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 The 60th Anniversary of the "12 - 3Incident ", Macau

60º Aniversário do Incidente de 3 de Dezembro de 1966, Macau

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Volume  I

Volume  I

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This special feature is dedicated to the memory of the victims of the "December 3rd Incident"

Cognitio Sapiens Ngensis, June 6, 2026



Este especial é dedicado à memória das vítimas do "Incidente de 3 de Dezembro"

Cognitio Sapiens Ngensis, 6 de Junho de 2026

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Dedicated to the deceased: May you rest in peace

Dedicado aos falecidos: Que descansem em paz

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The victims of the "December 3rd Incident" in Macau (Dates of death: December 3¡V4, 1966)
Wong Chak Song, Lau Man Yam, Ng Siu Hoi, Pou Jat Ming, Gong Gwok Ming, Hui Man On, Yu Kwok Ping, Chan Sou
(Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

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As vítimas do "Incidente de 3 de Dezembro" em Macau (Datas do falecimento: 3 a 4 de Dezembro de 1966)
Wong Chak Song, Lau Man Yam, Ng Siu Hoi, Pou Jat Ming, Gong Gwok Ming, Hui Man On, Yu Kwok Ping, Chan Sou
(Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)


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Volume I: The Rising Wind: Causes and Conflicts of the "12-3 Incident"

Vol. 1 Ventos em Turbilhão ¡V O Prelúdio do Incidente 1-2-3 de Macau (1966)


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About the "12-3 Incident" Historical Photo Colorization Project

The Reality of Scant Data and a Fading History

In conducting historical research on the "12-3 Incident" (December 3, 1966), we deeply felt the severe lack of data and archives. Official documents, news reports, and visual records are extremely limited, leaving many crucial details impossible to verify. To some extent, this piece of history has been deliberately downplayed, forgotten, or even shielded from deep discussion over the past decades. As a result, the materials available for research are scarce. This is not just a loss of data, but a rupture in collective memory. The life stories of many victims are now difficult to confirm, and the specific details of many events can only be pieced together from sporadic oral accounts and fragmented documents. For researchers, this is a frustrating reality; for the general public, it is a barrier to a comprehensive understanding of history.

Using AI Technology to Colorize Historical Photos

Against this backdrop, the  Cognitio Sapiens Ngensis Group decided to try using modern AI technology to colorize surviving historical photos of the "12-3 Incident". We hope that this approach will make this history visually more distinct. This allows the public to gain a more vivid and concrete experience than traditional black-and-white photos provide when reading and learning about the event. While black-and-white photos are authentic records of history, they often create a sense of distance between the viewer and that specific time and space. Although the AI-colorized images do not fully restore the history's original appearance, they can help readers intuitively feel the scenes, people, and atmosphere of the time, thereby enhancing understanding and empathy for these historical events.

Research Limitations and an Earnest Reminder

However, we must earnestly clarify that due to the severe shortage of information, errors or inaccuracies are inevitable during the research and colorization process. AI colorization is based on existing data and algorithmic speculation; it is not an absolutely objective historical restoration. Certain colors, details, and backgrounds may differ from the actual conditions of the time.
Therefore, the images and research content presented in this project are for reference and learning purposes only. They do not represent a completely accurate historical reproduction. We sincerely urge readers to bear these limitations in mind and view these materials with a critical mindset.

Our Hope

Despite the scarcity of data and the fact that history has been faded by time, we still hope that this attempt can contribute a small amount of effort to the historical research and public education of the "12-3 Incident". May this history no longer be entirely forgotten, may the sacrifices of the eight victims no longer fade from memory, and may more people understand this crucial historical turning point in Macau. Documentation is never just about looking back at the past; it is an act of defiance against forgetting. ( Cognitio Sapiens Ngensis, June 4, 2026)

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Notas de Investigação sobre o Projecto de Colorização de Fotos Históricas do "Incidente 1-2-3"

Sobre o Projecto de Colorização de Fotos Históricas do "Incidente 1-2-3"

A Realidade da Escassez de Dados e de uma História Esquecida

Ao conduzir a investigação histórica sobre o "Incidente 1-2-3" (3 de Dezembro de 1966), sentimos profundamente a grave falta de dados e arquivos. Os documentos oficiais, as reportagens jornalísticas e os registos visuais são extremamente limitados, tornando impossível a verificação de muitos detalhes cruciais. Até certo ponto, esta parte da história foi deliberadamente minimizada, esquecida ou até evitada de ser discutida em profundidade ao longo das últimas décadas. Consequentemente, os materiais disponíveis para investigação são muito escassos. Isto não é apenas uma perda de dados, mas sim uma ruptura na memória colectiva. As histórias de vida de muitas vítimas são hoje difíceis de confirmar, e os detalhes específicos de muitos acontecimentos só podem ser reunidos a partir de relatos orais esporádicos e documentos fragmentados. Para os investigadores, esta é uma realidade frustrante; para o público em geral, é uma barreira para uma compreensão abrangente da história.

Utilização da Tecnologia de IA para Colorir Fotos Históricas

Neste contexto, o Grupo de Investigação Gewu decidiu tentar utilizar a tecnologia moderna de IA para colorir as fotos históricas sobreviventes do "Incidente 1-2-3". Esperamos que esta abordagem torne esta história visualmente mais nítida. Isto permite que o público obtenha uma experiência mais viva e concreta do que as tradicionais fotos a preto e branco proporcionam ao ler e aprender sobre o evento. Embora as fotos a preto e branco sejam registos autênticos da história, muitas vezes criam uma sensação de distanciamento entre o observador e aquele tempo e espaço específicos. Embora as imagens coloridas por IA não restaurem totalmente a aparência original da história, podem ajudar os leitores a sentir intuitivamente os cenários, as pessoas e a atmosfera da época, aumentando assim a compreensão e a empatia por estes acontecimentos históricos.

Limitações da Investigação e um Alerta Sincero

No entanto, devemos esclarecer sinceramente que, devido à grave escassez de informação, são inevitáveis erros ou imprecisões durante o processo de investigação e colorização. A colorização por IA baseia-se em dados existentes e em especulações algorítmicas; não é uma restauração histórica absolutamente objectiva. Certas cores, detalhes e fundos podem diferir das condições reais da época.

Por conseguinte, as imagens e os conteúdos de investigação apresentados neste projecto servem apenas para fins de referência e aprendizagem. Não representam uma reprodução histórica totalmente exacta. Solicitamos sinceramente aos leitores que tenham em conta estas limitações e que analisem estes materiais com uma atitude de pensamento crítico.

O Nosso Desejo

Apesar da escassez de dados e do facto de a história ter sido desbotada pelo tempo, esperamos ainda que esta tentativa possa dar um pequeno contributo para a investigação histórica e educação pública do "Incidente 1-2-3". Que esta história não seja totalmente esquecida, que os sacrifícios das oito vítimas não desapareçam da memória, e que mais pessoas possam compreender este ponto de viragem crucial na história de Macau. Registar nunca é apenas olhar para o passado, é um acto de resistência contra o esquecimento. ( Cognitio Sapiens Ngensis, 4 de Junho de 2026)

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The ground zero of the police-civilian clash in Taipa, Macau, on November 15, 1966 ¡V the former site of the Taipa Fong Chong School (on the right). (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

O ponto de origem do confronto entre a polícia e os residentes na Taipa, Macau, em 15 de Novembro de 1966 ¡V o antigo local da Escola Fong Chong da Taipa (à direita). (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)


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Introduction:

If the Macanese Portuguese government were described as a nest of wasps that could sting people to death,  Chinese Communist Party (CCP) from the Cultural Revolution-era was the 'Keyman' who knocked that wasps' nest down

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Introdução:

Se o governo português de Macau fosse descrito como um ninho de vespas capaz de matar pessoas com as suas picadas, o Partido Comunista Chinês (PCC) da época da Revolução Cultural seria o "homem-chave" que derrubou este ninho de vespas.

 
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The burial site of the victims of the 1966 "12-3 Incident" in Macau. From left: Ng Siu-hoi, Gong Guoming, Lau Man-yam. (Image source: Acta Scientrium Ngensis 2026)

O local de sepultamento das vítimas do "Incidente 1-2-3" de 1966 em Macau. Da esquerda para a direita: Ng Siu-hoi, Gong Guoming, Lau Man-yam. (Fonte da imagem: Acta Scientrium Ngensis 2026)
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The consensus understanding of the "12-3 Incident" within Western academia: The event is described as a political demonstration and riot inspired by the Cultural Revolution against Portuguese colonial rule, leaving 8 people dead and over 200 injured. The incident marked the de facto end of Portuguese rule in Macau, after which the Portuguese side recognized the CCP's de facto dominance over Macau. Similar to the 1967 "Leftist Riots" in Hong Kong, both events involved leftist organizations capitalizing on the storm of the Cultural Revolution and introducing Cultural Revolution-style struggle tactics in an attempt to seize power from the colonial governments. However, while the Macanese Portuguese government chose to apologize and compromise, the British authorities in Hong Kong persisted in suppressing the unrest, leading to different subsequent development trajectories for the two territories.

On December 3, 1966, large-scale unrest broke out in Macau, known historically as the "12-3 Incident." This event was not only a turning point in Macau's colonial history but also a historical microcosm where the currents of the Cold War, decolonization, and the Cultural Revolution converged. Using a metaphor to imagine Macau at that time, one could say: the Macanese Portuguese government was like a nest of wasps that could sting people to death, while the Cultural Revolution-era CCP was the one who knocked that wasps' nest down. Caught in the middle, Macau appeared particularly unfortunate.

I. The Macanese Portuguese Government: Wasps That Could Sting People to Death
Portuguese colonial rule in Macau spanned over four hundred years. By the 1960s, although "peaceful governance" was maintained on the surface, Chinese society suffered from long-standing institutional discrimination. Portuguese officials held core power, while the Chinese population remained disadvantaged in political, economic, and social status. Investment in education, healthcare, and infrastructure in the Coloane and Taipa regions was severely inadequate. A dispute over the unauthorized expansion of a school in Taipa managed to escalate rapidly into a large-scale protest, precisely reflecting long-accumulated public resentment. On December 3, 1966, a large crowd holding Quotations from Chairman Mao Tse-tung stormed the Governor's Palace. The Macanese Portuguese government deployed military and police forces to suppress them, leaving 8 people dead and over 200 injured. This scene was like wasps striking back with venomous stings after being disturbed. To many Macau Chinese, the oppression and coldness of the Portuguese colonial government did indeed resemble a nest of wasps that could sting people to death.

II. The CCP: The One Who Knocked Down the Wasps' Nest
However, the party who knocked down the wasps' nest was by no means innocent either. The Cultural Revolution broke out in May 1966, and the Red Guard movement rapidly surged, causing Cultural Revolution-style language and tactics to spill outward. Under the leadership of the CCP Hong Kong and Macau Work Committee (Xinhua News Agency Hong Kong Branch), leftist organizations in Macau introduced tactics such as big-character posters, struggle sessions, and intimidation to pressure the Macanese Portuguese government. Yet, the CCP's role was not merely that of Cultural Revolution radicals. Research from foreign academia points out that the essence of the "12-3 Incident" was a hybrid of "anti-colonialism + anti-Kuomintang (KMT) + Cultural Revolution-style struggle." One of the CCP's core objectives during the incident was to purge KMT influence from Macau. Ultimately, the Macanese Portuguese government was forced to shut down all KMT organizations and deport 7 KMT "spies" back to the mainland, completely wiping out KMT influence in Macau. This signifies that the one who knocked down the wasps' nest was not just a radical of the Cultural Revolution, but also a victor in the Nationalist-Communist struggle, utilizing the wave of the Cultural Revolution to clear out the KMT's final stronghold in Macau.


III. Macau: The Misfortune of Being Caught in the Crossfire
Macau's misfortune lay not only in being squeezed between the wasps and the one who knocked down their nest, but also in being simultaneously swept into multiple historical torrents, including the Cold War, decolonization, the Cultural Revolution, the Nationalist-Communist struggle, and Portuguese colonial policy. From the perspective of the Cold War, Macau was a frontline where the Western and Socialist camps intersected. From the perspective of decolonization, the 1960s marked the peak of independence movements across African and Asian colonies; though Macau did not achieve formal independence, the Chinese community's discontent with colonial rule mirrored this global trend of decolonization. From the perspective of the Cultural Revolution, the Red Guard movement and its political rhetoric rapidly spread from the mainland to Hong Kong and Macau, heavily influencing the mobilization strategies of leftist organizations. From the perspective of the Nationalist-Communist struggle, one of the core objectives of the "12-3 Incident" was to purge Kuomintang (KMT) influence from Macau, thereby establishing the Chinese Communist Party's (CCP) exclusive political dominance. From the perspective of Portuguese colonial policy, the central government in Lisbon held limited control over its Far Eastern colony. Furthermore, the outbreak of the Portuguese Colonial War in Africa in 1961 strategically marginalized Macau, ultimately prompting Lisbon to choose apology and compromise over resolute suppression.

IV. Consequences of the Incident: Wasps Lose Power, the Nest Changes Hands
Following the incident, the Macanese Portuguese government not only apologized but also agreed to shut down all KMT organizations and deport KMT "spies" back to mainland China. Carmen Amado Mendes, a scholar from the University of Coimbra in Portugal, points out that the moment the Macanese Portuguese authorities accepted the protesters' conditions in 1967 marked the de facto failure of Portugal's exercise of sovereignty¡Xthe loss of its de facto sovereignty over Macau. This implies that while Macau legally remained a Portuguese colony prior to 1967, following the 1967 compromise, it effectively became a political entity dominated by the CCP. Portugal retained only nominal sovereignty until the official handover in 1999.

V. Macau Swept into the Torrents of History
Macau's misfortune lay not only in being squeezed between the wasps and the one who knocked down their nest, but also in being simultaneously swept into multiple historical torrents. The Macanese Portuguese government was like a nest of wasps that could sting people to death, while the Cultural Revolution-era CCP was the one who knocked that wasps' nest down. Caught in the middle, Macau appeared particularly unfortunate. Yet, the complexity of history lies not in black-and-white oppositions, but in multilayered, intertwined conflicts and compromises. The "12-3 Incident" is the finest microcosm of this complexity: it was both an anti-colonial struggle and a continuation of the Nationalist-Communist conflict; it was an spillover of the Cultural Revolution, as well as a convergence of the Cold War and decolonization. Macau's misfortune serves as a poignant microcosm of how small places bear the brunt of macro-eras within the torrents of human history.


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A compreensão de consenso da academia ocidental sobre o "Incidente 1-2-3": O evento é descrito como uma manifestação política e um motim inspirados pela Revolução Cultural contra o domínio colonial português, resultando em 8 mortos e mais de 200 feridos. O incidente marcou o fim substancial do domínio de Portugal em Macau, após o qual o lado português reconheceu o domínio factual do PCC sobre Macau. Semelhante aos "Distúrbios de 1967" em Hong Kong, ambos os casos envolveram organizações de esquerda que aproveitaram a tempestade da Revolução Cultural e introduziram métodos de luta ao estilo da Revolução Cultural, na tentativa de tomar o poder dos governos coloniais; no entanto, a administração portuguesa de Macau optou por pedir desculpas e ceder, enquanto as autoridades britânicas de Hong Kong insistiram em reprimir a agitação, resultando em trajectórias de desenvolvimento subsequentes diferentes para os dois territórios.

Em 3 de Dezembro de 1966, eclodiram distúrbios em grande escala em Macau, historicamente conhecidos como o "Incidente 1-2-3". Este acontecimento não foi apenas um ponto de viragem na história colonial de Macau, mas também um microcosmo histórico onde se cruzaram as correntes da Guerra Fria, da descolonização e da vaga da Revolução Cultural. Usando uma metáfora para imaginar Macau naquela época, poder-se-ia dizer: o Governo Português de Macau era como um ninho de vespas capaz de picar alguém até à morte, enquanto o PCC da era da Revolução Cultural era a pessoa que derrubou esse ninho. Macau, encurralado no meio, parecia particularmente infeliz.

I. A Administração Portuguesa de Macau: Vespas Capazes de Picar Até à Morte

O domínio colonial de Portugal em Macau durou mais de quatrocentos anos. Na década de 1960, embora se mantivesse uma "governação pacífica" à superfície, a sociedade chinesa sofria há muito tempo de uma discriminação institucional. Os funcionários portugueses detinham o poder central, enquanto os chineses se encontravam em desvantagem em termos políticos, económicos e de estatuto social. O investimento na educação, saúde e infra-estruturas nas zonas de Coloane e Taipa era gravemente insuficiente. Uma disputa sobre a expansão ilegal de uma escola na Taipa conseguiu escalar rapidamente para um protesto em grande escala, reflectindo precisamente o descontentamento popular acumulado ao longo de muito tempo. Em 3 de Dezembro de 1966, uma grande multidão empunhando as Citações do Presidente Mao invadiu o Palácio do Governador. O Governo Português de Macau mobilizou forças militares e policiais para reprimir os manifestantes, resultando em 8 mortos e mais de 200 feridos. Esta cena foi como vespas a ripostar com picadas venenosas após terem sido perturbadas. Para muitos chineses de Macau, a opressão e a indiferença do governo colonial português assemelhavam-se, de facto, a um ninho de vespas capaz de picar alguém até à morte.

II. O PCC: Aquele Que Derrubou o Ninho de Vespas
No entanto, a parte que derrubou o ninho de vespas também não era inocente. A Revolução Cultural eclodiu em Maio de 1966, e o movimento dos Guardas Vermelhos cresceu rapidamente, fazendo com que a linguagem e as tácticas ao estilo da Revolução Cultural começassem a transbordar para o exterior. Sob a liderança do Comité de Trabalho de Hong Kong e Macau do PCC (Agência de Notícias Xinhua - Filial de Hong Kong), as organizações de esquerda de Macau introduziram métodos como cartazes de caracteres grandes (Dazibao), sessões de denúncia e coação para pressionar o Governo Português de Macau. Contudo, o papel do PCC não foi meramente o de radicais da Revolução Cultural. Estudos da academia estrangeira apontam que a essência do "Incidente 1-2-3" foi um híbrido de "anti-colonialismo + anti-Kuomintang (KMT) + luta ao estilo da Revolução Cultural". Um dos objectivos centrais do PCC no incidente foi purgar a influência do KMT em Macau. Eventualmente, o Governo Português de Macau foi forçado a encerrar todas as instituições do KMT e a deportar 7 "espiões" do KMT de volta para o interior da China, fazendo com que a influência do KMT desaparecesse por completo de Macau. Isto significa que aquele que derrubou o ninho de vespas não foi apenas um radical da Revolução Cultural, mas também o vencedor na luta entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista, utilizando a vaga da Revolução Cultural para eliminar o último reduto do KMT em Macau.


