廣大紅衛兵、工人、漁民、公社社員抬着毛主席的巨幅畫像和毛主席語錄牌,有的還扛着鋤頭,高呼口號,舉行了強大的示威遊行。
Compatriots across
Macau are determined to fight to the end and will never give up until
full victory is won
Chapter 2: Large-scale news
report on the right side
Main Headline:
The meeting of representatives of compatriots from all walks of life in
Macau strongly protests against the fascist atrocities of the former
authorities
Compatriots across Macau are determined to fight to the end and will
never give up until full victory is won
The meeting passed a letter of protest presenting six solemn demands to
the Portuguese authorities in Macau
Sub-headline:
Red Guards and revolutionary masses in Xiangzhou Town, Zhuhai County,
and other places held rallies and demonstrations to support the just
struggle of Macau compatriots
Body Text:
Xinhua News Agency, Hong Kong, Dec 10 — More than 100 representatives of
compatriots from all walks of life in Macau held a meeting this morning.
They unanimously passed a protest letter filled with profound
indignation, strongly condemning the Portuguese authorities in Macau for
their brutal massacre and persecution of Chinese compatriots in Macau.
They immediately dispatched representatives to submit this protest
letter to José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho, the Portuguese
Governor of Macau.
The protest letter from the representatives of Macau compatriots from
all walks of life pointed out that the Chinese compatriots in Macau
absolutely cannot tolerate the series of fascist crimes committed by the
Portuguese authorities in Macau to persecute Macau compatriots, and the
Portuguese authorities in Macau must bear full responsibility for their
bloody crimes. The protest letter solemnly declared that the Portuguese
authorities in Macau must accept and fulfill the following six demands
item by item:
Immediately and severely punish the executioners who bloodily massacred
Macau compatriots, including the Air Defense Commander, the Chief of the
Judicial Police Department, and the Chief of the Police Department.
Immediately lift the martial law, withdraw the armed military and police
patrolling the streets, and guarantee that military and police will
never be sent to suppress Chinese compatriots in the future.
Immediately compensate the victims for all their losses, immediately
provide pensions to the families of the deceased, bear the funeral
expenses of the deceased, and forbid any interference with Macau
compatriots holding funerals and memorial services for the deceased.
Immediately release all arrested Chinese compatriots in Macau as
indicated in the protest letter, and announce the true and accurate
casualty list.
Immediately fulfill the five demands proposed by the Preparatory
Committee of the Taipa Residents' School and the five demands of the
Macau Chinese Students' Union.
Immediately admit guilt in person to the Macau compatriots and sign a
letter of confession. Meanwhile, publish this letter of confession in
newspapers and broadcast it on radio stations, and guarantee that no
further incidents of persecuting Chinese compatriots in Macau will occur
in the future.
The protest letter concluded by pointing out that the Portuguese
authorities in Macau must promptly reply with their acceptance of the
above six demands; otherwise, the Portuguese authorities in Macau shall
bear full responsibility for all consequences arising therefrom.
At the beginning of the meeting, all representatives stood up to observe
a moment of silence for the deceased compatriots and passionately
condemned the heinous crimes of the Portuguese authorities in Macau.
After the protest letter was passed, the meeting immediately elected 13
people, including Zhang Yong, Ho Yin, Tam Lap-ming, Deng Shishan, and
Ruan Zirong, to represent the compatriots of Macau and proceed to the
"Governor's Palace" to submit the protest letter. Before the 13 elected
representatives departed, all representatives stood up together to read
a quote from Chairman Mao: "Be resolute, fear no sacrifice, and surmount
every difficulty to win victory."
When the 13 representatives arrived at the "Governor's Palace," they
solemnly read out and submitted the protest letter to José Manuel de
Sousa e Faro Nobre de Carvalho, the Portuguese Governor of Macau, in
person.
The meeting of representatives of Macau compatriots from all walks of
life also resolved to organize a funeral committee to handle the funeral
affairs for the deceased Chinese compatriots and hold memorial services,
and to establish the "Macau Comfort Delegation from All Walks of Life"
to express condolences to the families of the deceased compatriots and
to the injured compatriots. The resolution demanded that the Portuguese
authorities in Macau immediately release the true list of killed,
injured, and arrested Chinese compatriots, and commissioned the Macau
Federation of Trade Unions to accept registrations from the families of
victims (including those killed, injured, arrested, and missing) as well
as all other victims.
The meeting of representatives of Macau compatriots from all walks of
life unanimously expressed that compatriots across Macau are determined
to fight to the end and will never give up until full victory is won.
Xinhua News Agency, Guangzhou, Dec 10 — In Xiangzhou Town and the
Qianshan and Nanping Communes of Zhuhai County, Guangdong Province,
which are adjacent to Macau, more than 9,000 Red Guards and
revolutionary masses held a powerful rally and demonstration today. They
most strongly denounced the fascist bloody atrocities of the Portuguese
authorities in Macau for massacring Macau compatriots, and most
resolutely supported the heroic and just struggle of Macau compatriots
against persecution.
With boundless indignation, the Red Guards from various schools in
Zhuhai County, as well as representatives of workers, peasants, and
fishermen, spoke one after another at the denunciation rally. They
unanimously and strongly demanded that the Portuguese authorities in
Macau immediately stop harming Macau compatriots, severely punish the
perpetrators, compensate for all losses, and guarantee that similar
incidents will not occur in the future. The representatives pointed out
in unison that the 700 million Chinese people armed with Mao Zedong
Thought are not to be bullied. We will certainly settle this blood debt,
fight to the end, and never give up until full victory is won!
Responsible officials of Zhuhai County, including County Chief Guan
Wenda and Deputy County Chiefs Yu Zhou and Huang Shiming, attended the
denunciation rally. Speaking at the meeting on behalf of all the people
of Zhuhai County, Guan Wenda expressed the strongest protest against the
fascist atrocities of the Portuguese authorities in Macau and the most
resolute support for the heroic struggle of the Macau compatriots. He
said that the people of our entire county share a bitter hatred for the
enemy and vow to act as a powerful backing for our Macau compatriots.
After the rally, the vast number of Red Guards, workers, fishermen, and
commune members held up giant portraits of Chairman Mao and placards of
Chairman Mao's quotations, with some even carrying hoes, shouting
slogans, and staging a powerful demonstration and march.
Os compatriotas de toda Macau estão determinados a lutar
até ao fim e nunca desistirão até que a vitória total seja alcançada
Capítulo 2: Reportagem de
grande destaque no lado direito
Título Principal:
A reunião de representantes de compatriotas de todos os setores de Macau
protesta veementemente contra as atrocidades fascistas das antigas
autoridades
Os compatriotas de toda Macau estão determinados a lutar até ao fim e
nunca desistirão até que a vitória total seja alcançada
A reunião aprovou uma carta de protesto apresentando seis exigências
severas às autoridades portuguesas de Macau
Subtítulo:
Guardas Vermelhos e massas revolucionárias na vila de Xiangzhou, comarca
de Zhuhai, entre outros locais, realizaram comícios e manifestações em
apoio à justa luta dos compatriotas de Macau
Corpo do Texto:
Agência de Notícias Xinhua, Hong Kong, 10 de dezembro — Mais de cem
representantes de compatriotas de todos os setores de Macau reuniram-se
hoje de manhã. Aprovaram por unanimidade uma carta de protesto repleta
de indignação, condenando veementemente as autoridades portuguesas de
Macau pelo massacre brutal e pela perseguição dos compatriotas chineses
de Macau. Em seguida, enviaram representantes para entregar esta carta
de protesto ao Governador português de Macau, José Manuel de Sousa e
Faro Nobre de Carvalho.
A carta de protesto dos representantes dos compatriotas de todos os
setores de Macau apontou que os compatriotas chineses de Macau não podem,
de forma alguma, tolerar a série de crimes fascistas cometidos pelas
autoridades portuguesas de Macau para perseguir os compatriotas de
Macau, e que as autoridades portuguesas de Macau devem assumir total
responsabilidade pelos seus crimes sangrentos. A carta de protesto
declarou solenemente que as autoridades portuguesas de Macau devem
aceitar e cumprir, item por item, as seguintes seis exigências:
Punir imediata e severamente os carrascos que massacraram sangrentamente
os compatriotas de Macau, incluindo o Comandante da Defesa Antiaérea, o
Chefe da Polícia Judiciária e o Comandante da Polícia de Segurança
Pública.
Levantar imediatamente a lei marcial, retirar as forças militares e
policiais armadas que patrulham as ruas e garantir que nunca mais serão
enviadas forças militares ou policiais para reprimir os compatriotas
chineses no futuro.
Indemnizar imediatamente as vítimas por todas as suas perdas, subsidiar
imediatamente as famílias dos falecidos, assumir as despesas fúnebres
dos mortos e proibir qualquer interferência na realização de funerais e
cerimónias fúnebres pelos compatriotas de Macau em memória dos falecidos.
Libertar imediatamente todos os compatriotas chineses de Macau detidos
mencionados na carta de protesto e publicar a lista real e verdadeira
das baixas (mortos e feridos).
Cumprir imediatamente as cinco exigências apresentadas pela Comissão
Promotora da Escola de Moradores da Taipa e as cinco exigências da União
Geral dos Estudantes Chineses de Macau.
Pedir desculpas pessoalmente e de forma imediata aos compatriotas de
Macau e assinar uma declaração de confissão de culpa. Ao mesmo tempo,
publicar essa declaração nos jornais e divulgá-la nas estações de rádio,
garantindo que não voltará a ocorrer qualquer incidente de perseguição
contra os compatriotas chineses de Macau no futuro.
A carta de protesto concluiu apontando que as autoridades portuguesas de
Macau devem responder rapidamente aceitando as seis exigências acima
referidas; caso contrário, todas as consequências daí resultantes serão
da inteira responsabilidade das autoridades portuguesas de Macau.
No início da reunião, todos os representantes ergueram-se para guardar
um minuto de silêncio pelos compatriotas falecidos e condenaram com
indignação os crimes hediondos das autoridades portuguesas de Macau.
Após a aprovação da carta de protesto, a reunião elegeu imediatamente 13
pessoas, incluindo Zhang Yong, Ho Yin, Tam Lap-ming, Deng Shishan e Ruan
Zirong, para representarem os compatriotas de Macau e dirigirem-se ao "Palácio
do Governador" para entregar a carta de protesto. Antes da partida dos
13 representantes eleitos, todos os presentes ergueram-se para ler em
uníssono uma citação do Presidente Mao: "Decidir-se, não temer o
sacrifício, superar todas as dificuldades para conquistar a vitória."
Quando os 13 representantes chegaram ao "Palácio do Governador", leram
solenemente e entregaram em mãos a carta de protesto a José Manuel de
Sousa e Faro Nobre de Carvalho, o Governador português de Macau.
A reunião de representantes de compatriotas de todos os setores de Macau
deliberou também organizar uma comissão funerária para tratar das
exéquias dos compatriotas chineses falecidos e realizar cerimónias
fúnebres, bem como estabelecer a "Delegação de Solidariedade de Todos os
Setores de Macau" para apresentar condolências às famílias dos
compatriotas falecidos e aos compatriotas feridos. A resolução exigiu
que as autoridades portuguesas de Macau publicassem imediatamente a
lista real dos compatriotas chineses mortos, feridos e detidos, e
encarregou a Associação Geral dos Operários de Macau de proceder ao
registo dos familiares das vítimas (incluindo mortos, feridos, detidos e
desaparecidos) e de todas as outras vítimas.
A reunião de representantes de compatriotas de todos os setores de Macau
manifestou unanimemente que os compatriotas de toda Macau estão
determinados a lutar até ao fim e nunca desistirão até que a vitória
total seja alcançada.
Agência de Notícias Xinhua, Cantão, 10 de dezembro — Na vila de
Xiangzhou e nas comunas de Qianshan e Nanping, na comarca de Zhuhai,
província de Cantão, que fica adjacente a Macau, mais de 9.000 Guardas
Vermelhos e massas revolucionárias realizaram hoje um grande comício e
uma manifestação. Condenaram veementemente as atrocidades sangrentas e
fascistas das autoridades portuguesas de Macau pelo massacre de
compatriotas de Macau, e apoiaram com a maior firmeza a luta heroica e
justa dos compatriotas de Macau contra a perseguição.
Com uma indignação incomensurável, os Guardas Vermelhos de várias
escolas da comarca de Zhuhai, bem como representantes de operários,
camponeses e pescadores, discursaram sucessivamente no comício de
condenação. Exigiram unanimemente e de forma veemente que as autoridades
portuguesas de Macau cessassem imediatamente de fazer mal aos
compatriotas de Macau, punissem severamente os culpados, indemnizassem
todas as perdas e garantissem que incidentes semelhantes não voltassem a
ocorrer no futuro. Os representantes apontaram em uníssono que os 700
milhões de chineses armados com o Pensamento de Mao Tsé-Tung não se
deixam insultar. Devemos, sem dúvida, ajustar esta conta de sangue,
lutar até ao fim e nunca desistir até que a vitória total seja alcançada!