III. Macau: A Infelicidade de Estar Encurralado no Fogo Cruzado
A infelicidade de Macau não residiu apenas em estar encurralado entre as vespas e a pessoa que derrubou o seu ninho, mas também em ter sido arrastado simultaneamente por múltiplas torrentes históricas, tais como a Guerra Fria, a descolonização, a Revolução Cultural, a luta entre o Partido Nacionalista e o Partido Comunista, e a política colonial portuguesa. Sob a perspectiva da Guerra Fria, Macau era uma linha da frente onde se cruzavam os blocos ocidental e socialista. Sob a perspectiva da descolonização, a década de 1960 foi o auge dos movimentos de independência nas colónias africanas e asiáticas; embora Macau não tenha alcançado a independência formal, o descontentamento da sociedade chinesa face ao domínio colonial reflectia esta tendência global de descolonização. Sob a perspectiva da Revolução Cultural, o movimento dos Guardas Vermelhos e a sua retórica política espalharam-se rapidamente do interior da China para Hong Kong e Macau, influenciando fortemente as estratégias de mobilização das organizações de esquerda. Sob a perspectiva da luta entre os Nacionalistas e os Comunistas, um dos objectivos centrais do "Incidente 1-2-3" foi purgar a influência do Kuomintang (KMT) em Macau, estabelecendo assim a dominância política exclusiva do Partido Comunista Chinês (PCC). Sob a perspectiva da política colonial portuguesa, o governo central de Lisboa detinha um controlo limitado sobre a sua colónia no Extremo Oriente. Além disso, o eclodir da Guerra Colonial Portuguesa em África em 1961 marginalizou estrategicamente Macau, levando a que a administração optasse por um pedido de desculpas e compromisso em vez de uma repressão firme.

IV. Consequências do Incidente: As Vespas Perdem o Poder, o Ninho Muda de Mãos
Após o incidente, o Governo Português de Macau não só pediu desculpas, como também concordou em encerrar todas as instituições do KMT e deportar os "espiões" do KMT de volta para o interior da China. Carmen Amado Mendes, académica da Universidade de Coimbra em Portugal, assinala que o momento em que as autoridades portuguesas de Macau aceitaram as condições dos manifestantes, em 1967, marcou a falha factual do exercício da soberania de Portugal ¡X ou seja, a perda da sua soberania de facto sobre Macau. Isto significa que, embora Macau continuasse a ser juridicamente uma colónia portuguesa antes de 1967, após o compromisso de 1967, tornou-se efectivamente uma entidade política dominada pelo PCC, tendo Portugal retido apenas a soberania nominal até à transferência oficial em 1999.

V. Macau Arrastado pelas Torrentes da História
A infelicidade de Macau não residiu apenas em estar encurralado entre as vespas e a pessoa que derrubou o seu ninho, mas também em ter sido arrastado simultaneamente por múltiplas torrentes históricas. O Governo Português de Macau era como um ninho de vespas capaz de picar alguém até à morte, enquanto o PCC da era da Revolução Cultural era a pessoa que derrubou esse ninho. Macau, encurralado no meio, parecia particularmente infeliz. Contudo, a complexidade da história não reside em oposições a preto e branco, mas sim em conflitos e compromissos sobrepostos e entrelaçados. O "Incidente 1-2-3" é o reflexo perfeito desta complexidade: foi tanto uma luta anti-colonial como a continuação do conflito entre Nacionalistas e Comunistas; foi um transbordo da Revolução Cultural, bem como o cruzamento da Guerra Fria e da descolonização. A infelicidade de Macau serve como um microcosmo comovente de como as pequenas localidades sofrem o impacto das grandes eras nas torrentes da história humana.

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Commemorative medal from the Grand Rally of All Walks of Life in Macau Celebrating the 19th Anniversary of the Founding of the People's Republic of China (Obverse), which was also a product of the Cultural Revolution's influence expanding into Macau. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Medalha comemorativa do Grande Comício de Todos os Sectores de Macau em Celebração do 19.º Aniversário da Fundação da República Popular da China (Anverso), que foi também um produto da influência da Revolução Cultural em Macau. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)


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The Shift in Macau's Society Under the Influence of the Cultural Revolution in 1966

 Viragem na Sociedade de Macau Sob a Influência da Vaga da Revolução Cultural em 1966

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Rui de Andrade (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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The Taipa Incident, which occurred on November 15, 1966, served as the fuse for the "12-3 Incident" in Macau. The background to this event was the severe lack of schooling options for children in the Taipa region during the early 1960s, which prompted local workers and neighborhood organizations to band together to establish a school. Raising funds on their own, the residents formed the "Preparatory Committee for the Construction of the Taipa Residents' School" and applied to the Macanese Portuguese authorities for permission to expand the school premises. Despite following up 24 times, they never received a response. While waiting for the permit, workers went ahead with erecting bamboo scaffolding to convert a dilapidated building into school classrooms. That morning, Rui de Andrade, the acting administrator of the Municipal Council of the Islands, noticed the bamboo scaffolding erected in front of the Taipa Fong Chong School on his way to work. He immediately dispatched police officers to halt the school expansion project on the grounds that it lacked official approval. The workers carried on with their labor, ignoring the police's warnings. Andrade later recalled in an interview that he did not know what the workers were doing at the time. He believed that the workers' refusal to comply after police warnings was a flagrant violation of the law. Feeling that the workers showed a complete disregard for his authority, he ordered the arrests.

The situation escalated immediately as the Macanese Portuguese riot squad deployed and used force to beat the crowd at the scene. The incident left 24 people injured and 6 arrested, including members of the Vegetable Farmers' Union, the Firecrackers' Union, and a reporter from the Macao Daily News. Multiple casualties sustained head injuries, and the reporter was detained for up to two hours. This was viewed as a quintessential case of the Portuguese colonial authorities' long-standing neglect of Chinese educational needs¡Xwhere residents funded their own school only to be ignored and delayed by officials, and ultimately met with violence when attempting to build it. Following the incident, the "Preparatory Committee for the Construction of the Taipa Residents' School" presented five demands to the Macanese Portuguese government, including the severe punishment of the perpetrators. However, public resentment spread rapidly. Pro-Beijing associations launched protests, triggering city-wide strikes among workers and merchants across Macau. Every day, massive crowds gathered outside the Governor's Palace to protest, causing the situation to spiral out of control. By December 3, the protests erupted into large-scale riots that left 8 people dead and over 200 injured, becoming historically known as the "12-3 Incident."

Under intense political pressure from the Chinese side at the time, the Macanese Portuguese government had to dismiss and deport the officials directly responsible for the incident to quell the unrest. On December 16, 1966, Governor José Nobre de Carvalho announced the replacement of several officials, including Military Commander Schmidt, Macau Police Chief Frutuoso, Island Municipal Council Administrator Rui de Andrade, and Island Police Chief Antoni. As the official who had directly ordered the arrests that led to the bloodshed, Andrade became the primary target for removal. The inside story of Andrade being "forced to return to Portugal" reveals that it was not a voluntary resignation but a political disposal. Having lost its authority, the Macanese Portuguese government had to sacrifice these officials to trade for stability and show goodwill to Beijing. Dismissing and deporting those directly responsible was the result of a political compromise between Guangdong and Macau. This incident thoroughly reshaped Macau's political landscape; the governing authority of the Macanese Portuguese government collapsed, and pro-Beijing leftist forces dominated Macau society from then on¡Xa political structure that persisted until Macau's handover to China. The Andrade incident became a major turning point in Macau's colonial history, marking the substantive decline of Portuguese rule over Macau.

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O Incidente da Taipa, ocorrido em 15 de Novembro de 1966, serviu de estopim para o "Incidente 1-2-3" em Macau. O contexto deste acontecimento prende-se com o facto de, no início da década de 1960, a falta de escolaridade para as crianças na zona da Taipa ser um problema grave, o que levou os trabalhadores e moradores locais a organizarem-se para fundar uma escola. Os residentes angariaram fundos próprios e criaram a "Comissão Preparatória para a Construção da Escola dos Moradores da Taipa", solicitando às autoridades portuguesas de Macau a aprovação para a expansão das instalações escolares, tendo realizado diligências por 24 vezes sem nunca obter resposta. Enquanto aguardavam pela licença, os trabalhadores avançaram com a montagem de andaimes de bambu para transformar uma casa degradada em instalações escolares. Naquela manhã, Rui de Andrade, administrador interino da Câmara Municipal das Ilhas, a caminho do trabalho, deparou-se com os andaimes montados em frente à Escola Fong Chong da Taipa. De imediato, enviou a polícia para travar as obras de expansão sob o pretexto de falta de autorização. Os trabalhadores continuaram a trabalhar, ignorando a advertência policial. Mais tarde, numa entrevista, Rui de Andrade recordou que, na altura, não sabia o que os trabalhadores estavam a fazer e considerou que a insistência deles após o aviso da polícia constituía uma violação flagrante da lei. Sentindo que os trabalhadores desrespeitavam totalmente a sua autoridade, ordenou a detenção dos mesmos.

A situação agravou-se de imediato com a intervenção do corpo de polícia anti-motim de Macau, que recorreu à força física para agredir a multidão no local. O incidente resultou em 24 feridos e 6 detidos, incluindo membros do Sindicato dos Produtores de Hortaliças, do Sindicato dos Operários de Fogo-de-Artifício e um jornalista do Diário de Macau. Vários feridos sofreram lesões cranianas e o jornalista ficou retido por duas horas. Este caso foi visto como um exemplo típico da negligência prolongada das autoridades portuguesas face às necessidades educativas da população chinesa ¡X onde os residentes financiaram a própria escola, mas enfrentaram a inércia e o adiamento oficial, culminando no uso da violência para impedir a construção. Após o sucedido, a "Comissão Preparatória para a Construção da Escola dos Moradores da Taipa" apresentou cinco exigências ao Governo de Macau, incluindo a punição severa dos culpados. No entanto, o descontentamento popular alastrou-se rapidamente. As associações pró-Pequim lançaram protestos, desencadeando greves e o encerramento do comércio em toda a Macau. Diariamente, grandes multidões concentravam-se em frente ao Palácio do Governador para protestar, provocando uma escalada contínua. Em 3 de Dezembro, os protestos degeneraram em distúrbios de grande escala, que causaram 8 mortos e mais de 200 feridos, ficando para a história como o célebre "Incidente 1-2-3".

Sob a pressão política da parte chinesa na altura, e para acalmar os tumultos, o Governo de Macau viu-se obrigado a exonerar e expulsar do território os responsáveis directos pelo incidente. Em 16 de Dezembro de 1966, o Governador José Nobre de Carvalho anunciou a substituição de vários funcionários, incluindo o Comandante Militar Schmidt, o Comandante da Polícia de Macau Frutuoso, o Administrador do Município das Ilhas Rui de Andrade e o Comandante da Polícia das Ilhas Antoni. Como o funcionário que ordenara directamente as detenções que conduziram ao derramamento de sangue, Rui de Andrade tornou-se o principal alvo de exoneração. Os bastidores que levaram Rui de Andrade a ser "forçado a regressar a Portugal" revelam que não se tratou de uma demissão voluntária, mas sim de uma resolução política. O Governo de Macau já tinha perdido a sua autoridade e precisava de sacrificar estes quadros para recuperar a estabilidade e demonstrar boa vontade a Pequim. A exoneração e expulsão destes responsáveis directos foi o resultado de um compromisso político entre Guangdong e Macau. Este incidente alterou profundamente o panorama político de Macau; o prestígio e a autoridade da governação portuguesa desmoronaram-se, e as forças de esquerda pró-Pequim passaram a dominar a sociedade de Macau desde então ¡X uma estrutura política que se manteve até à transferência de soberania para a China. O caso de Rui de Andrade tornou-se um ponto de viragem crucial na história colonial de Macau, marcando o declínio substantivo do domínio português sobre o território.

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The Critical Turning Point of the Taipa School Construction Conflict

O Ponto de Viragem Crucial no Conflito da Construção da Escola da Taipa

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A view from the high ground of the Our Lady of Carmel Church looking towards the construction site of the Taipa Fong Chong School, where a large number of police officers were gathering. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Uma vista a partir do alto da Igreja de Nossa Senhora do Carmo em direcção ao local das obras de remodelação da Escola Fong Chong da Taipa, num momento em que se registava uma grande concentração de forças policiais. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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The original description from Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau: "Inhumane and brutal beatings! The Portuguese police spared neither children nor old men, and even slammed batons into women's lower bodies." However, the actual observation was that physical clashes broke out when the police riot squad was deployed to suppress the scene where the Taipa Fong Chong School was expanding its premises to meet educational needs. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

A descrição original em Contra as Atrocidades Sangrentas dos Imperialistas Portugueses em Macau: "Espancamentos desumanos e cruéis! A polícia portuguesa não poupou nem crianças nem idosos, e chegou a golpear a parte inferior do corpo de mulheres com bastões." Contudo, a observação real foi a de que eclodiram confrontos físicos quando o corpo de polícia anti-motim foi mobilizado para reprimir o local onde a Escola Fong Chong da Taipa expandia as suas instalações para responder às necessidades educativas. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Sixty years have passed. Taipa has seen its mulberry fields turn into oceans, and those oceans turn into a casino city. The former site of the Taipa Fong Chong School has now become a restaurant. In today's real estate-driven and tax-focused society, it is already a miracle that the original building survives. Building a school was originally intended to benefit countless students and had nothing to do with politics. Yet, by some mysterious twist of fate, it was dragged into a devastating political whirlpool, ultimately leading to the martyrdom of eight Macau citizens! (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Passaram-se sessenta anos. A Taipa viu os seus campos de cultivo transformarem-se em oceanos, e esses oceanos transformarem-se numa cidade de casinos. O antigo local da Escola Fong Chong da Taipa é hoje um restaurante. Na sociedade actual, movida pelo lucro imobiliário e pela tributação, a sobrevivência do edifício original já é um milagre. A construção de uma escola destinava-se originalmente a beneficiar inúmeros estudantes e nada tinha a ver com a política. No entanto, por uma misteriosa força do destino, acabou por ser arrastada para um turbilhão político devastador, resultando na morte de oito cidadãos de Macau! (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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The Taipa school construction conflict of November 15, 1966, was a critical turning point in modern Macau history. This event, which originally began as a civic dispute over a school expansion project, eventually escalated into a large-scale police-civilian clash and became a major fuse for the subsequent "12-3 Incident." Due to the need to expand its premises for educational purposes, the Taipa Fong Chong School prompted Macau residents to self-fund and establish the "Preparatory Committee for the Construction of the Taipa Residents' School," which repeatedly applied to the Macanese Portuguese authorities for construction approval. Records show that the school followed up with the authorities as many as twenty-four times, but went without an official response for a long period, leaving their educational needs ignored for a long time. In the absence of official approval and to avoid delaying the educational progress, the school and residents decided to go ahead with erecting bamboo scaffolding for construction. On November 15, Rui de Andrade, the acting administrator of the Municipal Council of the Islands, passed by the Fong Chong School on his way to work. Noticing that scaffolding had been erected in front of the school, he immediately dispatched a police officer to investigate and halt the construction. The workers ignored the warning and continued working. Andrade then dispatched more police forces to intervene, and the police riot squad was deployed to suppress the scene. Following a standoff, a conflict rapidly erupted, with the Portuguese police accused of beating the crowd, resulting in multiple injuries.

According to official and civilian records, this conflict resulted in 40 injuries and 66 arrests, including a reporter from the Macao Daily News who was covering the scene. Among the detainees were many members of the school construction preparatory committee and representatives of the Macau Chinese community involved in the negotiations. Following the incident, the Macao Chamber of Commerce and representatives of the school construction committee immediately went to the Governor's Palace to negotiate, demanding the release of the detainees and a thorough investigation into the incident. However, some of those who went to negotiate were not granted an immediate audience; instead, they were detained, further fueling the resentment of the Chinese community. The social reaction and subsequent impacts of the Taipa school construction conflict quickly triggered strong responses from all walks of life in Macau. On November 18, Taipa residents put forward five demands, including an apology, compensation, and the release of the detained personnel. However, the Macanese Portuguese authorities responded slowly and maintained a rigid stance. This conflict was no longer just about the construction of school premises; it triggered long-accumulated discontent among Macau Chinese toward Portuguese colonial rule. Nationalist sentiments were quickly ignited, and actions such as street protests and city-wide strikes by workers and merchants commenced immediately. The spark quickly set off a prairie fire, ultimately leading to the even larger-scale "12-3 Incident" on December 3, 1966¡Xthe largest police-civilian clash in Macau's history.

The Taipa school construction conflict of November 15, 1966, marked a shift in Macau's social contradictions from peaceful negotiations to large-scale protests. It was not only the beginning of social unrest in the late period of Portuguese colonial rule but also profoundly shaped Macau's political landscape thereafter. The incident prompted the Chinese community to demand political reforms and equal rights more vigorously, laying the groundwork for Macau's gradual transition toward China in the 1970s. This event has also become an important case study in modern Macau historical research, demonstrating how social contradictions in the late colonial era can evolve from specific livelihood issues into political movements, and how civil society expresses demands through collective action after prolonged suppression. The Taipa school construction conflict reminds us that major turning points in history often begin with seemingly minor daily events: the expansion of a single school unexpectedly altered the trajectory of Macau's destiny.

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O conflito da construção da escola na Taipa, em 15 de Novembro de 1966, constituiu um ponto de viragem crucial na história contemporânea de Macau. Este acontecimento, que inicialmente começou como uma disputa civil em torno das obras de expansão de uma escola, acabou por degenerar num confronto em grande escala entre a polícia e os residentes, tornando-se um importante estopim para o posterior "Incidente 1-2-3". Devido à necessidade de expandir as instalações para fins educativos, a Escola Fong Chong da Taipa motivou os residentes de Macau a financiarem a criação da "Comissão Preparatória para a Construção da Escola dos Moradores da Taipa", a qual solicitou repetidamente a aprovação das obras junto das autoridades portuguesas de Macau. Segundo os registos, os responsáveis da escola realizaram diligências junto das autoridades por vinte e quatro vezes, mas ficaram sem resposta oficial durante um longo período, sendo as necessidades educativas ignoradas de forma prolongada. Perante a demora na obtenção da autorização oficial, e para não atrasar o progresso escolar, a escola e os residentes decidiram avançar com a montagem de andaimes de bambu para a execução das obras. No dia 15 de Novembro, Rui de Andrade, administrador interino da Câmara Municipal das Ilhas, passou junto à Escola Fong Chong a caminho do trabalho. Ao notar os andaimes montados em frente à escola, enviou imediatamente um agente policial para averiguar e ordenar a interrupção dos trabalhos. Os operários ignoraram a advertência e continuaram a trabalhar. Rui de Andrade enviou então mais reforços policiais para intervir, tendo o corpo de polícia anti-motim avançado para reprimir a situação. Após um impasse, eclodiu rapidamente um conflito, com a polícia portuguesa a ser acusada de agredir a multidão, resultando em vários feridos.

De acordo com os registos oficiais e civis, este confronto causou 40 feridos e 66 detidos, incluindo um jornalista do Diário de Macau que se encontrava a fazer a cobertura no local. Entre os detidos figuravam muitos membros da comissão preparatória da construção da escola e representantes da comunidade chinesa de Macau envolvidos nas negociações. Após o sucedido, a Associação Comercial de Macau e os representantes da comissão da escola dirigiram-se imediatamente ao Palácio do Governador para negociar, exigindo a libertação dos detidos e uma investigação rigorosa sobre o caso. Contudo, alguns dos que se deslocaram para a audiência não foram recebidos de imediato; em vez disso, foram detidos, o que inflamou ainda mais o descontentamento da sociedade chinesa. Quanto à reacção social e aos impactos subsequentes, o conflito da construção da escola na Taipa gerou rapidamente uma forte reacção em todos os sectores de Macau. Em 18 de Novembro, os residentes da Taipa apresentaram cinco exigências, que incluíam um pedido de desculpas, indemnizações e a libertação das pessoas detidas. No entanto, as autoridades portuguesas de Macau responderam com lentidão e mantiveram uma postura rígida. Este confronto já não se limitava à questão da construção das instalações escolares; serviu para despoletar o descontentamento há muito acumulado na comunidade chinesa face ao domínio colonial português. Os sentimentos nacionalistas foram rapidamente acesos, dando início imediato a acções de protesto nas ruas, greves e ao encerramento do comércio. A faísca rapidamente provocou um incêndio total, culminando, em 3 de Dezembro de 1966, no "Incidente 1-2-3" de maior envergadura ¡X o maior confronto entre a polícia e os civis na história de Macau.

O conflito da construção da escola na Taipa, em 15 de Novembro de 1966, marcou a transição das contradições sociais de Macau de negociações pacíficas para protestos em grande escala. Não foi apenas o início da agitação social no período final do domínio colonial português, mas também moldou profundamente o panorama político subsequente de Macau. O incidente impulsionou a sociedade chinesa a exigir de forma mais enérgica reformas políticas e igualdade de direitos, lançando as bases para a transição gradual de Macau para a China na década de 1970. Este caso tornou-se também um marco importante na investigação da história contemporânea de Macau, demonstrando como as contradições sociais no final da era colonial podem evoluir de questões concretas de subsistência para movimentos políticos, e como a sociedade civil expressa as suas reivindicações através da acção colectiva após uma opressão prolongada. O conflito da construção da escola na Taipa recorda-nos que os grandes pontos de viragem na história começam muitas vezes com acontecimentos quotidianos aparentemente insignificantes: a expansão de uma única escola alterou, inesperadamente, a trajectória do destino de toda a Macau.

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The original description from Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau: "Like wild beasts, the Portuguese police even grabbed Chinese compatriots who were merely passing by and beat them brutally." (Image source: Cognitio Sapiens Ngensis)

A descrição original em Contra as Atrocidades Sangrentas dos Imperialistas Portugueses em Macau: "Como feras selvagens, a polícia portuguesa agarrou até mesmo os compatriotas chineses que apenas passavam pelo local, espancando-os brutalmente." (Fonte da imagem: Cognitio Sapiens Ngensis)

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Carlos Armando da Mota Cerveira (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Carlos Armando da Mota Cerveira is one of the pivotal figures during the period of Portuguese colonial rule in Macau. According to available records, his most well-known historical role was serving as the Acting Governor during the "12-3 Incident" in Macau in 1966. In the 1960s, Macau was undergoing a gradual transformation in its social structure, political climate, and colonial governance model, while public resentment within the local Chinese community toward the Portuguese colonial authorities was steadily accumulating. Against this backdrop, what Cerveira faced was not merely an issue of general administration, but a crisis in which the entire colonial ruling order was being severely challenged. The "12-3 Incident" of 1966 was a major turning point in modern Macau history. The incident originated from disputes involving school premises, educational administration, and the colonial authorities' handling of these matters, which then rapidly escalated into large-scale social conflicts and political confrontations. As one of the highest-ranking Portuguese administrative figures at the time, Cerveira had to respond directly to this crisis. However, relevant data indicates that he adopted a relatively rigid stance when handling the incident, failing to defuse the tension between the Chinese community and the colonial government. Instead, his unyielding posture caused the incident to escalate further to a certain extent, ultimately prompting a significant adjustment in the way the Portuguese side governed Macau. Colonial regimes often require two sets of languages simultaneously: one for internal use to maintain authority, emphasizing discipline, nationhood, and dignity; the other for external use, attempting to present themselves as legitimate, rational, and responsible governors. Yet, in the actual experience of local society, colonial rule is usually not an abstract system, but something manifested concretely through police force, administrative orders, and methods of crisis management.

Carlos Armando da Mota Cerveira é uma das figuras fundamentais do período do domínio colonial português em Macau. De acordo com os dados disponíveis, o seu papel histórico mais conhecido foi o de Encarregado do Governo interino de Macau durante o "Incidente 1-2-3" em 1966. Na década de 1960, Macau encontrava-se numa fase de transição gradual na sua estrutura social, ambiente político e modelo de governação colonial, enquanto o descontentamento da sociedade chinesa local face às autoridades coloniais portuguesas se acumulava progressivamente. Neste contexto, o que Cerveira enfrentava não era uma mera questão de administração geral, mas sim uma crise em que toda a ordem do domínio colonial estava a ser severamente desafiada. O "Incidente 1-2-3" de 1966 constituiu um grande ponto de viragem na história contemporânea de Macau. O incidente teve origem em disputas relacionadas com instalações escolares, administração educativa e a forma de actuação das autoridades coloniais, evoluindo rapidamente para conflitos sociais e confrontações políticas em grande escala. Sendo uma das mais altas figuras da administração portuguesa na época, Cerveira teve de lidar directamente com esta crise. Contudo, os dados relevantes indicam que adoptou uma postura relativamente rígida na gestão do incidente, não conseguindo aliviar a tensão entre a comunidade chinesa e o governo colonial. Pelo contrário, a situação agravou-se ainda mais, até certo ponto, devido à sua atitude intransigente, o que acabou por motivar um ajustamento claro na forma de governação de Portugal em Macau. Os regimes coloniais necessitam frequentemente de dois conjuntos de linguagens em simultâneo: um para o uso interno para manter a autoridade, enfatizando a disciplina, a pátria e a dignidade; outro para o uso externo, tentando apresentar-se como um administrador legítimo, racional e responsável. No entanto, na experiência real da sociedade local, o domínio colonial geralmente não é um sistema abstracto, mas sim algo que se manifesta concretamente através da força policial, de ordens administrativas e dos métodos de gestão de crises.

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The Highlight of Cerveira's Career

O Momento de Destaque na Carreira de Cerveira

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Carlos Armando da Mota Cerveira reviewing the troops of the Portuguese Military Forces in Macau. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)
Carlos Armando da Mota Cerveira a passar revista às Forças Militares de Macau. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)
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On May 8, 1966, a high-profile appointment took place in Macau's political arena. At 11:00 a.m. that morning, Carlos Armando da Mota Cerveira, Commander-in-Chief of the Military Forces, was officially sworn in as the President of the Municipal Council of Macau on the second floor of the Governor's Palace. The inauguration ceremony was personally overseen by Governor Lieutenant Colonel António Adriano Faria Lopes dos Santos, making for a solemn and grand occasion. The ceremony was attended by heads of various government departments as well as over a hundred prominent figures from both the Chinese and Western communities, demonstrating how much attention this personnel change attracted. The ceremony began with Henrique de Albuquerque Silva, the Director of Civil Administration, reading the appointment decree from Lisbon, which established the legality and authority of Cerveira's appointment. Subsequently, Cerveira took the oath of office in accordance with regulations, officially assuming the duties of the President of the Municipal Council. Following the oath, Governor Lopes dos Santos delivered a speech, speaking highly of Cerveira's past performance in his military roles and describing him as diligent, hardworking, and deeply responsible. Lopes dos Santos also mentioned that the former President of the Municipal Council, Carlos, had been forced to step down due to health issues, and the council's duties had temporarily been managed by the military, reflecting a certain transition and adjustment in administrative operations at the time. Against this background, Cerveira's assumption of office carried the expectation that he would stabilize the situation and promote municipal development. In his reply, Cerveira showed humility, expressing his commitment to doing his utmost to fulfill his duties and his hope for the support and cooperation of the municipal councilors and people from all walks of life to jointly advance municipal work. Though concise, his words demonstrated a pragmatic attitude toward his future tasks. At the end of the ceremony, guests signed the guestbook in turn, and the atmosphere shifted from solemn to relaxed. Cerveira then proceeded immediately to the Municipal Council to formally assume his duties, symbolizing the transition of his role from the ceremonial level to actual administrative operations. At this point, Cerveira held multiple key offices simultaneously; he was not only the Commander-in-Chief of the Military Forces in Macau but also served as the President of the Municipal Council of Macau, and was responsible for serving as the Acting Governor of Macau during the Governor's official travels abroad. He became one of the core figures at the intersection of military and political power in Macau at the time. Such a concentration of power and multiplicity of roles was truly rare in the colonial governance system of that era. However, this military and political official, who had been given such high expectations at his inauguration ceremony, would go on to leave a starkly different mark in the subsequent course of history. By November 1966, with the change of Governor and a rapid shift in the situation, Cerveira's decisions and actions ultimately brought a profound and heavy tragedy to Macau, becoming a page that cannot be ignored in future historical evaluations.

Em 8 de Maio de 1966, o cenário político de Macau foi marcado por uma nomeação de grande destaque. Pelas onze horas da manhã daquele dia, o Comandante Militar Carlos Armando da Mota Cerveira tomou posse oficialmente como Presidente da Câmara Municipal de Macau, no segundo andar do Palácio do Governador. A cerimónia de posse foi presidida pessoalmente pelo Governador, o Tenente-Coronel António Adriano Faria Lopes dos Santos, revestindo-se de solenidade e imponência. O acto contou com a presença de directores de vários serviços públicos e de mais de uma centena de personalidades de relevo das comunidades chinesa e ocidental, o que demonstra o elevado interesse que esta alteração de pessoal despertou. A cerimónia teve início com a leitura, por parte do Chefe dos Serviços de Administração Civil, Henrique de Albuquerque Silva, do decreto de nomeação vindo de Lisboa, confirmando a legalidade e a autoridade da nomeação de Cerveira. Em seguida, Cerveira prestou o juramento legal, assumindo formalmente as funções de Presidente da Câmara Municipal. Concluído o juramento, o Governador Lopes dos Santos proferiu um discurso no qual elogiou as funções militares anteriormente desempenhadas por Cerveira, descrevendo-o como um homem zeloso, trabalhador e dotado de um elevado sentido de responsabilidade. Lopes dos Santos referiu ainda que o anterior Presidente da Câmara Municipal, Carlos, se vira obrigado a deixar o cargo por motivos de saúde, tendo as funções da câmara sido geridas temporariamente pelos militares, o que reflectia uma certa transição e ajustamento nas operações administrativas da época. Neste contexto, a tomada de posse de Cerveira gerou a expectativa de que este pudesse estabilizar a situação e impulsionar o desenvolvimento municipal. Na sua resposta, Cerveira mostrou-se humilde, manifestando o seu empenho em dar o seu melhor no cumprimento dos seus deveres e expressando o desejo de contar com o apoio e a colaboração dos vereadores e dos diversos sectores da sociedade para, em conjunto, fazerem avançar os trabalhos municipais. Embora breves, as suas palavras demonstraram uma atitude pragmática face às tarefas futuras. No final da cerimónia, os convidados assinaram sucessivamente o livro de honra, tornando a atmosfera mais descontraída. Logo após, Cerveira dirigiu-se à Câmara Municipal para iniciar formalmente as suas funções, simbolizando a transição do seu papel do plano cerimonial para a operação administrativa real. Neste momento, Cerveira acumulava vários cargos de grande importância: era não só o Comandante das Forças Militares em Macau, mas também exercia as funções de Presidente da Câmara Municipal de Macau e assumia o cargo de Encarregado do Governo de Macau durante as ausências do Governador no estrangeiro. Tornou-se, assim, uma das figuras centrais na convergência dos poderes militar e político em Macau na época. Esta concentração de poder e multiplicidade de papéis eram verdadeiramente raras no sistema de governação colonial daquele tempo. Contudo, este dirigente militar e político, em quem se tinham depositado elevadas expectativas na cerimónia de posse, viria a deixar uma marca profundamente diferente no desenvolvimento histórico posterior. Em Novembro de 1966, com a substituição do Governador e a rápida alteração da conjuntura, as decisões e acções de Cerveira acabaram por trazer uma profunda e pesada tragédia para Macau, constituindo uma página impossível de ignorar nas avaliações históricas futuras.

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Acting Governor Carlos Armando da Mota Cerveira handling the situation during the "12-3 Incident." (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)
O Encarregado do Governo, Carlos Armando da Mota Cerveira, a lidar com a situação durante o período do "Incidente 1-2-3". (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Cerveira is one of the pivotal figures in Macau during the period of Portuguese colonial rule. Records show that when severe social conflicts broke out in Macau in December 1966, he handled the situation in his capacity as the "Portuguese Acting Governor," while simultaneously serving as one of the core figures within the Portuguese military and political apparatus in Macau. In historical narratives of Macau, his name is usually closely linked to the "12-3 Incident," because that event profoundly transformed both Portugal's governance approach in Macau and the political dynamic of the Chinese community. During the 1960s, Macau stood under multi-layered pressures from the Cold War, colonial decolonization, and the spillover of the political atmosphere from mainland China. The "12-3 Incident" of 1966 originated from the Macau authorities' handling of a school premises issue involving a Chinese group, which triggered public resentment and quickly escalated into a large-scale political storm. In this context, Cerveira, as the Acting Governor at the time, faced a crisis that was not merely a matter of public order, but a direct blow to the legitimacy of colonial rule. Regarding Cerveira's role in the incident, existing records note that Ho Yin, a prominent Macau Chinese leader, visited Cerveira to urge him to handle the situation with caution, but Cerveira maintained a rigid stance and did not accept the advice. Judging from relevant narratives, he inclined to prioritize maintaining the authority of the colonial government, which accelerated the escalation of the incident and ultimately led to a distinct shift in Portugal's governance posture in Macau. In the historical memory of Macau, he is often viewed as a colonial official who was hardline yet pressured by the unfolding circumstances. In the end, Cerveira did not make any significant concessions. This point reflects a conspicuous gap between the Portuguese officials' assessment of the situation and the expectations of the Chinese community. From a historical perspective, this not only underscores the complexity of the incident itself but also reflects the limitations of the colonial governing system when confronting local social pressure. Cerveira's historical standing in Macau stems primarily not from his routine administrative work, but from his decisions and attitude during the 1966 crisis. His response as the Acting Governor directly influenced the course of the event and has become an important case study for researching Macau's colonial political history. From a broader historical context, the "12-3 Incident" marked the entry of Portuguese colonial rule in Macau into a new phase, and Cerveira was precisely one of the key figures in this historical transition. Although he is not the most famous governor of Macau, the role he played during this period of crisis makes him a figure that cannot be overlooked when trying to understand the modern political evolution of Macau.


Cerveira é uma das figuras marcantes de Macau durante o período do domínio colonial português. Os dados demonstram que, aquando da eclosão dos graves conflitos sociais em Macau, em Dezembro de 1966, este geriu a situação na qualidade de "Encarregado do Governo Português", sendo, em simultâneo, uma das figuras centrais do sistema militar e político de Portugal em Macau. Na narrativa histórica de Macau, o seu nome surge habitualmente associado de forma estreita ao "Incidente 1-2-3", dado que este acontecimento alterou profundamente o modelo de governação de Portugal em Macau e a postura política da sociedade chinesa. Na década de 1960, Macau encontrava-se sob as múltiplas pressões da Guerra Fria, da descolonização colonial e do transbordo do ambiente político do interior da China. O "Incidente 1-2-3" de 1966 teve origem na forma como as autoridades de Macau lidaram com a questão das instalações escolares de um grupo chinês, o que espoletou o descontentamento popular e rapidamente se transformou numa crise política em grande escala. Neste contexto, Cerveira, enquanto Encarregado do Governo da época, enfrentava uma crise que transcendia os problemas de segurança pública, constituindo um golpe directo contra a legitimidade do domínio colonial. Quanto ao papel de Cerveira no incidente, os dados existentes apontam que o líder chinês de Macau, Ho Yin, se reuniu com Cerveira para o aconselhar a gerir a situação com prudência, mas Cerveira manteve uma postura rígida e não aceitou o conselho. A avaliar pelas narrativas associadas, a sua inclinação prioritária foi a de salvaguardar a autoridade do governo colonial, o que acelerou a escalada do incidente e acabou por ditar uma mudança visível na postura de governação de Portugal em Macau. Na memória histórica de Macau, é frequentemente visto como um funcionário colonial intransigente, mas também pressionado pela conjuntura. Por fim, Cerveira não fez concessões significativas. Este aspecto reflecte o desfasamento evidente entre a leitura que as autoridades portuguesas faziam da situação e as expectativas da sociedade chinesa. Sob o ponto de vista histórico, isto demonstra não só a complexidade do próprio incidente, mas também as limitações do sistema de governação colonial face à pressão da sociedade local. O estatuto histórico de Cerveira em Macau advém, essencialmente, não do seu trabalho administrativo corrente, mas sim das suas decisões e atitude durante a crise de 1966. A resposta que deu enquanto Encarregado do Governo influenciou directamente o rumo dos acontecimentos e tornou-se um caso de estudo importante para a investigação da história política colonial de Macau. Numa perspectiva histórica mais macro, o "Incidente 1-2-3" assinalou a entrada do domínio colonial português em Macau numa nova fase, sendo Cerveira precisamente uma das figuras-chave nesta transição histórica. Embora não seja o governador mais consagrado de Macau, o papel que desempenhou neste período de crise torna-o uma personalidade incontornável para a compreensão das mutações políticas contemporâneas de Macau.