Os responsáveis da comarca de Zhuhai, incluindo o Chefe da Comarca, Guan
Wenda, e os Vice-Chefes da Comarca, Yu Zhou e Huang Shiming,
participaram no comício de condenação. No comício, Guan Wenda, em
representação de toda a população da comarca de Zhuhai, expressou o mais
veemente protesto contra as atrocidades fascistas das autoridades
portuguesas de Macau e o apoio mais firme à luta heroica dos
compatriotas de Macau. Afirmou que a população de toda a nossa comarca
partilha do mesmo sentimento de hostilidade contra o inimigo e jura
servir de forte retaguarda aos compatriotas de Macau.
Após o comício, a grande massa de Guardas Vermelhos, operários,
pescadores e membros das comunas desfilaram empunhando enormes retratos
do Presidente Mao e tabuletas com citações do Presidente Mao, alguns
carregando inclusive enxadas, gritando palavras de ordem e realizando
uma poderosa manifestação e desfile.

30年代開始澳門中區新馬路一帶,舊中央酒店已經成為澳門最高的地標,1966年見證整個城市在災難之中,一二.
三事件八名死難者之中,有一位名叫龔國明的年青人便死在酒店對面的戲院迴廊之下,沒有人把記憶提出來時,一切都會被淡忘,隨歷史隨風而逝。 (圖片來源:
延陵科學綜合室) 2026
Since the 1930s, around
Avenida de Almeida Ribeiro in the central district of Macau, the old
Central Hotel had already become the tallest landmark in Macau. In 1966,
it witnessed the entire city in the midst of disaster. Among the eight
victims of the 12-3 Incident, a young man named Gong Guoming died under
the corridor of the cinema opposite the hotel. When no one brings up
these memories, everything will be forgotten and fade away with the wind
of history. (Image source: Acta Scientrium Ngensis) 2026
Desde a década de 1930, na
zona da Avenida de Almeida Ribeiro, no distrito central de Macau, o
antigo Hotel Central já se tinha tornado o marco mais alto de Macau. Em
1966, testemunhou toda a cidade no meio do desastre. Entre as oito
vítimas mortais do Incidente 12-3, um jovem chamado Gong Guoming morreu
sob os corredores do cinema em frente ao hotel. Se ninguém trouxer à
tona estas memórias, tudo será esquecido e desaparecerá com o vento da
história. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis) 2026
(上卷終)
(End of Volume I)
(Fim do Volume I)
正文部分
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附錄: 葡屬澳門「一二. 三」事件發展及1967
年英屬香港「六七暴動」時序表
1966 年 4
月:氹仔坊眾學校舍擴建申請開始
1966 年 4 月,氹仔坊眾學校租下施督憲正街 4、6、8 號屋宇,擬擴建校舍。校方隨即入稟氹仔海島海市政廳申請修建許可,但久未獲批。
1966 年 5 月至 10 月:長期交涉期
在這段長達數月的等候期間,校方代表前後會見海島市政廳廳長24
次,請求批准動工,但均無結果。校方在仍未獲得動工許可的情況下,先行搭棚施工,埋下後續衝突的種子。
1966 年 11 月 15 日:導火線爆發 (「氹仔事件」及「一一·一五事件」)
1966 年 11 月 15 日,氹仔海島市政廳代理廳長晏德地發現工人正在搭棚,遂派員勸阻,雙方發生對峙並演變成警民衝突。衝突造成數十人受傷、6
人被捕,其中包括《澳門日報》記者。中午時分,澳門中華總商會派人交涉,4 人被拘捕一晚,後在崔德祺協助下保釋。
1966 年 11 月 18 日:建校委員會提出五項要求
建校委員會正式提出五項要求: (1) 懲處兇手; (2) 政府不阻撓辦學; (3) 賠償傷者損失; (4) 撤銷對被捕者的判決; (5)
保證不再發生類似事件。
1966 年 11 月 22 日:親北京社團譴責事件
澳門親北京社團舉行座談會,強烈譴責警民衝突事件,並威脅將進行鬥爭。
1966 年 11 月 25 日:新任總督嘉樂庇抵澳履新
澳門新任總督嘉樂庇正式抵達澳門履新,成為處理後續事件的关键人物。
1966 年 11 月 29 日:總督承認處理失當
嘉樂庇接見工商界代表,承認動用警察屬處理失當,並承諾成立調查委員會調查事件。
1966 年 11 月 30 日:澳督府外集會抗議
濠江學校師生在澳督府外集會抗議,隨後數日抗議民眾越來越多,有人手持紅小書、朗誦毛語錄,抗議活動逐漸升級。
1966 年 12 月 3 日:大規模血腥衝突 (「一二·三」主事件)
午後 12 時,總督府門前發生大規模衝突,左派人士闖入澳督府,高唱紅歌、朗讀毛語錄、推翻警車。下午 3
時後,群眾摧毀美士基打紀念銅像並將其掉入內港,破壞歐維士石像,衝擊市政廳和公證署。下午 4
時半:群眾前往警廳,防暴警察施放催淚彈並開槍射擊。傍晚 6 時:總督頒令戒嚴並實行宵禁,其後數天又有數人被亂槍射殺。官方死亡統計:事件共有8
人死亡 (另有一說11人死亡) 、212 人受伤、40 至 62 人被捕。
1966 年 12 月 9 日:中共要求澳葡勒令封閉親國民黨機構, 情勢對國民黨方面不利, 所有主要駐澳門親國民黨機構被澳葡當局勒令封閉。
1966 年 12 月 10
日:廣東省外事處提出六項要求
廣東省人民委員會外事處與親北京社團向總督嘉樂庇提出六項要求,包括立即認罪、簽具認罪書等。
1966 年 12 月 12 日:澳門政府表示全部接受要求
澳門政府秘書處發出通告,表示將「全部接受」廣東省外事處提出的要求,邀請親北京社團代表於 15 日會面。
1966 年 12 月 21 日起:每日談判認罪書內容
澳葡政府被迫每天派代表到拱北與廣東省外事處談判認罪書內容,談判持續進行。
1967 年 1 月 2 日:澳葡政府查封國民黨機構
澳葡政府公告禁止與中華人民共和國敵對活動,查封所有國民黨機構,禁止懸掛青天白日旗,國民黨勢力在澳門被完全肅清。
1967 年 1 月 20 日:成立「研究制裁澳葡小組」
親北京社團決定成立「研究制裁澳葡小組」,準備進一步制裁行動。
1967 年 1 月 24 日:實施「三不」政策與關閉關閘
正式執行「三不」政策: (1) 不繳稅; (2) 不售物給政府; (3)
不為葡官兵服務。同時,廣東當局關閉關閘,禁止糧水輸往澳門,對澳門實施經濟制裁。
1967 年 1 月 27 日:澳葡政府發表聲明認罪賠償
澳門政府發表聲明認罪、賠禮,並承擔全部喪葬費和撫恤費共澳門幣 2,058,424 元。
1967 年 1 月 29 日:總督簽署認罪書,事件結束
總督嘉樂庇簽署《澳門政府對華人各界代表所提出的抗議書的答覆》,正式承認錯誤並賠禮,「一二·三」事件至此告一段落。
「一二.