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Political Warnings and Humanitarian Appeals in the 1966 Macau Crisis

Avisos Políticos e Apelos Humanitários na Crise de Macau de 1966

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Commander-in-Chief of the Military Forces Carlos Armando da Mota Cerveira (in military dress uniform) intently watching Ho Yin sign the register during Governor José Nobre de Carvalho's inauguration ceremony held at the Municipal Council. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

O Comandante Militar Carlos Armando da Mota Cerveira (de grande uniforme militar) observa atentamente Ho Yin a assinar o livro de honra durante a cerimónia de posse do Governador José Nobre de Carvalho, realizada na Câmara Municipal. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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In 1996, Teledifusão de Macau (TDM) produced a news program commemorating the 30th anniversary of the "12-3 Incident." Hosted by Agnes Lam (Lam Iok-fong), the program disclosed a highly valuable piece of first-hand historical information: on the eve of the 1966 incident, prominent Macau figures and representatives of public opinion, Mr. Ho Yin and Mr. Chui Lok-ki, jointly met with the Acting Governor of Macau, Carlos Armando da Mota Cerveira, and issued a critical warning. According to the contents disclosed in the program, Ho Yin explicitly stated during the meeting: "The current environment of the Cultural Revolution in the mainland is extremely chaotic. The Macau government authorities must handle the demonstrations and protests in Macau with absolute caution and must not use military force for suppression." Even more movingly, Ho Yin actually shed tears as he spoke.

This historical footage not only reveals the tense social situation in Macau at the time but also showcases Mr. Ho's political foresight and humanitarian concern at a critical juncture in history. Ho Yin's political foresight and profound understanding of the chaos wrought by the CCP's Cultural Revolution: Ho Yin's tears at that moment did not stem from personal emotion, but from his deep understanding of the political situation in mainland China. The year 1966 marked the very beginning of the Cultural Revolution, during which ultra-leftist ideology swept the country and social order descended into chaos. Ho Yin seemed to have foreseen that the mainland was in a state of frenzy, knowing that if the Macau government handled matters improperly, it would trigger uncontrollable consequences.

Ho Yin's warning carried a high degree of political sensitivity. He clearly recognized that CCP forces were harassing the Governor's Palace and the administrative organs of the Macau government on a daily basis, and social contradictions had accumulated to a tipping point. Under such circumstances, if the Macanese Portuguese authorities were to persist in taking a hardline approach and use military force to suppress the protesting crowds, it would inevitably lead to a larger-scale bloody conflict. This deeply exposed the attitude of the Macanese Portuguese government at the time; they clearly lacked a sufficient understanding of the volatile situation in Macau society, turned a blind eye to the pressure from the Chinese Communist government, and Acting Governor Cerveira still maintained the arrogance of colonial rule.

The Macanese Portuguese authorities' handling of the situation before the incident exposed their severe misjudgment of Macau society. They failed to comprehend that the political environment in mainland China had completely changed, and failed to recognize that Macau's special status as a colony was being challenged. Ho Yin's anxiety was the most painful warning against this blind self-confidence. The consequences of the warning being unheeded: Ho Yin's warning was ultimately not adopted by the Macanese Portuguese authorities. On November 15, 1966, the dispute over the Taipa Fong Chong School construction project triggered a police-civilian clash. The Macanese Portuguese authorities eventually resorted to hardline measures and declared martial law in early December, resulting in the deaths of eight Macau compatriots. This tragic outcome precisely validated Ho Yin's foresight at the time. Had the Macanese Portuguese authorities listened to Ho Yin's advice and adopted a more cautious and humanitarian approach to handle the demonstrations and protests, this bloody tragedy might have been avoided. Ho Yin's tears became the most painful footnote in history: a visionary political figure who saw disaster approaching but was powerless to stop it. Regarding his historical standing, Ho Yin is recognized in Macau as a "patriotic figure." He possessed significant political wisdom, served as a prominent leader and representative of public opinion, and was a dignitary endowed with a high level of political acumen and humanitarian concern.

His performance during the 1966 crisis demonstrated outstanding political foresight. First, he was able to accurately judge the developmental trends of the political situation in mainland China and foresee the impact that the Cultural Revolution might bring to Macau. Second, he prioritized the safety of citizens' lives during a political crisis, demonstrating deep humanitarian concern. He served as a crucial bridge of communication between Macau society and the Macanese Portuguese government, attempting to defuse the crisis through dialogue.


Em 1996, a Teledifusão de Macau (TDM) produziu um programa de informação em comemoração do 30.º aniversário do "Incidente 1-2-3". O programa, apresentado por Agnes Lam (Lam Iok-fong), revelou um dado em primeira mão de elevado valor histórico: na véspera da eclosão do incidente em 1966, as figuras ilustres e representantes da opinião pública de Macau, o Sr. Ho Yin e o Sr. Chui Lok-ki, reuniram-se conjuntamente com o Encarregado do Governo de Macau da época, Carlos Armando da Mota Cerveira, e fizeram um aviso crucial. De acordo com o conteúdo divulgado no programa, Ho Yin afirmou claramente na reunião: "O ambiente actual da Revolução Cultural no interior da China é de extremo caos. As autoridades do Governo de Macau devem ser extremamente cautelosas na gestão dos protestos e manifestações em Macau, e não podem, de modo algum, recorrer à força militar para a repressão." Ainda mais comovente foi o facto de Ho Yin ter chorado ao proferir estas palavras.

Este fragmento histórico não só expõe a situação de tensão que se vivia na sociedade de Macau na altura, como também demonstra a previdência política e a preocupação humanitária do Sr. Ho num momento crucial da história. A previdência política de Ho Yin e a sua profunda compreensão do caos da Revolução Cultural do PCC: As lágrimas de Ho Yin naquele momento não resultaram de emoções pessoais, mas sim de uma compreensão profunda da conjuntura política no interior da China. O ano de 1966 coincidiu com o início da Revolução Cultural, quando a ideologia de extrema-esquerda varria o país e a ordem social se afundava no caos. Ho Yin parecia já antever que o interior da China se encontrava num estado de frenesim, sabendo que, se o Governo de Macau gerisse a situação de forma inadequada, as consequências seriam incontroláveis.

O aviso de Ho Yin revestia-se de uma elevada sensibilidade política. Ele compreendia claramente que as forças do PCC importunavam diariamente o Palácio do Governador e os órgãos administrativos do Governo de Macau, e que as contradições sociais tinham acumulado até ao ponto crítico. Perante tal cenário, se a administração portuguesa de Macau continuasse a adoptar uma postura intransigente, recorrendo à força militar para reprimir a multidão manifestante, tal ditaria inevitavelmente um confronto sangrento de maior envergadura. Isto revelou profundamente a atitude do Governo de Macau da época; careciam visivelmente de uma percepção adequada sobre a situação volátil da sociedade de Macau, ignoravam a pressão do regime comunista chinês, e o Encarregado do Governo, Cerveira, mantinha a arrogância própria da governação colonial.

A forma de actuação das autoridades portuguesas de Macau antes do incidente expôs o seu grave erro de avaliação sobre a sociedade local. Não conseguiram compreender que o ambiente político no interior da China mudara por completo, nem reconheceram que o estatuto especial de Macau como colónia estava a ser posto em causa. A angústia de Ho Yin foi o aviso mais doloroso contra essa cega autoconfiança. As consequências do aviso não ter sido acolhido: O aviso de Ho Yin acabou por não ser adoptado pelas autoridades portuguesas de Macau. Em 15 de Novembro de 1966, o conflito em torno das obras da Escola dos Moradores da Taipa despoletou confrontos entre a polícia e os residentes. As autoridades de Macau acabaram por tomar medidas de força e decretaram o estado de sítio no início de Dezembro, provocando a morte de oito compatriotas de Macau. Este desfecho trágico veio confirmar, precisamente, a previdência de Ho Yin. Se as autoridades tivessem escutado o conselho de Ho Yin e adoptado uma abordagem mais prudente e humanitária na gestão das manifestações, esta tragédia sangrenta ter-se-ia, porventura, evitado. As lágrimas de Ho Yin tornaram-se a nota de rodapé mais dolorosa da história: um homem político de visão que viu o desastre aproximar-se, mas que foi impotente para o impedir. No que toca ao seu estatuto histórico, Ho Yin é reconhecido em Macau como uma "personalidade patriótica". Detinha uma assinalável sabedoria política, era uma figura de relevo e representante da opinião pública, e um homem ilustre dotado de elevado discernimento político e sensibilidade humanitária.

A sua actuação na crise de 1966 demonstrou uma excelente previdência política. Em primeiro lugar, foi capaz de avaliar com precisão a tendência de desenvolvimento da situação política no interior da China, antevendo o impacto que a Revolução Cultural traria para Macau. Em segundo lugar, deu prioridade à segurança da vida dos cidadãos no seio da crise política, manifestando uma profunda preocupação humanitária. Exerceu o papel de uma ponte de comunicação crucial entre a sociedade de Macau e o Governo de Macau, tentando dissipar a crise através do diálogo.

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The Governor of Macau, Nobre de Carvalho

O Governador de Macau, Nobre de Carvalho

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The 121st Governor of Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)
O 121.º Governador de Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho was the 121st Governor of Macau. Born in Lisbon, Portugal, on September 5, 1910, he served in the army and had extensive military service experience in places such as Goa, India, and Angola. He arrived in Macau to assume office as Governor on November 25, 1966. During his tenure, the famous "12-3 Incident" took place, leading him to sign a statement assuming full responsibility for the event. Subsequently, he propelled an industry-oriented economic policy, actively promoted the construction of the Macau-Taipa Bridge (which was named after him) and the Ká-Hó Deepwater Port, and dedicated efforts to infrastructure and social welfare developments, such as resolving Macau's drinking water issues and advancing municipal construction. Promoted to the rank of General in 1970, Nobre de Carvalho was granted two extensions to continue his term as Governor. He remained in office even after the Carnation Revolution (April 25 Revolution) in 1974, until his departure in October of the same year. He passed away in Lisbon, Portugal, in 1989. Notable events during his term include the "12-3 Incident" in 1967, when intense protests and police-civilian clashes escalated tensions, resulting in martial law. Ultimately, Governor Nobre de Carvalho signed a statement assuming full responsibility for the incident, compensating the victims for their losses, and offering a formal apology to the Chinese residents of Macau. Furthermore, the Macau-Taipa Bridge built under his leadership opened to traffic in 1974, becoming one of the landmark projects of Macau's development.

José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho foi o 121.º Governador de Macau. Nascido em Lisboa, Portugal, em 5 de Setembro de 1910, serviu no exército e teve experiência de serviço militar em locais como Goa (Índia) e Angola. Chegou a Macau para assumir as funções de Governador em 25 de Novembro de 1966. Durante o seu mandato, ocorreu o célebre "Incidente 1-2-3", o que o levou a assinar uma declaração assumindo a responsabilidade total pelo sucedido. Posteriormente, impulsionou uma política económica baseada na indústria, promoveu activamente a construção da Ponte Macau-Taipa (baptizada com o seu nome) e do Porto de Águas Profundas de Ká-Hó, e dedicou-se ao desenvolvimento de infra-estruturas e do bem-estar social, tais como a resolução do problema do abastecimento de água potável em Macau e as obras de urbanização municipal. Promovido a General em 1970, Nobre de Carvalho obteve por duas vezes a prorrogação do seu mandato como Governador de Macau. Manteve-se no cargo mesmo após a Revolução de 25 de Abril de 1974, deixando o território apenas em Outubro do mesmo ano. Faleceu em Lisboa, Portugal, em 1989. Entre os acontecimentos marcantes do seu mandato destaca-se o "Incidente 1-2-3" em 1967, quando os confrontos entre a polícia e os residentes e os protestos intensos agravaram a situação, resultando na declaração do estado de sítio. Por fim, o Governador Nobre de Carvalho assinou uma declaração assumindo a responsabilidade total pelo incidente, indemnizando as vítimas pelos danos sofridos e apresentando um pedido formal de desculpas aos residentes chineses de Macau. Além disso, a Ponte Macau-Taipa, por si planeada, foi inaugurada em 1974, tornando-se uma das obras emblemáticas do desenvolvimento de Macau.

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Following the completion of the ceremony, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho became the 121st Governor of Macau. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)
Após a conclusão da cerimónia, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho tornou-se o 121.º Governador de Macau. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)


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The Governor of Macau Who Assumed Office Amidst Turmoil

O Governador de Macau Que Tomou Posse no Meio da Agitação

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A photograph of Governor Nobre de Carvalho handling routine official business. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)
Fotografia do Governador Nobre de Carvalho na gestão diária dos assuntos públicos. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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When José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho arrived in Macau to take office in 1966, he traveled by air. His route involved flying from Portugal to Kai Tak Airport in Hong Kong first, before transferring to Macau. On November 25, 1966, Portuguese Prime Minister António de Oliveira Salazar announced his appointment as the Governor of Macau, and he arrived in Macau the following day, November 26, to assume his post. Upon his initial arrival in Hong Kong, the Governor of Hong Kong, Sir David Trench, personally met him at Kai Tak Airport to welcome him and informed him that unrest had broken out in Macau¡Xspecifically, the Taipa school construction incident, which was the root cause of what would later be known as the "12-3 Incident." At that time, the Portuguese government in Lisbon was entirely unaware of the sudden turn of events in Macau.

Upon his arrival in Macau and learning about the Taipa incident, Nobre de Carvalho's initial reaction was an attempt to defuse the situation. On November 29, 1966, roughly three days after his arrival, he met with representatives from Macau's business and industrial sectors. He acknowledged that deploying the police over the school construction issue was a case of mishandling and promised to establish an investigative committee composed of official and neutral civilian figures to thoroughly probe the incident. However, this gesture came too late to save the situation. The Macao Chamber of Commerce did not respond to his invitation to dispatch civilian representatives to participate, leaving the investigative committee unable to function as intended. By December 3, the situation deteriorated further, erupting into the violent clashes of the "12-3 Incident." The Macanese Portuguese security forces opened fire to disperse the crowds, causing immediate casualties on the spot, and the authorities declared martial law.

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Quando José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho chegou a Macau para tomar posse em 1966, viajou por via aérea. O seu itinerário consistiu em voar de Portugal para o Aeroporto de Kai Tak, em Hong Kong, e depois transitar para Macau. Em 25 de Novembro de 1966, o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal, António de Oliveira Salazar, anunciou a sua nomeação como Governador de Macau, e ele chegou ao território no dia seguinte, 26 de Novembro, para assumir o cargo. Ao chegar primeiro a Hong Kong, o Governador de Hong Kong, Sir David Trench, deslocou-se pessoalmente ao Aeroporto de Kai Tak para o receber e informou-o de que se registavam distúrbios em Macau ¡X nomeadamente o incidente da construção da escola na Taipa, que esteve na origem do que mais tarde viria a ser conhecido como o "Incidente 1-2-3". Na altura, o Governo de Lisboa estava totalmente alheio aos acontecimentos repentinos em Macau.

Ao chegar a Macau e tomar conhecimento do incidente da Taipa, a reacção inicial de Nobre de Carvalho foi tentar acalmar os ânimos. Em 29 de Novembro de 1966, cerca de três dias após a sua chegada, recebeu os representantes dos sectores comercial e industrial de Macau, reconhecendo que o recurso à polícia na questão da construção da escola tinha sido um erro de gestão e prometendo criar uma comissão de inquérito composta por figuras oficiais e civis neutras para investigar o caso a fundo. No entanto, este posicionamento pecou por tardio para salvar a situação. A Associação Comercial de Macau não respondeu ao seu convite para indicar representantes civis para a comissão, inviabilizando o funcionamento previsto da mesma. Em 3 de Dezembro, a situação deteriorou-se ainda mais, eclodindo os confrontos violentos do "Incidente 1-2-3". As forças de segurança portuguesas abriram fogo para dispersar a multidão, causando mortos e feridos no local, tendo as autoridades decretado o estado de sítio.

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Governor Nobre de Carvalho personally proceeding to the Macao Chamber of Commerce to sign the admission of guilt. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)
O Governador Nobre de Carvalho desloca-se pessoalmente à Associação Comercial de Macau para assinar a declaração de assunção de culpa. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Following the incident, Nobre de Carvalho's reaction began to shift toward compromise. On December 16, he dismissed Military Commander and Municipal Council President Mota Cerveira and Police Chief Frutuoso, while the Acting Civil Administrator of the Islands, Rui de Andrade, and Deputy Police Chief Antoni left Macau to return to Portugal on December 13 and 14, respectively. On December 10, the Foreign Affairs Office of the Guangdong Provincial People's Committee and Macau Chinese associations presented him with six demands, including an immediate face-to-face admission of guilt to the compatriots of Macau, the signing of an admission statement, and a guarantee that Kuomintang (KMT) forces would no longer be permitted to conduct any activities in Macau. On January 27, 1967, the Macanese Portuguese authorities issued a statement admitting guilt, apologizing, and expressing deep regrets to the families of the deceased, the injured, the detainees, the victims who suffered various losses, and all Chinese residents of Macau. They fully accepted the six demands put forward by the Macau Chinese associations and agreed to cover all funeral and pension expenses for the deceased, as well as all losses of other victims, totaling 2,058,424 Macau Patacas (MOP). On January 28, 1967, the Macanese Portuguese authorities signed the reply letter, and on the following day, January 29, Nobre de Carvalho personally proceeded to the third-floor auditorium of the Macao Chamber of Commerce to sign two copies of the "admission of guilt." According to his memoirs after stepping down, this event forced him to sign a statement assuming full responsibility, whereas the Portuguese government had remained completely oblivious to the transformations in Macau at the time. Following this incident, the Macanese Portuguese authorities lost practical power, and Macau society fell under the de facto control of Chinese Communist Party (CCP) forces from then on. KMT institutions and organizations in Macau were shut down, and their influence in the territory was completely eradicated. Nobre de Carvalho was granted a two-year extension to his term in September 1970, was promoted to the rank of General in the same year, and was granted another two-year extension in July 1972.