三事件」的影響
澳葡政府簽署認罪書,向受害者認罪賠償,澳葡政府在澳門的管治威信徹底喪失。國民黨勢力被完全肅清,中華民國勢力絕跡澳門;共產黨勢力事實控制澳門,左派在各階層紮根至今,影響延續至現代。
此次事件間接促成鄰近香港的六七暴動,香港左派來澳門吸收「澳門經驗」,直接導致 1967
年香港左派反英抗暴行動爆發。文化大革命的震波由此從中國大陸擴展至港澳地區。
1966-1967年 由一二. 三事件延續至香港
1967 年 5 月 6 日:香港新蒲崗人造花廠工潮爆發 (六七暴動前奏)
香港新蒲崗大有街香港人造花廠分廠爆發勞資糾紛,工人追討欠薪。防暴警察到場鎮壓,工人向警察投擲玻璃瓶和鐵罐,21
名示威者被捕。左派介入:香港工聯會高調介入事件,張貼毛主席語錄及大字報,將勞資糾紛政治化。
1967 年 5 月 11 日:香港血腥衝突
香港新蒲崗再次發生流血衝突,警方以木製子彈開槍。左派報章稱「3 名工人被捕後遭毒打致死」。
1967 年 5 月 12 日:香港成立「鬥爭委員會」
工聯會宣佈成立「港九各業工人反對港英迫害鬥爭委員會」 (簡稱「鬥委」) ,左派開始發動大暴動。
1967 年 5 月 13 日:香港暴動蔓延
暴動蔓延至黃大仙、土瓜灣等地,左派發動大規模城市恐怖主義行動。
1967 年 5 月- 6 月:香港左派學習「澳門經驗」
香港左派組織成員在澳門左派工聯會安排下,前往澳門參觀及學習當地左派鬥爭經驗,吸收「澳門經驗」。葉國謙與一批同學在澳門左派工聯會安排下前往澳門學習,直接導致香港六七暴動爆發。
1967 年 6 月:衝擊澳門英國領事館事件
受香港六七暴動影響,澳門左派繼續擴大反英抗暴鬥爭。6
月某日:澳門左派人士組織衝擊英國領事,要求英國政府回應香港六月份暴動事件。左派人士高唱紅歌、朗讀毛語錄,在英國領事館外張貼大字報及毛主席語錄,攻擊英國殖民統治。澳門英國領事館被迫關閉,英國政府召見澳門總督嘉樂庇,要求制止左派行動。此事件是「一二·三」事件後,澳門左派繼續肅清國民黨勢力、擴展所謂反英抗暴鬥爭的延續。
1967 年 7 月- 9 月:香港六七暴動全面爆發
香港左派發動連綿數月的反英抗暴行動,包括炸彈襲擊、遊行示威、罷工罷市。7 月 8 日:文錦渡事件,解放軍包圍警崗,港英警員被拘捕。8 月 22
日曾常批評左派活動的電台播音員林彬遭暗殺,在往香港電台上班途中被火燒襲擊身亡。
1967 年
9 月 7 日:北角事件
左派發動大規模暴動。
1967 年
12 月 24 日:香港邊境事件(沙頭角鎗戰)
解放軍與港英警員對峙。
1967 年 12 月:香港六七暴動結束
在香港政府強硬鎮壓及中間派調停下,左派暴動逐漸平息,六七暴動正式結束。官方統計:香港六七暴動造成80 多人死亡、至少2,000
人受伤、數千人被捕。
事件最終結果與歷史影響
香港六七暴動結果
•香港政府強硬鎮壓左派暴動
• 香港左派勢力衰退,但仍然保持一定影響力
• 香港社會進入「穩定時期」,為 1970 年代經濟繁榮奠定基礎
歷史連鎖影響
澳門「一二·三」事件間接促成香港六七暴動,香港左派來澳門借鑒「澳門經驗」,文化大革命的震波由此從中國大陸擴展至港澳地區。兩場事件都是由於中國大陸文化大革命震波引起的大規模群眾運動,雖然已經過了約兩代人,但這兩場事件的部分影響直到現在還在澳門及香港延續。
Appendix:
Timeline of
the "December 3 Incident" in Portuguese Macau and the 1967 "Leftist
Riots" in British Hong Kong
April 1966: Commencement of the application for Taipa Fong Chong School
extension
In April 1966, Taipa Fong Chong School rented the premises at Nos. 4, 6,
and 8 of Rua de Regedor to expand its campus. The school immediately
submitted an application for a construction permit to the Municipal
Council of the Islands in Taipa, but approval was delayed for a long
time.
May to October 1966: Period of prolonged negotiations During this
multi-month waiting period, school representatives met with the
President of the Municipal Council of the Islands 24 times to request
construction approval, but to no avail. Without obtaining the official
permit, the school proceeded to erect scaffolding and begin
construction, planting the seeds for subsequent conflicts.
November 15, 1966: Outbreak of the trigger event (The "Taipa Incident"
and the "November 15 Incident")
On November 15, 1966, Rui de Andrade, the acting President of the
Municipal Council of the Islands, discovered workers erecting
scaffolding. He dispatched personnel to stop them, leading to a standoff
that escalated into a clash between the police and the public. The
conflict resulted in dozens of injuries and 6 arrests, including a
reporter from the Macao Daily News. Around noon, the Macao Chamber of
Commerce sent representatives to negotiate; 4 people were detained
overnight and later released on bail with the assistance of Chui Tak-kei.
November 18, 1966: The School Construction Committee presented five
demands
The School Construction Committee officially put forward five demands:
(1) Punish the perpetrators; (2) Government shall not obstruct
schooling; (3) Compensate the injured for their losses; (4) Revoke the
judgments against those arrested; (5) Guarantee that similar incidents
will not recur.
November 22, 1966: Pro-Beijing groups condemned the incident Pro-Beijing
organizations in Macau held a symposium to strongly condemn the
police-civilian clash and threatened to launch a struggle.
November 25, 1966: The new Governor Nobre de Carvalho arrived in Macau
to assume office The newly appointed Governor of Macau, José Manuel de
Sousa Faro Nobre de Carvalho, officially arrived in Macau to assume
office, becoming the key figure in handling the subsequent events.
November 29, 1966: The Governor admitted improper handling Nobre de
Carvalho received representatives from the industrial and commercial
sectors, admitting that deploying the police was improper and promising
to establish an inquiry committee to investigate the incident.
November 30, 1966: Protest rally outside the Governor's Residence
Teachers and students from Hou Kong Middle School gathered outside the
Governor's Residence to protest. Over the following days, the number of
protestors swelled. Some held the Little Red Book and recited Quotations
from Chairman Mao, causing the protests to escalate gradually.
December 3, 1966: Large-scale bloody conflict (The main "December 3
Incident") At 12:00 PM, a large-scale conflict erupted in front of the
Governor's Residence. Leftists broke into the premises, singing
revolutionary songs, reading Mao's quotations, and overturning police
cars. After 3:00 PM, the crowd destroyed the commemorative statue of
Vicente Nicolau de Mesquita and threw it into the Inner Harbour,
vandalized the stone statue of Jorge Álvares, and stormed the City Hall
and the Notary Office. At 4:30 PM, the crowd moved toward the police
headquarters, where riot police fired tear gas and live ammunition. At
6:00 PM, the Governor declared martial law and imposed a curfew. In the
following days, several more people were fatally shot indiscriminately.
Official death toll: 8 people died (another source states 11 deaths),
212 were injured, and 40 to 62 were arrested.
December 9, 1966: The CCP demanded the shutdown of pro-Kuomintang
organizations by Portuguese Macau authorities The situation became
unfavorable for the Kuomintang side, and all major pro-Kuomintang
organizations stationed in Macau were ordered by the Portuguese
authorities to shut down.
December 10, 1966: Guangdong Foreign Affairs Office presented six
demands The Foreign Affairs Office of the Guangdong Provincial People's
Committee, together with pro-Beijing groups, presented six demands to
Governor Nobre de Carvalho, including an immediate admission of guilt
and the signing of an apology letter.
December 12, 1966: The Macau Government expressed total acceptance of
the demands The Secretariat of the Macau Government issued an
announcement stating that it would "accept in full" the demands put
forward by the Guangdong Foreign Affairs Office, and invited
representatives of pro-Beijing groups to a meeting on the 15th.
From December 21, 1966: Daily negotiations over the contents of the
apology letter The Portuguese Macau government was forced to send
representatives to Gongbei every day to negotiate the contents of the
apology letter with the Guangdong Foreign Affairs Office, with
negotiations continuing daily.
January 2, 1967: The Portuguese Macau government shut down Kuomintang
organizations
The Portuguese Macau government issued an announcement banning
activities hostile to the People's Republic of China, closed down all
Kuomintang organizations, and prohibited the display of the Blue Sky,
White Sun flag. The Kuomintang's influence in Macau was completely
eliminated.
January 20, 1967: Establishment of the "Committee for Studying Sanctions
against Portuguese Macau" Pro-Beijing groups decided to establish the
"Committee for Studying Sanctions against Portuguese Macau" to prepare
for further sanction actions.
January 24, 1967: Implementation of the "Three No's" policy and closure
of the Border Gate The "Three No's" policy was officially implemented:
(1) No tax payments; (2) No sale of goods to the government; (3) No
service provision to Portuguese officers and soldiers. Concurrently, the
Guangdong authorities closed the Border Gate (Portas do Cerco), cutting
off food and water supplies to Macau and imposing economic sanctions on
the territory.
January 27, 1967: The Portuguese Macau government issued a statement
admitting guilt and offering compensation The Macau government issued a
statement admitting guilt, apologizing, and undertaking all funeral
expenses and pension payments totaling MOP 2,058,424.
January 29, 1967: The Governor signed the apology letter, ending the
incident Governor Nobre de Carvalho signed the "Reply of the Macau
Government to the Protest Note Presented by Representatives of All
Sectors of Chinese Residents," formally admitting wrongdoing and
apologizing. This brought the "December 3 Incident" to a close.
Impact of the "December 3 Incident"
The Portuguese Macau government signed the apology letter, admitting
guilt and compensating the victims, which completely shattered the
governing prestige and authority of the Portuguese government in Macau.
Kuomintang influence was completely eradicated, causing the presence of
the Republic of China to vanish from Macau. The Communist Party gained
de facto control over Macau, and the leftists took deep root across all
social strata, an influence that persists to modern times. This incident
indirectly catalyzed the 1967 riots in neighboring Hong Kong, as Hong
Kong leftists visited Macau to absorb the "Macau experience," directly
leading to the outbreak of the 1967 anti-British and anti-persecution
struggles by Hong Kong leftists. The shockwaves of the Cultural
Revolution thus extended from mainland China into the Hong Kong and
Macau regions.
1966-1967: Continuation from the December 3 Incident into Hong Kong
May 6, 1967: Outbreak of the labor dispute at the Hong Kong Artificial
Flower Works in San Po Kong (Prelude to the 1967 Riots) A labor dispute
over unpaid wages erupted at a branch factory of the Hong Kong
Artificial Flower Works on Tai Yau Street, San Po Kong, Hong Kong. Riot
police arrived to suppress the protest, and workers threw glass bottles
and iron cans at the police, resulting in the arrest of 21
demonstrators. Leftist intervention: The Hong Kong Federation of Trade
Unions (FTU) intervened in a high-profile manner, posting Quotations
from Chairman Mao and big-character posters, politicizing the labor
dispute.
May 11, 1967: Bloody conflict in Hong Kong Bloody clashes broke out
again in San Po Kong, Hong Kong, with the police firing wooden baton
rounds. Leftist newspapers claimed that "3 workers were beaten to death
after being arrested."