Após o sucedido, a atitude de Nobre de Carvalho tendeu para o compromisso. Em 16 de Dezembro, exonerou o Comandante Militar e Presidente da Câmara Municipal, Mota Cerveira, e o Comandante da Polícia, Frutuoso, enquanto o Administrador interino do Município das Ilhas, Rui de Andrade, e o Segundo-Comandante da Polícia, Antoni, abandonaram Macau com destino a Portugal nos dias 13 e 14 de Dezembro, respectivamente. Em 10 de Dezembro, o Gabinete de Assuntos Externos do Comité Popular da Província de Guangdong e as associações chinesas de Macau apresentaram-lhe seis exigências, que incluíam a assunção imediata e presencial de culpa perante os compatriotas de Macau, a assinatura de uma declaração de culpa e a garantia de que as forças do Kuomintang (KMT) não seriam mais autorizadas a realizar quaisquer actividades em Macau. Em 27 de Janeiro de 1967, as autoridades portuguesas de Macau emitiram uma declaração na qual assumiam a culpa, pediam desculpas e expressavam profundos lamentos aos familiares dos falecidos, aos feridos, aos detidos, às vítimas que sofreram diversos prejuízos e a todos os residentes chineses de Macau. Aceitaram integralmente as seis exigências formuladas pelas associações chinesas de Macau, assumindo todas as despesas fúnebres e de pensão dos falecidos, bem como os prejuízos das restantes vítimas, num montante global de 2.058.424 patacas de Macau (MOP). Em 28 de Janeiro de 1967, as autoridades portuguesas assinaram a carta de resposta e, no dia seguinte, 29 de Janeiro, Nobre de Carvalho dirigiu-se pessoalmente ao salão do terceiro andar da Associação Comercial de Macau para assinar dois exemplares da "declaração de assunção de culpa". Conforme recordou nas suas memórias após a cessação de funções, este caso obrigou-o a assinar uma declaração assumindo a responsabilidade total, numa altura em que o Governo de Portugal permanecia completamente ignorante em relação às transformações em Macau. Após este incidente, as autoridades de Macau perderam o poder efectivo, e a sociedade de Macau passou a ser controlada de facto pelas forças do Partido Comunista Chinês (PCC). As instituições e organizações do KMT em Macau foram encerradas e a sua influência no território foi totalmente erradicada. Nobre de Carvalho obteve em Setembro de 1970 uma prorrogação de dois anos do seu mandato, sendo promovido a General no mesmo ano, e em Julho de 1972 obteve nova prorrogação por mais dois anos.


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The Failure of the Independent Commission of Inquiry: How the Leftists Pushed the "Taipa Incident" to the Worst Possible Outcome

O Fracasso da Comissão de Inquérito Independente: Como a Esquerda Empurrou o "Incidente da Taipa" para o Pior Cenário

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A Brief History of the Old Court Building of Portuguese Macau (The Old Court Building in Praia Grande)
Located on Avenida da Praia Grande, Macau, the Old Court Building was constructed on May 21, 1951, by Chinese engineer Chou Tsz-fan at a cost of over one million Macau Patacas. The building's predecessor was a government office complex with a brick-and-wood structure, which was completely demolished in 1946 due to severe termite infestation, with reconstruction beginning the same year. Upon its initial completion, the building served as the office premises for various government departments, including the Finance Department, Civil Administration Department, Economic Department, General Treasury, and the Court, earning it the name "Government Offices Building." (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Breve Introdução Histórica ao Antigo Edifício do Tribunal de Macau Português (Antigo Edifício do Tribunal na Praia Grande)
Situado na Avenida da Praia Grande, em Macau, o Antigo Edifício do Tribunal foi construído em 21 de Maio de 1951, sob a direcção do engenheiro chinês Chou Tsz-fan, tendo custado mais de um milhão de patacas de Macau. O antecessor do edifício era um complexo de secretarias governamentais com uma estrutura de tijolo e madeira, que foi totalmente demolido em 1946 devido a uma grave infestação de térmitas, tendo as obras de reconstrução começado no mesmo ano. Nos primeiros tempos após a sua conclusão, o edifício serviu de instalação para diversos serviços públicos, tais como a Repartição dos Serviços de Finanças, a Repartição dos Serviços de Administração Civil, a Repartição dos Serviços Económicos, a Caixa Geral e o Tribunal, razão pela qual ficou conhecido como o "Edifício das Secretarias Governamentais". (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

1966 ¦~ 11 ¤ë¡A¿Dªù·s¥ôÁ`·þ¹Å¼Ö§È (Vasco Lopes Guimarães) ¥¿¦¡¼i·s¡A­±¹ï¡u氹¥J¨Æ¥ó¡v¤ÞµoªºªÀ·|°ÊÀú¡C¹Å¼Ö§È¦bªì¨B±µ¨£¤u°Ó¬É¥Nªí®É¡A©Ó»{°Ê¥Îĵ¹îÄÝ¡u³B²z¥¢·í¡v¡A¨Ã©Ó¿Õ¦¨¥ß¿W¥ß½Õ¬d©e­û·|½Õ¬d¨Æ¥ó¡C³o¥»À³¬O¥­®§¨Æ¥óªº¥¿·í³~®|¡A­Y¿DªùÁ`·þ©Ó»{¤£·í¨Ã¶i¦æ¤½¥¿½Õ¬d¡A¨Æ¥ó²zÀ³¯à°÷¥­®§¡CµM¦Ó¦b¿W¥ß½Õ¬d©e­û·|­º¤é¶i¦æ¤u§@¤§®É¡A¥ª¬£¥Ü«ÂªÌ¤w¦û¾Ú«nÆW¡A¤jªk©xµLªk¤u§@¡A¥u¦n¾r¨®±¼ÀYÂ÷¶}¡C¦Û¦¹¡A¥ª¬£¶Õ¤O±N¨Æ¥ó±À¦V³ÌÃaªº¤è¦V¡A³Ì²×¾É­P1966 ¦~ 12 ¤ë 3 ¤é¤j³W¼Ò¦å¸{½Ä¬ðÃzµo¡A³y¦¨ 8 ¤H¦º¤`¡B212 ¤H¨ü¶Ë¡C

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In November 1966, the newly appointed Governor of Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, officially assumed his post, facing the social unrest triggered by the "Taipa Incident." During his initial meetings with representatives from the business and industrial sectors, Nobre de Carvalho acknowledged that deploying the police was a case of "mishandling" and promised to establish an Independent Commission of Inquiry to investigate the matter. This should have been the proper avenue to defuse the situation; had the Governor of Macau acknowledged the wrongdoing and conducted an impartial investigation, the incident ought to have been resolved peacefully. However, on the very first day the Independent Commission of Inquiry was set to begin its work, leftist demonstrators had already occupied Praia Grande. Unable to carry out his duties, the Chief Justice had no choice but to turn his car around and leave. From that point on, leftist forces pushed the incident toward the worst possible direction, ultimately leading to the outbreak of large-scale bloody clashes on December 3, 1966, which resulted in 8 deaths and 212 injuries.

This article will outline the establishment and failure of the Independent Commission of Inquiry, analyzing how the leftists transformed an issue that could have been resolved peacefully into a large-scale political struggle.

The outbreak of the Taipa Incident on November 15, 1966: On November 15, 1966, Rui de Andrade, the acting administrator of the Municipal Council of the Islands, noticed workers from the Taipa Fong Chong School erecting bamboo scaffolding for construction and dispatched personnel to stop them. The confrontation escalated into a police-civilian clash, resulting in dozens of injuries and 6 arrests, including a reporter from the Macao Daily News. The Taipa Fong Chong School was an evening school for workers' children founded by leftist unions such as the Macao Federation of Trade Unions, the Firecrackers' Union, and the Shipbuilding Union. To expand the school premises, the school had filed a petition with the Municipal Council of the Islands for a construction permit since April 1966, meeting with the administrator 24 times without any results. However, the school went ahead with erecting scaffolding and starting construction without official permission, sowing the seeds of the conflict.
November 18, 1966: The School Construction Committee presented five demands. The School Construction Committee officially put forward five demands:

Punish the perpetrators
The government must not obstruct the operation of the school
Compensate the injured for their losses
Overturn the verdicts against the detainees
Guarantee that no similar incidents occur in the future
November 22, 1966: Pro-Beijing associations condemned the incident. Pro-Beijing associations in Macau held a symposium to strongly condemn the police-civilian clash, threatening to launch a struggle. By this point, the incident had transformed from a simple labor-management dispute into a political confrontation.

Em Novembro de 1966, o recém-nomeado Governador de Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, assumiu oficialmente as suas funções, deparando-se com a agitação social espoletada pelo "Incidente da Taipa". Durante os primeiros encontros com os representantes dos sectores comercial e industrial, Nobre de Carvalho reconheceu que o recurso à polícia tinha sido um "erro de gestão" e prometeu criar uma Comissão de Inquérito Independente para investigar o caso. Este deveria ter sido o caminho correcto para acalmar os ânimos; se o Governador de Macau admitisse a falha e conduzisse uma investigação imparcial, o incidente deveria ter sido sanado. Contudo, logo no primeiro dia em que a Comissão de Inquérito Independente deveria dar início aos seus trabalhos, os manifestantes de esquerda já tinham ocupado a Praia Grande. Impedido de exercer as suas funções, o Juiz não teve outra alternativa senão dar a volta ao seu automóvel e retirar-se. A partir desse momento, as forças de esquerda empurraram o incidente para a pior direcção possível, culminando na eclosão dos confrontos sangrentos em grande escala no dia 3 de Dezembro de 1966, que resultaram em 8 mortos e 212 feridos.

O presente artigo irá sistematizar o processo de criação e o subsequente fracasso da Comissão de Inquérito Independente, analisando a forma como a esquerda transformou uma questão que poderia ter sido resolvida pacificamente numa luta política de grande envergadura.

A eclosão do Incidente da Taipa em 15 de Novembro de 1966: Em 15 de Novembro de 1966, Rui de Andrade, administrador interino da Câmara Municipal das Ilhas, constatou que os operários da Escola Fong Chong da Taipa realizavam obras com a montagem de andaimes de bambu, tendo enviado pessoal para interromper os trabalhos. O impasse evoluiu para um confronto entre a polícia e os residentes, provocando dezenas de feridos e 6 detidos, entre os quais um jornalista do Diário de Macau. A Escola Fong Chong da Taipa era uma escola nocturna para filhos de operários, fundada por sindicatos de esquerda, tais como a Associação Geral dos Operários de Macau, o Sindicato dos Operários de Fogo-de-Artifício e o Sindicato dos Estaleiros Navais. Para proceder à expansão das instalações escolares, a escola tinha submetido um pedido de licença de construção junto da Câmara Municipal das Ilhas desde Abril de 1966, tendo os seus responsáveis reunido com o administrador por 24 vezes sem qualquer resultado. Todavia, a escola avançou com a montagem de andaimes e o início das obras sem a devida autorização, lançando as sementes do conflito.

18 de Novembro de 1966: A Comissão de Construção da Escola apresentou cinco exigências. A Comissão de Construção da Escola formulou formalmente cinco exigências:

Punição dos culpados
Que o governo não ponha obstáculos ao funcionamento da escola
Indemnização dos feridos pelos danos sofridos
Revogação das sentenças contra as pessoas detidas
Garantia de que não se repetirão incidentes semelhantes no futuro
22 de Novembro de 1966: As associações pró-Pequim condenaram o incidente. As associações pró-Pequim em Macau organizaram um simpósio para condenar veementemente o confronto entre a polícia e os residentes, ameaçando avançar para uma acção de luta. Neste ponto, o incidente já se tinha transformado de uma simples disputa laboral numa confrontação política.


Em 25 de Novembro de 1966, o recém-nomeado Governador de Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, chegou oficialmente a Macau para tomar posse. Sendo a figura-chave na gestão dos acontecimentos subsequentes, Nobre de Carvalho enfrentou uma enorme pressão política. Em 29 de Novembro de 1966, o Governador reconheceu o erro de gestão e prometeu instituir uma comissão de inquérito. Nobre de Carvalho reuniu-se com representantes dos sectores comercial e industrial, admitindo que o recurso à polícia tinha sido um "erro de gestão" e comprometendo-se a criar uma Comissão de Inquérito Independente para investigar o caso. Este era o canal legítimo para resolver o diferendo; se o Governador de Macau reconhecesse o erro e fizesse uma investigação justa, a crise deveria ter sido debelada.

O Governador Nobre de Carvalho mandou publicar em Boletim Oficial a criação da Comissão de Inquérito Independente
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An Independent Commission of Inquiry was established, and Chief Justice João Carlos de Carvalho (1932¡V2026) was appointed as its chairman, tasked with conducting an impartial investigation into the "Taipa Incident." (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Foi criada a Comissão de Inquérito Independente, tendo o Juiz João Carlos de Carvalho (1932¡V2026) sido nomeado presidente da mesma, com a missão de conduzir uma investigação imparcial sobre o "Incidente da Taipa". (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

1966 ¦~ 11 ¤ë 25 ¤é¿Dªù·s¥ôÁ`·þ¹Å¼Ö§È¥¿¦¡©è¹F¿Dªù¼i·s¡C§@¬°³B²z«áÄò¨Æ¥óªº关键¤Hª«¡A¹Å¼Ö§È­±Á{·¥¤jªº¬FªvÀ£¤O¡C1966 ¦~ 11 ¤ë 29 ¤é¡AÁ`·þ©Ó»{³B²z¥¢·í¨Ã©Ó¿Õ¦¨¥ß½Õ¬d©e­û·|¡A¹Å¼Ö§È±µ¨£¤u°Ó¬É¥Nªí¡A©Ó»{°Ê¥Îĵ¹îÄÝ¡u³B²z¥¢·í¡v¡A¨Ã©Ó¿Õ¦¨¥ß¿W¥ß½Õ¬d©e­û·|½Õ¬d¨Æ¥ó¡C³o¬O¥­®§¨Æ¥óªº¥¿·í³~®|­Y¿DªùÁ`·þ©Ó»{¤£·í¨Ã¶i¦æ¤½¥¿½Õ¬d¡A¨Æ¥ó²zÀ³¯à°÷®§¡C

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On November 25, 1966, the newly appointed Governor of Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, officially arrived in Macau to assume his post. As the pivotal figure responsible for handling the subsequent events, Nobre de Carvalho faced immense political pressure. On November 29, 1966, the Governor acknowledged the mishandling and promised to establish an investigative commission. Nobre de Carvalho met with representatives from the business and industrial sectors, admitting that deploying the police was a case of "mishandling" and pledging to set up an Independent Commission of Inquiry to probe the incident. This was the proper avenue to settle the dispute; if the Governor of Macau admitted the error and conducted an impartial investigation, the crisis should have been abated.

Governor Nobre de Carvalho published the official gazette to establish the Independent Commission of Inquiry

At the end of November 1966, Governor Nobre de Carvalho officially published the government gazette to establish the Independent Commission of Inquiry, appointing Chief Justice João Carlos de Carvalho (1932¡V2026) as the chairman of the commission. The establishment of the Independent Commission of Inquiry was originally intended to mark the beginning of an impartial investigation into the "Taipa Incident."

The responsibilities of the commission included:
• Investigating the truth behind the police-civilian clash on November 15, 1966
• Clarifying whether police officers had abused their power
• Putting forward recommendations for improvement with the expectation of resolving the incident

Following the Governor's admission of mishandling and the establishment of the Independent Commission of Inquiry, all walks of life generally expected the incident to settle down. Neutral groups, such as business representatives and the Macao Chamber of Commerce, believed this was the proper way to resolve the problem. However, leftist forces did not accept this solution; instead, they pushed the incident in a worse direction. On December 3, 1966, the leftists occupied Praia Grande, rendering the Chief Justice unable to work. The Independent Commission of Inquiry was scheduled to commence work on its first day. When Chief Justice João Carlos de Carvalho drove toward the commission's office in Praia Grande, the entire area had already been occupied by leftist demonstrators. The leftist demonstrators were vast in number, blocking roads and occupying buildings. Unable to function normally, the Chief Justice had no choice but to turn his car around and depart. The Independent Commission of Inquiry was frustrated on its very first day, and the process of a fair investigation was paralyzed by leftist forces. Leftist forces did not view the Independent Commission of Inquiry as a legitimate path to resolve the problem, but rather saw the incident as an opportunity for political struggle.

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No final de Novembro de 1966, o Governador Nobre de Carvalho mandou publicar oficialmente em Boletim Oficial a constituição da Comissão de Inquérito Independente, nomeando o Juiz João Carlos de Carvalho (1932¡V2026) para assumir a presidência da mesma. A instituição desta comissão deveria ter assinalado o início de um apuramento imparcial dos factos do "Incidente da Taipa".

As competências da comissão incluíam:
• Investigar a verdade subjacente ao confronto entre a polícia e os residentes de 15 de Novembro de 1966
• Esclarecer se houve abuso de poder por parte das forças policiais
• Apresentar recomendações de melhoria com vista à resolução do incidente

Após o reconhecimento do erro de gestão por parte do Governador e a criação da Comissão de Inquérito Independente, os diversos sectores da sociedade esperavam de uma forma geral que a situação estabilizasse. Os grupos neutros, tais como os representantes do comércio e a Associação Comercial de Macau, consideravam que esta era a via correcta para solucionar o problema. No entanto, as forças de esquerda não acolheram esta solução, optando por empurrar o incidente numa direcção ainda pior. Em 3 de Dezembro de 1966, a esquerda ocupou a Praia Grande, impossibilitando o Juiz de trabalhar. A Comissão de Inquérito Independente tinha o início dos seus trabalhos agendado para esse dia. Quando o Juiz João Carlos de Carvalho se deslocava de automóvel em direcção às instalações da comissão na Praia Grande, toda a zona já se encontrava tomada por manifestantes de esquerda. Os manifestantes eram em grande número, bloqueando as vias rodoviárias e ocupando edifícios. Sem condições para trabalhar normalmente, o Juiz não teve outro remédio senão inverter a marcha do seu veículo e abandonar o local. A Comissão de Inquérito Independente viu-se frustrada logo no primeiro dia, ficando o processo de investigação justa paralisado pelas forças de esquerda. Estas forças não encararam a Comissão de Inquérito Independente como uma via legítima para resolver o problema, mas sim como uma oportunidade de luta política.

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At noon on December 3, 1966, protesting crowds had already gathered in front of the Praia Grande Court Building as riot police deployed tear gas to disperse them. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Ao meio-dia de 3 de Dezembro de 1966, a multidão de manifestantes já se encontrava concentrada em frente ao Edifício do Tribunal na Praia Grande, tendo a polícia anti-motim lançado gases lacrimogéneos para dispersar a multidão. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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On December 3, 1966, the protesting crowds had already gathered and occupied Praia Grande. The front of the Court Building was packed with people, and Chief Justice João Carlos de Carvalho's vehicle was unable to pass through. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Em 3 de Dezembro de 1966, a multidão de manifestantes já se tinha concentrado e ocupado a Praia Grande. A zona em frente ao Edifício do Tribunal estava repleta de pessoas, impossibilitando a passagem do veículo do Juiz João Carlos de Carvalho. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Liao Chengzhi, who was originally in charge of Hong Kong and Macau affairs, instructed in August 1966 that the Cultural Revolution should not be launched in Hong Kong and Macau. However, after October 1967, Liao Chengzhi was stripped of power and subjected to struggle sessions by the Red Guards. Both Hong Kong and Macau fell completely under the control of the extreme left. Left image: Liao Chengzhi's handwritten signature and seal from 1976. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Liao Chengzhi, originalmente responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau, havia instruído em Agosto de 1966 que a Revolução Cultural não deveria ser lançada em Hong Kong e Macau. Contudo, após Outubro de 1967, Liao Chengzhi foi afastado do poder e alvo de sessões de denúncia pelos Guardas Vermelhos. Ambas as regiões de Hong Kong e Macau ficaram completamente sob o controlo da esquerda extremista. À esquerda: assinatura autógrafa e carimbo de Liao Chengzhi em 1976. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)


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As early as November 30, 1966, teachers and students from Hou Kong School gathered outside the Governor's Palace to protest. In the following days, the number of protestors grew larger, with some holding the "Little Red Book" and reciting quotations from Chairman Mao. The protest gradually escalated, transforming from a simple dispute over school construction into a political confrontation. The connections between the leftist forces, the Hong Kong and Macau Work Committee, and the Xinhua News Agency showed that the leftist forces did not act in isolation. Instead, they received backing from mainland China, with the Macau protest movement being instigated by Liang Weilin and Qi Feng, leaders of the former Xinhua News Agency Hong Kong Branch (the CCP Hong Kong and Macau Work Committee). Furthermore, shortly after Liao Chengzhi was stripped of power and struggled against by the Red Guards, leftist elements received new directives and decided to carry out actions in a more aggressive manner. Having clear links with the Hong Kong and Macau Work Committee and the Xinhua News Agency, they caused the incident to transform into an event with clear political motives.

On December 3, 1966, a large-scale conflict broke out. At 12:00 noon on December 3, a massive clash erupted in front of the Governor's Palace. Leftists forced their way into the Governor's Palace, singing revolutionary songs, reading Mao quotations, and overturning police cars. After 3:00 p.m., they attacked the Municipal Council and the Notary Office. The crowd destroyed the commemorative bronze statue of Vicente Nicolau de Mesquita and threw it into the Inner Harbor, defaced the stone statue of Jorge Álvares, and stormed the Municipal Council and the Notary Office. At 4:30 p.m., riot police opened fire. The crowd marched along Rua de Central toward the Police Headquarters, where riot police fired tear gas and live ammunition. At 6:00 p.m., the Governor issued a martial law order and imposed a curfew. In the following days, several more people were shot and killed by indiscriminate gunfire. Official statistics from December 3 to 4 recorded 8 deaths, 212 injuries, and between 40 and 62 arrests. Unofficial local accounts, however, claimed that 11 people were killed.

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Logo em 30 de Novembro de 1966, professores e alunos da Escola Hou Kong concentraram-se em frente ao Palácio do Governador em sinal de protesto. Nos dias seguintes, o número de manifestantes aumentou progressivamente, com indivíduos a empunhar o "Livro Vermelho" e a recitar as citações de Mao, fazendo com que as acções de protesto escalassem gradualmente, transformando-se de uma mera disputa sobre a construção de uma escola numa confrontação política. As ligações entre as forças de esquerda, o Comité de Trabalho de Hong Kong e Macau e a Agência de Notícias Xinhua demonstraram que as forças de esquerda não agiram de forma isolada. Pelo contrário, contaram com o apoio do interior da China, tendo o movimento de contestação em Macau sido desencadeado por Liang Weilin e Qi Feng, líderes da antiga Filial de Hong Kong da Agência de Notícias Xinhua (o Comité de Trabalho de Hong Kong e Macau do PCC). Além disso, pouco tempo após Liao Chengzhi ter sido afastado do poder e fustigado pelos Guardas Vermelhos, os elementos de esquerda receberam novas directrizes, decidindo adoptar formas mais violentas. Mantendo ligações claras com o Comité de Trabalho de Hong Kong e Macau e com a Agência de Notícias Xinhua, fizeram com que o caso se convertesse num acontecimento com objectivos políticos definidos.

Em 3 de Dezembro de 1966, eclodiram confrontos em grande escala. Ao meio-dia de 3 de Dezembro, registou-se um violento confronto em frente ao Palácio do Governador. Elementos de esquerda invadiram o Palácio do Governador, entoando cânticos revolucionários, lendo citações de Mao e capotando viaturas policiais. Após as 15h00, atacaram o Leal Senado (Câmara Municipal) e a Repartição do Notariado. A multidão destruiu a estátua de bronze em memória de Vicente Nicolau de Mesquita, lançando-a no Porto Interior, vandalizou a estátua de pedra de Jorge Álvares, e invadiu o Leal Senado e a Repartição do Notariado. Às 16h30, a polícia anti-motim abriu fogo. A multidão marchou ao longo da Rua de São Lourenço (Rua Central) em direcção ao Quartel-General da Polícia, onde a polícia anti-motim lançou gases lacrimogéneos e disparou tiros de arma de fogo. Às 18h00, o Governador decretou o estado de sítio e o recolher obrigatório. Nos dias subsequentes, mais algumas pessoas foram mortas por tiros indiscriminados. As estatísticas oficiais de 3 a 4 de Dezembro registaram 8 mortos, 212 feridos e entre 40 a 62 detidos. Contudo, os relatos populares locais apontavam para a existência de 11 mortos.


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Liao Chengzhi's Loss of Power and the Political Objectives of the Extreme Leftist Forces

The leftist forces were not merely seeking a resolution to a labor dispute; rather, they had clear political objectives aimed at eradicating Kuomintang (KMT) influence. On January 2, 1967, the Macanese Portuguese government issued an official proclamation banning all activities hostile to the People's Republic of China, shutting down all KMT institutions, and prohibiting the display of the Blue Sky, White Sun flag. Consequently, KMT influence in Macau was completely eradicated. Following the "12-3 Incident," Communist forces took de facto control of Macau, and the leftists took root across all strata of society, an influence that extends into the modern era. Leftists from Hong Kong came to Macau to absorb this "Macau experience," which directly led to the outbreak of the 1967 Leftist Riots in Hong Kong. The shockwaves of the Cultural Revolution thus rippled from mainland China into the Hong Kong and Macau regions. On May 16, 1966, Mao Zedong launched the Cultural Revolution. Liao Chengzhi, who was responsible for Hong Kong and Macau affairs, had instructed in August that the Cultural Revolution should not be carried out in Hong Kong and Macau. However, stimulated by the success of the extreme left in seizing power during the December 3 "12-3 Incident" in Macau, the rational factions gradually lost their political footing. After October 1967, Liao Chengzhi was stripped of power and subjected to struggle sessions by the Red Guards, and leftist elements accepted new instructions, deciding to launch anti-colonial struggles in Hong Kong through even more violent means. The leftist forces viewed the Macau incident as an extension of the Cultural Revolution in the Hong Kong and Macau regions, which transformed the event from a simple police-civilian clash into a struggle with explicit political goals, a shift that often incurs uncontrollable costs.

O Afastamento de Liao Chengzhi e os Objectivos Políticos das Forças de Esquerda Extremistas

As forças de esquerda não procuravam a mera resolução de um conflito laboral, mas sim objectivos políticos claros, focados na erradicação da influência do Kuomintang (KMT). Em 2 de Janeiro de 1967, o Governo de Macau publicou um bando oficial proibindo todas as actividades hostis à República Popular da China, encerrando todas as instituições do KMT e proibindo a exibição da bandeira do "Céu Azul e Sol Branco". Consequentemente, a influência do KMT em Macau foi totalmente erradicada. Após o "Incidente 1-2-3", as forças comunistas assumiram o controlo de facto de Macau, e a esquerda enraizou-se em todos os estratos da sociedade, uma influência que se estende até à actualidade. Elementos de esquerda de Hong Kong deslocaram-se a Macau para absorver esta "experiência de Macau", o que ditou directamente a eclosão dos Distúrbios de 1967 (Revolta de 67) em Hong Kong. As ondas de choque da Revolução Cultural expandiram-se, assim, do interior da China para as regiões de Hong Kong e Macau. Em 16 de Maio de 1966, Mao Zedong lançou a Revolução Cultural. Liao Chengzhi, responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau, havia instruído em Agosto que a Revolução Cultural não deveria ser realizada nestas duas regiões. Contudo, estimulados pelo sucesso da esquerda extremista na tomada de poder durante o "Incidente 1-2-3" de Dezembro em Macau, as facções moderadas e racionais perderam gradualmente o seu espaço político. Após Outubro de 1967, Liao Chengzhi foi afastado do poder e alvo de sessões de denúncia pelos Guardas Vermelhos, e as células de esquerda aceitaram novas instruções, determinando-se a iniciar as lutas anti-coloniais em Hong Kong através de meios ainda mais violentos. As forças de esquerda encararam o caso de Macau como uma extensão da Revolução Cultural nas regiões de Hong Kong e Macau, o que transformou o acontecimento de um simples confronto entre a polícia e os residentes numa luta com fins políticos explícitos, uma mutação que costuma acarretar custos incontroláveis.



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From the Taipa Incident to the 12-3 Incident: A History Stained with Blood

Do Incidente da Taipa ao Incidente 12-3: Uma História Manchada de Sangue

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Driven by immense hatred for imperialism, patriotic compatriots climbed onto the stone statue of Jorge Álvares¡Xwho came to China for aggressive activities over four hundred years ago¡Xand smashed off its right arm. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Movidos por um ódio imenso ao imperialismo, os compatriotas patrióticos subiram à estátua de pedra de Jorge Álvares ¡X que veio à China para atividades de agressão há mais de quatrocentos anos ¡X e partiram o seu braço direito. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Water cannons are paper tigers as well; patriotic teachers and students, high in morale, fought bravely against the water jets. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Os autotanques de água também são tigres de papel; professores e estudantes patrióticos, com o moral elevado, lutaram bravamente contra os jactos de água. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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In 1966, grassroots workers in Taipa, an outlying island of Macau, were unable to send their children to school due to poverty. They initiated the establishment of the Taipa Fong Chong School, hoping to provide local schoolchildren with places to study. In April of the same year, the school leased properties at Nos. 4, 6, and 8 of Rua do Regedor for expansion. They submitted an application to the Administrative Council in June, but after 24 rounds of negotiations and submissions, it was never approved. Lacking the patience to wait indefinitely for the construction permit, the school followed past practice and began erecting scaffolding for construction. On November 15, Ruide Andrade, the acting administrator of the Municipality of the Islands, noticed the scaffolding erected in front of the school on his way to work. Deeply shocked, he immediately dispatched staff to investigate and halt the work. The workers ignored the warnings, and the tone on both sides grew aggressive. The authorities then dispatched police officers to stop them, leading to a standoff that ultimately escalated into a violent clash between the police and the public.

The Portuguese-Macau police resorted to force, beating the crowd and injuring 24 people. Among them, a member of the Vegetable Farmers' Union and a member of the Firecracker Workers' Union suffered severe head trauma and later passed away due to complications. In addition, six people were arrested, including a reporter from the Macao Daily News who was interviewing people at the scene and was detained by the police for two hours. At 1:00 PM that afternoon, the Macao Chamber of Commerce immediately sent representatives to contact the Municipality of the Islands. Representatives for the school construction also went to negotiate, but four of them were arrested and held overnight before even meeting the administrator. They were later released on bail with the assistance of Chui Tak-kei, the vice president of the Chamber of Commerce.

Residents of Taipa were extremely angered by this, prompting a city-wide strike and market shutdown across Macau. Many left-wing groups marched to the Governor's Palace to deliver protest letters, causing social tensions to escalate rapidly. On November 18, the Committee for the Construction of the Taipa Residents' School submitted five demands to the Portuguese-Macau government:

The Portuguese-Macau authorities must severely punish the perpetrators responsible for creating this bloody incident.
The Portuguese-Macau Taipa authorities must not obstruct our building repairs for schooling, which violates the normal rights of residents.
The Portuguese-Macau Taipa authorities and the Portuguese-Macau police must be responsible for compensating all medical expenses of the injured and all losses caused by this incident.
We protest against the unjust arrest and sentencing of our representatives by the Portuguese-Macau judicial police, and the groundless verdicts must be overturned.
The Portuguese-Macau authorities must guarantee that similar incidents of beating residents will never happen again.
Following the incident, Ho Yin, revered as the leader of the Chinese community in Macau, visited Acting Governor Carlos Armando da Mota Cerveira, urging him to handle the situation with caution. However, Mota Cerveira flatly rejected the advice with a hardline stance and refused to compromise. On November 22, representatives of pro-Beijing community groups held a seminar condemning the incident and threatened to launch a "struggle." On November 25, the newly appointed Governor Nobre de Carvalho arrived in Macau to assume office. When receiving representatives from the industrial and commercial sectors on the afternoon of November 29, he admitted that deploying police in the school construction dispute was a mishandling of the situation. He promised to establish an investigation committee composed of official and neutral civilian figures to thoroughly investigate the incident. 

However, the Macao Chamber of Commerce did not accept the Governor's invitation to send civilian representatives to the investigation committee, rendering the committee unable to function as expected. The protests by pro-Beijing community groups continued to escalate, with crowds gathering outside the Macau Governor's Palace every day. Demands and content of the six-point agreement from groups like the Students' Union and the Federation of Trade Unions: As protests continued to intensify, prior to December 3, pro-Beijing groups in Macau¡Xincluding the Macao Chinese Students' United Association (Students' Union), the Macao Federation of Trade Unions (Trade Unions), the Macao Women's General Association (Women's Association), and the General Union of Neighbors' Associations of Macao (Neighbors' Union)¡Xsubmitted even harsher demands to the Portuguese-Macau government.

Em 1966, os trabalhadores de base da Taipa, uma ilha periférica de Macau, não podiam enviar os seus filhos à escola devido à pobreza. Por isso, iniciaram a angariação de fundos para a construção da Escola Fong Chong da Taipa, esperando dar às crianças locais a oportunidade de estudar. Em Abril do mesmo ano, a escola arrendou os prédios n.os 4, 6 e 8 da Rua do Regedor para fins de ampliação. Em Junho, submeteram o pedido ao Conselho Executivo, mas após 24 rondas de negociações e pedidos, este nunca foi aprovado. Sem paciência para esperar indefinidamente pela licença de construção, a escola seguiu a prática habitual e começou a montar andaimes para a obra. A 15 de Novembro, Ruide Andrade, administrador interino do Município das Ilhas, avistou os andaimes montados em frente à escola a caminho do trabalho. Profundamente surpreendido, enviou imediatamente funcionários para averiguar e impedir a obra. Os trabalhadores ignoraram os avisos e o tom de ambos os lados tornou-se agressivo. As autoridades enviaram então agentes policiais para os travar, resultando num impasse que acabou por escalar para um confronto violento entre a polícia e a população.

A polícia luso-maometana recorreu à força, espancando a multidão e ferindo 24 pessoas. Entre elas, um membro da Associação dos Agricultores de Hortaliças e um membro da Associação dos Trabalhadores de Panchões sofreram graves traumatismos cranianos, vindo a falecer mais tarde devido às sequelas. Além disso, seis pessoas foram detidas, incluindo um jornalista do Diário de Macau que se encontrava no local a fazer a reportagem e que ficou retido pela polícia durante duas horas. Às 13h00 desse mesmo dia, a Associação Comercial de Macau enviou imediatamente representantes para contactar o Município das Ilhas. Os representantes da construção da escola também se deslocaram para negociar, mas quatro deles foram detidos e passaram a noite na prisão antes mesmo de reunirem com o administrador. Foram libertados mais tarde sob fiança, com o apoio de Chui Tak-kei, vice-presidente da Associação Comercial.

Os residentes da Taipa ficaram extremamente indignados com o sucedido, o que desencadeou uma greve geral e o encerramento do comércio em todo o território de Macau. Vários grupos de esquerda marcharam até ao Palácio do Governador para entregar cartas de protesto, fazendo com que as tensões sociais escalassem rapidamente. A 18 de Novembro, a Comissão de Construção da Escola dos Residentes da Taipa apresentou cinco exigências ao Governo de Macau:

As autoridades de Macau devem punir severamente os culpados que causaram este incidente sangrento.
As autoridades da Taipa não devem obstruir as obras de reparação da nossa escola, o que viola os direitos normais dos residentes.
As autoridades da Taipa e a polícia de Macau devem ser responsáveis pelo pagamento de todas as despesas médicas dos feridos e de todos os prejuízos resultantes deste incidente.
Protestamos contra a detenção e condenação injustas dos nossos representantes pela polícia judiciária de Macau, devendo as sentenças infundadas ser revogadas.
As autoridades de Macau devem garantir que incidentes semelhantes de espancamento de residentes nunca mais voltarão a acontecer.
Após o incidente, Ho Yin, reverenciado como o líder da comunidade chinesa de Macau, visitou o Governador interino Carlos Armando da Mota Cerveira, apelando a que tratasse o caso com prudência. No entanto, Mota Cerveira rejeitou firmemente o conselho com uma postura intransigente e recusou ceder. A 22 de Novembro, representantes de associações pró-Pequim realizaram um simpósio para condenar o incidente e ameaçaram iniciar uma "luta". A 25 de Novembro, o novo Governador Nobre de Carvalho chegou a Macau para assumir o cargo. Ao receber os representantes dos sectores industrial e comercial na tarde de 29 de Novembro, admitiu que o uso da força policial no caso da construção da escola tinha sido um erro de gestão. Prometeu criar uma comissão de inquérito composta por figuras oficiais e civis neutras para investigar o incidente a fundo. 