May 12, 1967: Establishment of the "Struggle Committee" in Hong Kong The
Federation of Trade Unions announced the establishment of the "Hong Kong
and Kowloon Committee of People from All Walks of Life for Struggle
Against Persecution by the British Authorities in Hong Kong"
(abbreviated as the "Struggle Committee"), and the leftists began
launching full-scale riots.
May 13, 1967: The riots expanded in Hong Kong
The riots spread to Wong Tai Sin, To Kwa Wan, and other areas, as
leftists initiated large-scale urban terrorism actions.
May to June 1967: Hong Kong leftists learned from the "Macau experience"
Under the arrangement of the leftist Federation of Trade Unions in
Macau, members of Hong Kong leftist organizations traveled to Macau to
visit and learn from the local leftist struggle experience, absorbing
the "Macau experience." Ip Kwok-him and a group of students went to
Macau to study under the arrangement of the Macau leftist Federation of
Trade Unions, which directly led to the outbreak of the 1967 riots in
Hong Kong.
June 1967: Storming of the British Consulate in Macau Influenced by the
1967 riots in Hong Kong, Macau leftists continued to expand their
anti-British and anti-persecution struggles. On a certain day in June:
Macau leftists organized a storming of the British Consulate, demanding
that the British government respond to the riot incidents in Hong Kong
in June. Leftists sang revolutionary songs, read Mao's quotations,
posted big-character posters and Quotations from Chairman Mao outside
the British Consulate, and attacked British colonial rule. The British
Consulate in Macau was forced to close, and the British government
summoned Macau Governor Nobre de Carvalho, demanding a halt to the
leftist actions. This event was a continuation of the Macau leftists'
ongoing efforts to eradicate Kuomintang influence and extend the
so-called anti-British and anti-persecution struggle after the "December
3 Incident."
July to September 1967: Full-scale outbreak of the 1967 riots in Hong
Kong Hong Kong leftists launched months of anti-British and
anti-persecution campaigns, including bomb attacks, protest marches,
labor strikes, and market boycotts. July 8: The Man Kam To incident,
where the People's Liberation Army surrounded a police post, and British
Hong Kong police officers were detained. August 22: Lam Bun, a radio
commentator who frequently criticized leftist activities, was
assassinated; he was attacked and burned to death on his way to work at
Radio Hong Kong.
July to September 1967: Full-scale outbreak of the 1967 riots in Hong
Kong Hong Kong leftists launched months of anti-British and
anti-persecution campaigns, including bomb attacks, protest marches,
labor strikes, and market boycotts. July 8: The Man Kam To incident,
where the People's Liberation Army surrounded a police post, and British
Hong Kong police officers were detained. August 22: Lam Bun, a radio
commentator who frequently criticized leftist activities, was
assassinated; he was attacked and burned to death on his way to work at
Radio Hong Kong.
September 7, 1967: The North Point incident Leftists launched a
large-scale riot.
December 24, 1967: The Hong Kong border incident (Sha Tau Kok gun
battle) The People's Liberation Army and British Hong Kong police
officers faced off.
December 1967: End of the 1967 riots in Hong Kong Under the Hong Kong
government's forceful suppression and the mediation of centrists, the
leftist riots gradually subsided, and the 1967 riots officially ended.
Official statistics: The 1967 riots in Hong Kong resulted in over 80
deaths, at least 2,000 injuries, and thousands of arrests.
Final Outcomes and Historical Impact
Outcomes of the 1967 riots in Hong Kong
• The Hong Kong government forcefully suppressed the leftist riots
• Hong Kong leftist forces declined, but still maintained a certain
level of influence
• Hong Kong society entered a "period of stability," laying the
foundation for the economic prosperity of the 1970s
Historical Chain Impact
The "December 3 Incident" in Macau indirectly catalyzed the 1967 riots
in Hong Kong, as Hong Kong leftists visited Macau to draw on the "Macau
experience." The shockwaves of the Cultural Revolution thus extended
from mainland China into the Hong Kong and Macau regions. Both events
were large-scale mass movements triggered by the shockwaves of the
Cultural Revolution in mainland China. Although about two generations
have passed, part of the influence of these two events continues in
Macau and Hong Kong to this day.
Apêndice:
Cronologia
do "Incidente 1-2-3" em Macau Português e dos "Distúrbios de 1967" em
Hong Kong Britânico
Abril de 1966: Início do pedido de ampliação das instalações da Escola
Fong Chong da Taipa
Em abril de 1966, a Escola Fong Chong da Taipa arrendou os prédios n.º
4, 6 e 8 da Rua do Regedor com a intenção de ampliar o seu campus. A
escola requereu imediatamente a licença de construção junto da Câmara
Municipal das Ilhas na Taipa, mas a aprovação foi sucessivamente adiada.
Maio a outubro de 1966: Longo período de negociações Durante este
período de espera de vários meses, os representantes da escola reuniram-se
com o Presidente da Câmara Municipal das Ilhas 24 vezes para solicitar a
aprovação das obras, mas sem qualquer resultado. Sem ter obtido a
licença de construção, a escola procedeu à montagem de andaimes e
iniciou as obras, plantando as sementes para os conflitos que se
seguiriam.
15 de novembro de 1966: Deflagração do estopim (O "Incidente da Taipa" e
o "Incidente de 15 de Novembro")
Em 15 de novembro de 1966, Rui de Andrade, Presidente interino da Câmara
Municipal das Ilhas, descobriu que os operários estavam a erguer
andaimes e enviou funcionários para os impedir, o que gerou um impasse
que escalou para um confronto entre a polícia e a população. O conflito
resultou em dezenas de feridos e 6 detidos, incluindo um jornalista do
Macao Daily News. Por volta do meio-dia, a Associação Comercial de Macau
enviou representantes para negociar; 4 pessoas ficaram detidas durante a
noite, sendo posteriormente libertadas sob fiança com o apoio de Chui
Tak-kei.
18 de novembro de 1966: A Comissão de Construção da Escola apresentou
cinco exigências
A Comissão de Construção da Escola apresentou formalmente cinco
exigências: (1) Punição dos culpados; (2) Não obstrução do ensino por
parte do Governo; (3) Indemnização dos danos sofridos pelos feridos; (4)
Revogação das sentenças contra os detidos; (5) Garantia de que
incidentes semelhantes não voltem a ocorrer.
22 de novembro de 1966: Associações pró-Pequim condenaram o incidente As
associações pró-Pequim em Macau realizaram um simpósio para condenar
veementemente o confronto entre a polícia e o povo, ameaçando lançar uma
luta.