Contudo, a Associação Comercial de Macau não aceitou o convite do Governador para enviar representantes civis para a comissão de inquérito, pelo que esta não funcionou como previsto. Os protestos das associações pró-Pequim continuaram a intensificar-se, com multidões a concentrarem-se todos os dias em frente ao Palácio do Governador de Macau. Exigências e conteúdo do acordo de seis pontos de grupos como a Associação de Estudantes e a Federação de Sindicatos: Com a continuação da escalada dos protestos, antes de 3 de Dezembro, as associações pró-Pequim de Macau ¡X incluindo a Associação Geral de Estudantes Chineses de Macau (Estudantes), a Federação das Associações dos Operários de Macau (Sindicatos), a Associação Geral das Mulheres de Macau (Mulheres) e a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Moradores) ¡X apresentaram exigências ainda mais severas ao Governo de Macau. 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Showing no fear before the brutal Portuguese police, patriotic teachers and students held high "Quotations from Chairman Mao" and raised their arms, chanting: "Oppose the Portuguese-Macau persecution of Chinese compatriots!" (Image source:  Acta Scientrium Ngensis ) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Sem demonstrarem qualquer medo perante a brutal polícia portuguesa, professores e estudantes patrióticos ergueram as "Citações do Presidente Mao" e levantaram os braços, gritando: "Contra a perseguição dos compatriotas chineses pelas autoridades de Macau!". (Fonte da imagem: Arquivos do  Acta Scientrium Ngensis) 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Linking arms, patriotic teachers and students formed a wall of bronze and iron. Unafraid of danger, they resolutely stood their ground against the water cannons. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis)

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": De braços dados, professores e estudantes patrióticos formaram uma muralha de bronze e ferro. Destemidos perante o perigo, resistiram firmemente contra os autotanques de água. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": The patriotic compatriots' anti-imperialist fury turned toward the "Leal Senado" (Municipal Council), a Portuguese-Macau organ that had long oppressed and exploited Chinese compatriots. They tore down all the portraits of past "Governors" hanging inside and threw them into the street. 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": A fúria anti-imperialista dos compatriotas patrióticos virou-se contra o Leal Senado, um órgão de Macau que há muito oprimia e explorava os compatriotas chineses. Retiraram todos os retratos dos antigos "Governadores" ali pendurados e atiraram-nos para a rua. 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Where there is oppression, there is resistance. Driven to fury by the bloody persecution of the Portuguese-Macau authorities, patriotic compatriots overturned a police car in the middle of the street. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis ) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Onde há opressão, há resistência. Enfurecidos pela perseguição sangrenta das autoridades de Macau, os compatriotas patrióticos capotaram um carro da polícia em plena rua. (Fonte da imagem: Arquivos do  Acta Scientrium Ngensis) 
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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Patriotic compatriots threw filing cabinets, sofas, typewriters, and other items from inside the "Leal Senado" out into the street. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis )

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Os compatriotas patrióticos atiraram arquivos, sofás, máquinas de escrever e outros objectos do interior do Leal Senado para o meio da rua. (Fonte da imagem: Arquivos do  Acta Scientrium Ngensis)

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Portuguese infantry and armored vehicles appeared on patrol around Praia Grande. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis ) 
Infantaria portuguesa e viaturas blindadas apareceram a patrulhar a zona da Praia Grande. (Fonte da imagem: Arquivos do  Acta Scientrium Ngensis)

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": The Portuguese authorities intensified their slaughter of Chinese compatriots. The "Army Commander," Mota Cerveira, went so far as to deploy additional Portuguese soldiers and send out armored vehicles to massacre unarmed Chinese compatriots. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis )

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": As autoridades portuguesas intensificaram o massacre dos compatriotas chineses. O "Comandante Militar", Mota Cerveira, chegou ao extremo de mobilizar soldados portugueses adicionais e enviar viaturas blindadas para massacrar compatriotas chineses indefesos. (Fonte da imagem: Arquivos do  Acta Scientrium Ngensis)

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Back cover caption: Chinese compatriots in Macau defiantly denounced the paper tiger, demonstrating the undaunted, heroic spirit of the Chinese nation. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis ) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Legenda da contracapa: Os compatriotas chineses de Macau denunciaram com firmeza o tigre de papel, demonstrando o espírito heroico e destemido da nação chinesa. (Fonte da imagem: Arquivos do  Acta Scientrium Ngensis)

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": After the "Taipa Bloodshed" occurred, the Portuguese-Macau authorities delayed accepting the five conditions proposed by the Chinese residents of Taipa. Patriotic teachers and students held high "Quotations from Chairman Mao" and marched to the Governor's Palace to protest against the Portuguese-Macau persecution of Chinese compatriots! (Image source:  Acta Scientrium Ngensis) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Após a ocorrência do "Massacre da Taipa", as autoridades de Macau demoraram a aceitar as cinco condições apresentadas pelos residentes chineses da Taipa. Professores e estudantes patrióticos ergueram as "Citações do Presidente Mao" e dirigiram-se ao Palácio do Governador para protestar contra a perseguição dos compatriotas chineses pelas autoridades de Macau! (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis) 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Patriotic compatriots rushed into the Portuguese-Macau "Notary Office" (Repartição do Notariado) and smashed all the Portuguese-Macau documents and equipment inside. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Os compatriotas patrióticos invadiram a "Repartição do Notariado" de Macau, destruindo todos os documentos e utensílios do governo luso-maometano que se encontravam no interior. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis) 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Medical personnel at Kiang Wu Hospital carried forward the revolutionary humanitarian spirit of healing the wounded and rescuing the dying, making every effort to save injured compatriots. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": O pessoal médico do Hospital Kiang Wu promoveu o espírito humanitário revolucionário de salvar os feridos e socorrer os moribundos, envidando todos os esforços para resgatar os compatriotas lesionados. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis) 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": Portuguese soldiers slaughtered the innocent indiscriminately, and even residents inside their own homes were brutally killed. (Editor's Note: The deceased in the X-ray is Chan Sou). The image shows the head X-ray of a Chinese compatriot hit by gunfire. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": Os soldados portugueses mataram inocentes indiscriminadamente, e até os residentes dentro das suas próprias casas foram brutalmente assassinados. (Nota do editor: O falecido na radiografia é Chan Sou). A imagem mostra a radiografia da cabeça de um compatriota chinês atingido por disparos. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis) 

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Original text from "Oppose the Bloody Atrocities of the Portuguese Imperialists in Macau": The blood debt must be repaid! The image shows some of the blood-stained clothes of Chinese compatriots killed or injured by the Portuguese-Macau authorities. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis) 

Texto original de "Contra as Atrocidades Sangrentas do Imperialismo Português em Macau": A dívida de sangue terá de ser paga! A imagem mostra uma parte das roupas ensanguentadas dos compatriotas chineses mortos e feridos pelas autoridades de Macau. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis) 


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In the CCP's People's Daily newspaper on December 11, the CCP published an article sternly criticizing the atrocities of the Portuguese government in Macau. (Image source:   Acta Scientrium Ngensis)

No jornal do PCC Diário do Povo de 11 de dezembro, o PCC publicou um artigo criticando severamente as atrocidades do Governo português de Macau. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)

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Text 1: Editorial (Commentator of "People's Daily")

Title: A Stern Warning to the Portuguese Authorities in Macao

Body:

Recently, the Portuguese authorities in Macao have repeatedly deployed large numbers of armed military and police to brutally suppress the righteous struggle of our patriotic compatriots in Macao. According to incomplete statistics, on December 3 and 4, the Portuguese authorities in Macao killed and injured more than 100 of our patriotic compatriots. This is a bloody massacre deliberately engineered by the authorities. The Chinese people express their utmost indignation over this and lodge the strongest protest with the Portuguese authorities in Macao!

The demands raised by our patriotic compatriots in Macao to safeguard their legitimate rights are completely reasonable. It is a matter of course that the residents of Taipa Island raised their own funds to build a school building to solve the problem of their children's education. Yet, the Portuguese authorities in Macao went so far as to carry out a brutal crackdown on them, resulting in the "Taipa Bloodshed" in which more than 40 people were injured. This could not but arouse the anger and resistance of our patriotic compatriots in Macao. They put forward solemn demands to the Portuguese authorities in Macao, including the severe punishment of the perpetrators. However, instead of bowing their heads and admitting their guilt, the Portuguese authorities in Macao intensified their actions, carrying out an unprecedentedly large-scale massacre of our patriotic compatriots in Macao on December 3 and 4. It is very clear that this is an organized and planned fascist atrocity by the Portuguese authorities in Macao, and they must bear full responsibility for this crime.

Facing the despicable and shameless atrocities of the Portuguese fascists, the patriotic compatriots in Macao have stood unyielding, advanced wave upon wave, and persisted in their struggle, demonstrating the dauntless heroic spirit of the Chinese nation. Their struggle against persecution is entirely righteous. We most resolutely support the heroic struggle of our patriotic compatriots in Macao.

Now, while the Portuguese authorities in Macao superficially feign acceptance of the demands raised by the Taipa residents, they are actually employing schemes and intrigues in a vain attempt to escape their bloody responsibility for the massacre of Chinese residents in December. However, every wrong has its cause, and every debt has its debtor. It is absolutely impossible for the Portuguese authorities in Macao, headed by the Portuguese imperialist José Nobre de Carvalho, to shirk this debt of blood.

It is worth noting that the Chiang Kai-shek bandit gang in Taiwan and the US and British imperialists are colluding with the Portuguese authorities in Macao, doing their utmost to support the bloody atrocities of the Portuguese authorities in Macao in suppressing Chinese residents. They manufacture rumors, turn black into white, and attempt to fish in troubled waters. Patriotic compatriots in Macao must heighten their vigilance and expose all the schemes and intrigues of the Chiang Kai-shek bandit gang and the US and British imperialists, and must never allow them to stir up trouble and act willfully in Macao! If the Portuguese authorities in Macao should go so far as to let the Chiang Kai-shek bandit gang and US and British imperialist elements intervene in Macao affairs, the Chinese people will absolutely not permit it, and all serious consequences must be borne by the Portuguese authorities in Macao.

The great Chinese people, armed with Mao Zedong Thought, are not to be trifled with. The Chinese people will absolutely not tolerate the brutal persecution of our compatriots by the Portuguese authorities in Macao. Anyone who provokes the great Chinese people will certainly come to no good end.

The four demands put forward in the statement issued on December 9 by the Director of the Foreign Affairs Office of Guangdong Province express the firm stance of the 700 million Chinese people. We sternly warn the Portuguese authorities in Macao: You must immediately stop all persecution of Chinese residents in Macao; you must unconditionally accept and fulfill all the righteous demands put forward by the Chinese residents of all circles in Macao, severely punish the main perpetrators, apologize to the Chinese residents, and compensate for all losses; you must also earnestly guarantee that Chiang bandit agents will not be allowed to carry out any destructive activities, and that US and British imperialist elements will not be allowed to intervene in Macao affairs. The Portuguese authorities in Macao must immediately accept and fully implement the solemn demands of the Chinese side. Otherwise, you will surely reap what you sow.


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Texto 1: Editorial (Comentador do "Diário do Povo")

Título: Uma Advertência Severa às Autoridades Portuguesas em Macau

Corpo do texto:

Recentemente, as autoridades portuguesas em Macau mobilizaram repetidamente um grande número de militares e polícias armados para reprimir brutalmente a luta justa dos nossos compatriotas patriotas em Macau. Segundo estatísticas incompletas, nos dias 3 e 4 de dezembro, as autoridades portuguesas em Macau mataram e feriram mais de 100 dos nossos compatriotas patriotas. Este é um massacre sangrento deliberadamente orquestrado pelas autoridades. O povo chinês manifesta a sua maior indignação perante este facto e apresenta o mais forte protesto junto das autoridades portuguesas em Macau!

As exigências apresentadas pelos nossos compatriotas patriotas em Macau para salvaguardar os seus direitos legítimos são totalmente razoáveis. É perfeitamente natural que os residentes da Ilha da Taipa tenham angariado fundos próprios para construir instalações escolares, resolvendo assim o problema da escolaridade dos seus filhos. Contudo, as autoridades portuguesas em Macau chegaram ao ponto de exercer uma repressão violenta contra eles, resultando no "Incidente Sangrento da Taipa", no qual mais de 40 pessoas ficaram feridas. Isto não pôde deixar de suscitar a indignação e a resistência dos nossos compatriotas patriotas em Macau. Eles apresentaram exigências severas às autoridades portuguesas em Macau, incluindo a punição rigorosa dos culpados. No entanto, em vez de baixarem a cabeça e admitirem a culpa, as autoridades portuguesas em Macau intensificaram as suas ações, realizando um massacre de escala sem precedentes contra os nossos compatriotas patriotas em Macau nos dias 3 e 4 de dezembro. É evidente que se trata de uma atrocidade fascista, organizada e planeada pelas autoridades portuguesas em Macau, as quais devem assumir a responsabilidade total por este crime.

Enfrentando as atrocidades desprezíveis e desavergonhadas dos fascistas portugueses, os compatriotas patriotas em Macau mantiveram-se inabaláveis, avançaram vaga após vaga e persistiram na sua luta, demonstrando o espírito heroico e destemido da nação chinesa. A sua luta contra a perseguição é inteiramente justa. Apoiamos da forma mais resoluta a luta heroica dos nossos compatriotas patriotas em Macau.

Atualmente, embora as autoridades portuguesas em Macau finjam superficialmente aceitar as exigências apresentadas pelos residentes da Taipa, estão, na realidade, a recorrer a estratagemas e intrigas numa tentativa vã de escapar à sua responsabilidade sangrenta pelo massacre de residentes chineses em dezembro. Contudo, cada erro tem a sua origem e cada dívida tem o seu credor. É absolutamente impossível que as autoridades portuguesas em Macau, chefiadas pelo imperialista português José Nobre de Carvalho, se esquivem a esta dívida de sangue.

Importa notar que o bando de bandidos de Chiang Kai-shek em Taiwan e os imperialistas norte-americanos e britânicos estão em conluio com as autoridades portuguesas em Macau, empenhando-se ao máximo no apoio às atrocidades sangrentas das autoridades portuguesas em Macau na repressão dos residentes chineses. Eles fabricam rumores, invertem o preto e o branco e tentam pescar em águas turvas. Os compatriotas patriotas em Macau devem aumentar a sua vigilância e expor todas as intrigas e estratagemas do bando de bandidos de Chiang Kai-shek e dos imperialistas norte-americanos e britânicos, não permitindo jamais que estes causem distúrbios e ajam arbitrariamente em Macau! Se as autoridades portuguesas em Macau permitirem que o bando de bandidos de Chiang Kai-shek e elementos imperialistas norte-americanos e britânicos intervenham nos assuntos de Macau, o povo chinês não o consentirá de forma alguma, e todas as consequências graves deverão ser suportadas pelas autoridades portuguesas em Macau.

O grande povo chinês, armado com o Pensamento de Mao Zedong, não é alguém com quem se possa brincar. O povo chinês não tolerará absolutamente a perseguição brutal dos nossos compatriotas pelas autoridades portuguesas em Macau. Quem ousar provocar o grande povo chinês certamente não terá um bom fim.

As quatro exigências apresentadas na declaração emitida em 9 de dezembro pelo Diretor do Gabinete de Assuntos Externos da Província de Guangdong expressam a posição firme dos 700 milhões de cidadãos chineses. Advertimos severamente as autoridades portuguesas em Macau: Devem cessar imediatamente toda a perseguição contra os residentes chineses em Macau; devem aceitar e cumprir incondicionalmente todas as exigências justas apresentadas pelos residentes chineses de todos os setores em Macau, punir severamente os principais culpados, pedir desculpas aos residentes chineses e indemnizar todas as perdas; devem também garantir categoricamente que os agentes do bando de Chiang não serão autorizados a realizar quaisquer atividades destrutivas e que os elementos imperialistas norte-americanos e britânicos não serão autorizados a intervir nos assuntos de Macau. As autoridades portuguesas em Macau devem aceitar imediatamente e implementar plenamente as exigências severas do lado chinês. Caso contrário, colherão o que semearam.

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An article from the CCP¡¦s People's Daily newspaper on December 11. (Image source:   Acta Scientrium Ngensis)

Artigo de opinião do jornal do PCC Diário do Povo de 11 de dezembro. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis)
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Compatriots across Macau are determined to fight to the end and will never give up until full victory is won

Chapter 2: Large-scale news report on the right side

Main Headline:

The meeting of representatives of compatriots from all walks of life in Macau strongly protests against the fascist atrocities of the former authorities

Compatriots across Macau are determined to fight to the end and will never give up until full victory is won

The meeting passed a letter of protest presenting six solemn demands to the Portuguese authorities in Macau

Sub-headline:

Red Guards and revolutionary masses in Xiangzhou Town, Zhuhai County, and other places held rallies and demonstrations to support the just struggle of Macau compatriots

Body Text:

Xinhua News Agency, Hong Kong, Dec 10 ¡X More than 100 representatives of compatriots from all walks of life in Macau held a meeting this morning. They unanimously passed a protest letter filled with profound indignation, strongly condemning the Portuguese authorities in Macau for their brutal massacre and persecution of Chinese compatriots in Macau. They immediately dispatched representatives to submit this protest letter to José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho, the Portuguese Governor of Macau.

The protest letter from the representatives of Macau compatriots from all walks of life pointed out that the Chinese compatriots in Macau absolutely cannot tolerate the series of fascist crimes committed by the Portuguese authorities in Macau to persecute Macau compatriots, and the Portuguese authorities in Macau must bear full responsibility for their bloody crimes. The protest letter solemnly declared that the Portuguese authorities in Macau must accept and fulfill the following six demands item by item:

Immediately and severely punish the executioners who bloodily massacred Macau compatriots, including the Air Defense Commander, the Chief of the Judicial Police Department, and the Chief of the Police Department.
Immediately lift the martial law, withdraw the armed military and police patrolling the streets, and guarantee that military and police will never be sent to suppress Chinese compatriots in the future.
Immediately compensate the victims for all their losses, immediately provide pensions to the families of the deceased, bear the funeral expenses of the deceased, and forbid any interference with Macau compatriots holding funerals and memorial services for the deceased.
Immediately release all arrested Chinese compatriots in Macau as indicated in the protest letter, and announce the true and accurate casualty list.
Immediately fulfill the five demands proposed by the Preparatory Committee of the Taipa Residents' School and the five demands of the Macau Chinese Students' Union.
Immediately admit guilt in person to the Macau compatriots and sign a letter of confession. Meanwhile, publish this letter of confession in newspapers and broadcast it on radio stations, and guarantee that no further incidents of persecuting Chinese compatriots in Macau will occur in the future.
The protest letter concluded by pointing out that the Portuguese authorities in Macau must promptly reply with their acceptance of the above six demands; otherwise, the Portuguese authorities in Macau shall bear full responsibility for all consequences arising therefrom.

At the beginning of the meeting, all representatives stood up to observe a moment of silence for the deceased compatriots and passionately condemned the heinous crimes of the Portuguese authorities in Macau. After the protest letter was passed, the meeting immediately elected 13 people, including Zhang Yong, Ho Yin, Tam Lap-ming, Deng Shishan, and Ruan Zirong, to represent the compatriots of Macau and proceed to the "Governor's Palace" to submit the protest letter. Before the 13 elected representatives departed, all representatives stood up together to read a quote from Chairman Mao: "Be resolute, fear no sacrifice, and surmount every difficulty to win victory."