25 de novembro de 1966: O novo Governador Nobre de Carvalho chegou a
Macau para assumir o cargo O recém-nomeado Governador de Macau, José
Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, chegou oficialmente a Macau para
assumir as suas funções, tornando-se a figura-chave na gestão dos
acontecimentos subsequentes.
29 de novembro de 1966: O Governador admitiu uma gestão inadequada Nobre
de Carvalho recebeu representantes do setor industrial e comercial,
admitindo que o uso da força policial tinha sido inadequado e prometendo
criar uma comissão de inquérito para investigar o incidente.
30 de novembro de 1966: Manifestação em frente ao Palácio do Governador
Professores e alunos da Escola Hou Kong concentraram-se em frente ao
Palácio do Governador em protesto. Nos dias seguintes, o número de
manifestantes aumentou progressivamente, com pessoas a empunhar o Livro
Vermelho e a recitar as Citações do Presidente Mao, fazendo com que os
protestos escalassem gradualmente.
3 de dezembro de 1966: Confronto sangrento em grande escala (O evento
principal do "1-2-3") Às 12h00, eclodiu um confronto em grande escala em
frente ao Palácio do Governador. Elementos da fação de esquerda
invadiram o palácio, cantando canções revolucionárias, lendo citações de
Mao e capotando carros da polícia. Após as 15h00, a multidão destruiu a
estátua comemorativa de Vicente Nicolau de Mesquita, atirando-a ao Porto
Interior, vandalizou a estátua de pedra de Jorge Álvares e invadiu o
Leal Senado (Câmara Municipal) e a Repartição do Notariado. Às 16h30, a
multidão dirigiu-se ao comissariado de polícia, onde a polícia de choque
disparou gás lacrimogéneo e munições reais. Às 18h00, o Governador
declarou o estado de sítio e impôs o recolher obrigatório. Nos dias
seguintes, várias outras pessoas foram mortas a tiro indiscriminadamente.
Balanço oficial de mortos: 8 mortos (outra fonte aponta para 11 mortos),
212 feridos e entre 40 a 62 detidos.
9 de dezembro de 1966: O PCC exigiu que as autoridades coloniais
portuguesas encerrassem as instituições pró-Kuomintang A situação tornou-se
desfavorável para a fação do Kuomintang, e todas as principais
instituições pró-Kuomintang sediadas em Macau foram mandadas encerrar
pelas autoridades portuguesas.
10 de dezembro de 1966: O Gabinete de Assuntos Externos de Guangdong
apresentou seis exigências O Gabinete de Assuntos Externos do Comité
Popular Provincial de Guangdong, juntamente com as associações
pró-Pequim, apresentou seis exigências ao Governador Nobre de Carvalho,
incluindo a admissão imediata de culpa e a assinatura de uma declaração
de desculpa.
12 de dezembro de 1966: O Governo de Macau manifestou a aceitação total
das exigências A Secretaria do Governo de Macau emitiu um comunicado
informando que iria "aceitar integralmente" as exigências apresentadas
pelo Gabinete de Assuntos Externos de Guangdong, convidando os
representantes das associações pró-Pequim para uma reunião no dia 15.
A partir de 21 de dezembro de 1966: Negociações diárias sobre o conteúdo
da declaração de desculpa O governo português de Macau foi obrigado a
enviar representantes todos os dias a Gongbei para negociar o conteúdo
da declaração de desculpa com o Gabinete de Assuntos Externos de
Guangdong, prosseguindo as negociações diariamente.
2 de janeiro de 1967: O governo português de Macau encerrou as
instituições do Kuomintang
O governo português de Macau emitiu um bando proibindo atividades hostis
à República Popular da China, encerrou todas as instituições do
Kuomintang e proibiu a exibição da bandeira do Céu Azul e Sol Branco. A
influência do Kuomintang em Macau foi completamente eliminada.
20 de janeiro de 1967: Criação do "Grupo de Estudo de Sanções contra
Macau Português" As associações pró-Pequim decidiram criar o "Grupo de
Estudo de Sanções contra Macau Português", preparando-se para novas
ações de sanção.
24 de janeiro de 1967: Implementação da política dos "Três Nãos" e
encerramento das Portas do Cerco Foi formalmente executada a política
dos "Três Nãos": (1) Não pagar impostos; (2) Não vender bens ao governo;
(3) Não prestar serviços a oficiais e soldados portugueses.
Simultaneamente, as autoridades de Guangdong encerraram as Portas do
Cerco, proibindo o abastecimento de alimentos e água para Macau, impondo
sanções económicas ao território.
27 de janeiro de 1967: O governo português de Macau emitiu uma
declaração de admissão de culpa e indemnização O governo de Macau emitiu
uma declaração admitindo a culpa, pedindo desculpas e assumindo todas as
despesas de funeral e subsídios de indemnização, num total de 2.058.424
patacas.
29 de janeiro de 1967: O Governador assinou a declaração de desculpa,
terminando o incidente O Governador Nobre de Carvalho assinou a "Resposta
do Governo de Macau à Nota de Protesto Apresentada pelos Representantes
dos Residentes Chineses de Todos os Setores", admitindo formalmente o
erro e pedindo desculpas. O "Incidente 1-2-3" deu-se assim por concluído.
Impacto do "Incidente 1-2-3"
O governo português de Macau assinou a declaração de desculpa, admitindo
a culpa e indemnizando as vítimas, o que fez com que o prestígio e a
autoridade da governação portuguesa em Macau fossem completamente
destruídos. A influência do Kuomintang foi totalmente erradicada,
fazendo desaparecer a presença da República da China em Macau. A fação
comunista passou a exercer o controlo de facto sobre Macau, e a esquerda
enraizou-se profundamente em todas as camadas sociais até aos dias de
hoje, estendendo a sua influência até à era moderna. Este incidente
impulsionou indiretamente os distúrbios de 1967 na vizinha Hong Kong,
visto que a esquerda de Hong Kong se deslocou a Macau para absorver a "experiência
de Macau", levando diretamente à eclosão das ações de luta anti-britânica
e contra a perseguição por parte da esquerda de Hong Kong em 1967. As
ondas de choque da Revolução Cultural expandiram-se, assim, da China
Continental para as regiões de Hong Kong e Macau.
1966-1967: Continuação do Incidente 1-2-3 em Hong Kong
6 de maio de 1967: Eclosão do conflito laboral na Fábrica de Flores
Artificiais de Hong Kong em San Po Kong (Prelúdio dos Distúrbios de
1967) Eclodiu uma disputa laboral devido a salários em atraso numa
sucursal da Fábrica de Flores Artificiais de Hong Kong, localizada na
Rua Tai Yau, em San Po Kong, Hong Kong. A polícia de choque compareceu
para reprimir o protesto, e os operários atiraram garrafas de vidro e
latas de ferro contra a polícia, resultando na detenção de 21
manifestantes. Intervenção da esquerda: A Federação das Associações dos
Operários de Hong Kong (FTU) interveio de forma proeminente, afixando
Citações do Presidente Mao e cartazes de caracteres grandes (dazibao),
politizando a disputa laboral.
11 de maio de 1967: Confronto sangrento em Hong Kong Deflagraram
novamente confrontos sangrentos em San Po Kong, Hong Kong, tendo a
polícia disparado balas de bastão de madeira. Os jornais da fação de
esquerda alegaram que "3 operários foram espancados até à morte após
terem sido detidos".
12 de maio de 1967: Criação do "Comité de Luta" em Hong Kong A Federação
das Associações dos Operários anunciou a criação do "Comité dos
Operários de Todas as Indústrias de Hong Kong e Kowloon Contra a
Perseguição da Administração Britânica em Hong Kong" (abreviado como "Comité
de Luta"), e a esquerda começou a lançar os grandes distúrbios.
13 de maio de 1967: Alastramento dos distúrbios em Hong Kong
Os distúrbios alastraram-se a Wong Tai Sin, To Kwa Wan e outras zonas,
tendo a esquerda lançado ações de terrorismo urbano em grande escala.
Maio a junho de 1967: A esquerda de Hong Kong absorveu a "experiência de
Macau" Sob a coordenação da Associação Geral dos Operários de Macau (fação
de esquerda), membros de organizações da esquerda de Hong Kong
deslocaram-se a Macau para visitar e aprender com a experiência de luta
da esquerda local, absorvendo a "experiência de Macau". Ip Kwok-him e um
grupo de estudantes foram a Macau para estudar sob a organização da
Associação Geral dos Operários de Macau, o que levou diretamente à
eclosão dos distúrbios de 1967 em Hong Kong.
Junho de 1967: Incidente do assalto ao Consulado Britânico em Macau Sob
o impacto dos distúrbios de 1967 em Hong Kong, a esquerda de Macau
continuou a alargar a luta anti-britânica e contra a perseguição. Num
determinado dia de junho: Elementos da esquerda de Macau organizaram um
assalto ao Consulado Britânico, exigindo que o governo britânico
respondesse aos distúrbios ocorridos em Hong Kong em junho. Elementos da
fação de esquerda cantaram canções revolucionárias, leram citações de
Mao, afixaram cartazes de caracteres grandes (dazibao) e Citações do
Presidente Mao no exterior do Consulado Britânico, atacando o domínio
colonial britânico. O Consulado Britânico em Macau foi forçado a
encerrar, e o governo britânico chamou o Governador de Macau, Nobre de
Carvalho, exigindo a cessação das ações da esquerda. Este incidente foi
uma continuação das ações da esquerda de Macau após o "Incidente 1-2-3"
para continuar a erradicar a influência do Kuomintang e expandir a
chamada luta anti-britânica e contra a perseguição.
Julho a setembro de 1967: Eclosão total dos distúrbios de 1967 em Hong
Kong A esquerda de Hong Kong lançou meses consecutivos de ações anti-britânicas
e contra a perseguição, incluindo ataques à bomba, manifestações, greves
e boicotes aos mercados. 8 de julho: O incidente de Man Kam To, onde o
Exército de Libertação Popular cercou um posto policial e agentes da
polícia de Hong Kong Britânico foram detidos. 22 de agosto: Lam Bun, um
radialista que criticava frequentemente as atividades da esquerda, foi
assassinado, tendo sido atacado com fogo e morto a caminho do trabalho
na Radio Television Hong Kong.
Julho a setembro de 1967: Eclosão total dos distúrbios de 1967 em Hong
Kong A esquerda de Hong Kong lançou meses consecutivos de ações anti-britânicas
e contra a perseguição, incluindo ataques à bomba, manifestações, greves
e boicotes aos mercados. 8 de julho: O incidente de Man Kam To, onde o
Exército de Libertação Popular cercou um posto policial e agentes da
polícia de Hong Kong Britânico foram detidos. 22 de agosto: Lam Bun, um
radialista que criticava frequentemente as atividades da esquerda, foi
assassinado, tendo sido atacado com fogo e morto a caminho do trabalho
na Radio Television Hong Kong.
7 de setembro de 1967: O incidente de North Point A esquerda lançou
distúrbios em grande escala.
24 de dezembro de 1967: Incidente na fronteira de Hong Kong (Tiroteio de
Sha Tau Kok) O Exército de Libertação Popular e os agentes da polícia de
Hong Kong Britânico confrontaram-se.
Dezembro de 1967: Fim dos distúrbios de 1967 em Hong Kong Sob a forte
repressão do governo de Hong Kong e a mediação de fações moderadas, os
distúrbios da esquerda acalmaram progressivamente, dando-se os
distúrbios de 1967 por oficialmente terminados. Balanço oficial: Os
distúrbios de 1967 em Hong Kong causaram mais de 80 mortos, pelo menos
2.000 feridos e milhares de detidos.
Resultado Final e Impacto Histórico
Resultado dos distúrbios de 1967 em Hong Kong
• O governo de Hong Kong reprimiu duramente os distúrbios da esquerda
• As forças da esquerda de Hong Kong enfraqueceram, mas mantiveram uma
certa influência
• A sociedade de Hong Kong entrou num "período de estabilidade",
lançando as bases para a prosperidade económica da década de 1970
Impacto Histórico em Cadeia
O "Incidente 1-2-3" em Macau impulsionou indiretamente os distúrbios de
1967 em Hong Kong, tendo a esquerda de Hong Kong recorrido a Macau para
se basear na "experiência de Macau". As ondas de choque da Revolução
Cultural expandiram-se, assim, da China Continental para as regiões de
Hong Kong e Macau. Ambos os acontecimentos foram movimentos de massas em
grande escala desencadeados pelas ondas de choque da Revolução Cultural
na China Continental. Embora já tenham passado cerca de duas gerações,
parte do impacto destes dois incidentes continua a fazer-se sentir em
Macau e em Hong Kong até aos dias de hoje.


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