When the 13 representatives arrived at the "Governor's Palace," they solemnly read out and submitted the protest letter to José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho, the Portuguese Governor of Macau, in person.

The meeting of representatives of Macau compatriots from all walks of life also resolved to organize a funeral committee to handle the funeral affairs for the deceased Chinese compatriots and hold memorial services, and to establish the "Macau Comfort Delegation from All Walks of Life" to express condolences to the families of the deceased compatriots and to the injured compatriots. The resolution demanded that the Portuguese authorities in Macau immediately release the true list of killed, injured, and arrested Chinese compatriots, and commissioned the Macau Federation of Trade Unions to accept registrations from the families of victims (including those killed, injured, arrested, and missing) as well as all other victims.

The meeting of representatives of Macau compatriots from all walks of life unanimously expressed that compatriots across Macau are determined to fight to the end and will never give up until full victory is won.

Xinhua News Agency, Guangzhou, Dec 10 ¡X In Xiangzhou Town and the Qianshan and Nanping Communes of Zhuhai County, Guangdong Province, which are adjacent to Macau, more than 9,000 Red Guards and revolutionary masses held a powerful rally and demonstration today. They most strongly denounced the fascist bloody atrocities of the Portuguese authorities in Macau for massacring Macau compatriots, and most resolutely supported the heroic and just struggle of Macau compatriots against persecution.

With boundless indignation, the Red Guards from various schools in Zhuhai County, as well as representatives of workers, peasants, and fishermen, spoke one after another at the denunciation rally. They unanimously and strongly demanded that the Portuguese authorities in Macau immediately stop harming Macau compatriots, severely punish the perpetrators, compensate for all losses, and guarantee that similar incidents will not occur in the future. The representatives pointed out in unison that the 700 million Chinese people armed with Mao Zedong Thought are not to be bullied. We will certainly settle this blood debt, fight to the end, and never give up until full victory is won!

Responsible officials of Zhuhai County, including County Chief Guan Wenda and Deputy County Chiefs Yu Zhou and Huang Shiming, attended the denunciation rally. Speaking at the meeting on behalf of all the people of Zhuhai County, Guan Wenda expressed the strongest protest against the fascist atrocities of the Portuguese authorities in Macau and the most resolute support for the heroic struggle of the Macau compatriots. He said that the people of our entire county share a bitter hatred for the enemy and vow to act as a powerful backing for our Macau compatriots.

After the rally, the vast number of Red Guards, workers, fishermen, and commune members held up giant portraits of Chairman Mao and placards of Chairman Mao's quotations, with some even carrying hoes, shouting slogans, and staging a powerful demonstration and march.



Os compatriotas de toda Macau estão determinados a lutar até ao fim e nunca desistirão até que a vitória total seja alcançada

Capítulo 2: Reportagem de grande destaque no lado direito

Título Principal:

A reunião de representantes de compatriotas de todos os setores de Macau protesta veementemente contra as atrocidades fascistas das antigas autoridades

Os compatriotas de toda Macau estão determinados a lutar até ao fim e nunca desistirão até que a vitória total seja alcançada

A reunião aprovou uma carta de protesto apresentando seis exigências severas às autoridades portuguesas de Macau

Subtítulo:

Guardas Vermelhos e massas revolucionárias na vila de Xiangzhou, comarca de Zhuhai, entre outros locais, realizaram comícios e manifestações em apoio à justa luta dos compatriotas de Macau

Corpo do Texto:

Agência de Notícias Xinhua, Hong Kong, 10 de dezembro ¡X Mais de cem representantes de compatriotas de todos os setores de Macau reuniram-se hoje de manhã. Aprovaram por unanimidade uma carta de protesto repleta de indignação, condenando veementemente as autoridades portuguesas de Macau pelo massacre brutal e pela perseguição dos compatriotas chineses de Macau. Em seguida, enviaram representantes para entregar esta carta de protesto ao Governador português de Macau, José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho.

A carta de protesto dos representantes dos compatriotas de todos os setores de Macau apontou que os compatriotas chineses de Macau não podem, de forma alguma, tolerar a série de crimes fascistas cometidos pelas autoridades portuguesas de Macau para perseguir os compatriotas de Macau, e que as autoridades portuguesas de Macau devem assumir total responsabilidade pelos seus crimes sangrentos. A carta de protesto declarou solenemente que as autoridades portuguesas de Macau devem aceitar e cumprir, item por item, as seguintes seis exigências:

Punir imediata e severamente os carrascos que massacraram sangrentamente os compatriotas de Macau, incluindo o Comandante da Defesa Antiaérea, o Chefe da Polícia Judiciária e o Comandante da Polícia de Segurança Pública.
Levantar imediatamente a lei marcial, retirar as forças militares e policiais armadas que patrulham as ruas e garantir que nunca mais serão enviadas forças militares ou policiais para reprimir os compatriotas chineses no futuro.
Indemnizar imediatamente as vítimas por todas as suas perdas, subsidiar imediatamente as famílias dos falecidos, assumir as despesas fúnebres dos mortos e proibir qualquer interferência na realização de funerais e cerimónias fúnebres pelos compatriotas de Macau em memória dos falecidos.
Libertar imediatamente todos os compatriotas chineses de Macau detidos mencionados na carta de protesto e publicar a lista real e verdadeira das baixas (mortos e feridos).
Cumprir imediatamente as cinco exigências apresentadas pela Comissão Promotora da Escola de Moradores da Taipa e as cinco exigências da União Geral dos Estudantes Chineses de Macau.
Pedir desculpas pessoalmente e de forma imediata aos compatriotas de Macau e assinar uma declaração de confissão de culpa. Ao mesmo tempo, publicar essa declaração nos jornais e divulgá-la nas estações de rádio, garantindo que não voltará a ocorrer qualquer incidente de perseguição contra os compatriotas chineses de Macau no futuro.
A carta de protesto concluiu apontando que as autoridades portuguesas de Macau devem responder rapidamente aceitando as seis exigências acima referidas; caso contrário, todas as consequências daí resultantes serão da inteira responsabilidade das autoridades portuguesas de Macau.

No início da reunião, todos os representantes ergueram-se para guardar um minuto de silêncio pelos compatriotas falecidos e condenaram com indignação os crimes hediondos das autoridades portuguesas de Macau. Após a aprovação da carta de protesto, a reunião elegeu imediatamente 13 pessoas, incluindo Zhang Yong, Ho Yin, Tam Lap-ming, Deng Shishan e Ruan Zirong, para representarem os compatriotas de Macau e dirigirem-se ao "Palácio do Governador" para entregar a carta de protesto. Antes da partida dos 13 representantes eleitos, todos os presentes ergueram-se para ler em uníssono uma citação do Presidente Mao: "Decidir-se, não temer o sacrifício, superar todas as dificuldades para conquistar a vitória."



Quando os 13 representantes chegaram ao "Palácio do Governador", leram solenemente e entregaram em mãos a carta de protesto a José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho, o Governador português de Macau.

A reunião de representantes de compatriotas de todos os setores de Macau deliberou também organizar uma comissão funerária para tratar das exéquias dos compatriotas chineses falecidos e realizar cerimónias fúnebres, bem como estabelecer a "Delegação de Solidariedade de Todos os Setores de Macau" para apresentar condolências às famílias dos compatriotas falecidos e aos compatriotas feridos. A resolução exigiu que as autoridades portuguesas de Macau publicassem imediatamente a lista real dos compatriotas chineses mortos, feridos e detidos, e encarregou a Associação Geral dos Operários de Macau de proceder ao registo dos familiares das vítimas (incluindo mortos, feridos, detidos e desaparecidos) e de todas as outras vítimas.

A reunião de representantes de compatriotas de todos os setores de Macau manifestou unanimemente que os compatriotas de toda Macau estão determinados a lutar até ao fim e nunca desistirão até que a vitória total seja alcançada.

Agência de Notícias Xinhua, Cantão, 10 de dezembro ¡X Na vila de Xiangzhou e nas comunas de Qianshan e Nanping, na comarca de Zhuhai, província de Cantão, que fica adjacente a Macau, mais de 9.000 Guardas Vermelhos e massas revolucionárias realizaram hoje um grande comício e uma manifestação. Condenaram veementemente as atrocidades sangrentas e fascistas das autoridades portuguesas de Macau pelo massacre de compatriotas de Macau, e apoiaram com a maior firmeza a luta heroica e justa dos compatriotas de Macau contra a perseguição.

Com uma indignação incomensurável, os Guardas Vermelhos de várias escolas da comarca de Zhuhai, bem como representantes de operários, camponeses e pescadores, discursaram sucessivamente no comício de condenação. Exigiram unanimemente e de forma veemente que as autoridades portuguesas de Macau cessassem imediatamente de fazer mal aos compatriotas de Macau, punissem severamente os culpados, indemnizassem todas as perdas e garantissem que incidentes semelhantes não voltassem a ocorrer no futuro. Os representantes apontaram em uníssono que os 700 milhões de chineses armados com o Pensamento de Mao Tsé-Tung não se deixam insultar. Devemos, sem dúvida, ajustar esta conta de sangue, lutar até ao fim e nunca desistir até que a vitória total seja alcançada!

Os responsáveis da comarca de Zhuhai, incluindo o Chefe da Comarca, Guan Wenda, e os Vice-Chefes da Comarca, Yu Zhou e Huang Shiming, participaram no comício de condenação. No comício, Guan Wenda, em representação de toda a população da comarca de Zhuhai, expressou o mais veemente protesto contra as atrocidades fascistas das autoridades portuguesas de Macau e o apoio mais firme à luta heroica dos compatriotas de Macau. Afirmou que a população de toda a nossa comarca partilha do mesmo sentimento de hostilidade contra o inimigo e jura servir de forte retaguarda aos compatriotas de Macau.

Após o comício, a grande massa de Guardas Vermelhos, operários, pescadores e membros das comunas desfilaram empunhando enormes retratos do Presidente Mao e tabuletas com citações do Presidente Mao, alguns carregando inclusive enxadas, gritando palavras de ordem e realizando uma poderosa manifestação e desfile.

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Since the 1930s, around Avenida de Almeida Ribeiro in the central district of Macau, the old Central Hotel had already become the tallest landmark in Macau. In 1966, it witnessed the entire city in the midst of disaster. Among the eight victims of the 12-3 Incident, a young man named Gong Guoming died under the corridor of the cinema opposite the hotel. When no one brings up these memories, everything will be forgotten and fade away with the wind of history. (Image source:  Acta Scientrium Ngensis) 2026

Desde a década de 1930, na zona da Avenida de Almeida Ribeiro, no distrito central de Macau, o antigo Hotel Central já se tinha tornado o marco mais alto de Macau. Em 1966, testemunhou toda a cidade no meio do desastre. Entre as oito vítimas mortais do Incidente 12-3, um jovem chamado Gong Guoming morreu sob os corredores do cinema em frente ao hotel. Se ninguém trouxer à tona estas memórias, tudo será esquecido e desaparecerá com o vento da história. (Fonte da imagem:  Acta Scientrium Ngensis) 2026

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(End of Volume I)

(Fim do Volume I)


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1966 ¦~ 5 ¤ë¦Ü 10 ¤ë¡Gªø´Á¥æ¯A´Á
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1966 ¦~ 11 ¤ë 15 ¤é¡G¾É¤õ½uÃzµo (¡u氹¥J¨Æ¥ó¡v¤Î¡u¤@¤@¡P¤@¤­¨Æ¥ó¡v)

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1966 ¦~ 11 ¤ë 18 ¤é¡G«Ø®Õ©e­û·|´£¥X¤­¶µ­n¨D

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1966 ¦~ 11 ¤ë 25 ¤é¡G·s¥ôÁ`·þ¹Å¼Ö§È©è¿D¼i·s

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1966 ¦~ 11 ¤ë 29 ¤é¡GÁ`·þ©Ó»{³B²z¥¢·í

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1966 ¦~ 11 ¤ë 30 ¤é¡G¿D·þ©²¥~¶°·|§Üij

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1967 ¦~ 1 ¤ë 29 ¤é¡GÁ`·þñ¸p»{¸o®Ñ¡A¨Æ¥óµ²§ô
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1966-1967¦~ ¥Ñ¤@¤G. ¤T¨Æ¥ó©µÄò¦Ü­»´ä

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Appendix:

Timeline of the "December 3 Incident" in Portuguese Macau and the 1967 "Leftist Riots" in British Hong Kong

April 1966: Commencement of the application for Taipa Fong Chong School extension

In April 1966, Taipa Fong Chong School rented the premises at Nos. 4, 6, and 8 of Rua de Regedor to expand its campus. The school immediately submitted an application for a construction permit to the Municipal Council of the Islands in Taipa, but approval was delayed for a long time.

May to October 1966: Period of prolonged negotiations During this multi-month waiting period, school representatives met with the President of the Municipal Council of the Islands 24 times to request construction approval, but to no avail. Without obtaining the official permit, the school proceeded to erect scaffolding and begin construction, planting the seeds for subsequent conflicts.

November 15, 1966: Outbreak of the trigger event (The "Taipa Incident" and the "November 15 Incident")

On November 15, 1966, Rui de Andrade, the acting President of the Municipal Council of the Islands, discovered workers erecting scaffolding. He dispatched personnel to stop them, leading to a standoff that escalated into a clash between the police and the public. The conflict resulted in dozens of injuries and 6 arrests, including a reporter from the Macao Daily News. Around noon, the Macao Chamber of Commerce sent representatives to negotiate; 4 people were detained overnight and later released on bail with the assistance of Chui Tak-kei.

November 18, 1966: The School Construction Committee presented five demands

The School Construction Committee officially put forward five demands: (1) Punish the perpetrators; (2) Government shall not obstruct schooling; (3) Compensate the injured for their losses; (4) Revoke the judgments against those arrested; (5) Guarantee that similar incidents will not recur.

November 22, 1966: Pro-Beijing groups condemned the incident Pro-Beijing organizations in Macau held a symposium to strongly condemn the police-civilian clash and threatened to launch a struggle.

November 25, 1966: The new Governor Nobre de Carvalho arrived in Macau to assume office The newly appointed Governor of Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, officially arrived in Macau to assume office, becoming the key figure in handling the subsequent events.

November 29, 1966: The Governor admitted improper handling Nobre de Carvalho received representatives from the industrial and commercial sectors, admitting that deploying the police was improper and promising to establish an inquiry committee to investigate the incident.

November 30, 1966: Protest rally outside the Governor's Residence Teachers and students from Hou Kong Middle School gathered outside the Governor's Residence to protest. Over the following days, the number of protestors swelled. Some held the Little Red Book and recited Quotations from Chairman Mao, causing the protests to escalate gradually.

December 3, 1966: Large-scale bloody conflict (The main "December 3 Incident") At 12:00 PM, a large-scale conflict erupted in front of the Governor's Residence. Leftists broke into the premises, singing revolutionary songs, reading Mao's quotations, and overturning police cars. After 3:00 PM, the crowd destroyed the commemorative statue of Vicente Nicolau de Mesquita and threw it into the Inner Harbour, vandalized the stone statue of Jorge Álvares, and stormed the City Hall and the Notary Office. At 4:30 PM, the crowd moved toward the police headquarters, where riot police fired tear gas and live ammunition. At 6:00 PM, the Governor declared martial law and imposed a curfew. In the following days, several more people were fatally shot indiscriminately. Official death toll: 8 people died (another source states 11 deaths), 212 were injured, and 40 to 62 were arrested.

December 9, 1966: The CCP demanded the shutdown of pro-Kuomintang organizations by Portuguese Macau authorities The situation became unfavorable for the Kuomintang side, and all major pro-Kuomintang organizations stationed in Macau were ordered by the Portuguese authorities to shut down.

December 10, 1966: Guangdong Foreign Affairs Office presented six demands The Foreign Affairs Office of the Guangdong Provincial People's Committee, together with pro-Beijing groups, presented six demands to Governor Nobre de Carvalho, including an immediate admission of guilt and the signing of an apology letter.

December 12, 1966: The Macau Government expressed total acceptance of the demands The Secretariat of the Macau Government issued an announcement stating that it would "accept in full" the demands put forward by the Guangdong Foreign Affairs Office, and invited representatives of pro-Beijing groups to a meeting on the 15th.

From December 21, 1966: Daily negotiations over the contents of the apology letter The Portuguese Macau government was forced to send representatives to Gongbei every day to negotiate the contents of the apology letter with the Guangdong Foreign Affairs Office, with negotiations continuing daily.

January 2, 1967: The Portuguese Macau government shut down Kuomintang organizations

The Portuguese Macau government issued an announcement banning activities hostile to the People's Republic of China, closed down all Kuomintang organizations, and prohibited the display of the Blue Sky, White Sun flag. The Kuomintang's influence in Macau was completely eliminated.

January 20, 1967: Establishment of the "Committee for Studying Sanctions against Portuguese Macau" Pro-Beijing groups decided to establish the "Committee for Studying Sanctions against Portuguese Macau" to prepare for further sanction actions.

January 24, 1967: Implementation of the "Three No's" policy and closure of the Border Gate The "Three No's" policy was officially implemented: (1) No tax payments; (2) No sale of goods to the government; (3) No service provision to Portuguese officers and soldiers. Concurrently, the Guangdong authorities closed the Border Gate (Portas do Cerco), cutting off food and water supplies to Macau and imposing economic sanctions on the territory.

January 27, 1967: The Portuguese Macau government issued a statement admitting guilt and offering compensation The Macau government issued a statement admitting guilt, apologizing, and undertaking all funeral expenses and pension payments totaling MOP 2,058,424.

January 29, 1967: The Governor signed the apology letter, ending the incident Governor Nobre de Carvalho signed the "Reply of the Macau Government to the Protest Note Presented by Representatives of All Sectors of Chinese Residents," formally admitting wrongdoing and apologizing. This brought the "December 3 Incident" to a close.

Impact of the "December 3 Incident"

The Portuguese Macau government signed the apology letter, admitting guilt and compensating the victims, which completely shattered the governing prestige and authority of the Portuguese government in Macau. Kuomintang influence was completely eradicated, causing the presence of the Republic of China to vanish from Macau. The Communist Party gained de facto control over Macau, and the leftists took deep root across all social strata, an influence that persists to modern times. This incident indirectly catalyzed the 1967 riots in neighboring Hong Kong, as Hong Kong leftists visited Macau to absorb the "Macau experience," directly leading to the outbreak of the 1967 anti-British and anti-persecution struggles by Hong Kong leftists. The shockwaves of the Cultural Revolution thus extended from mainland China into the Hong Kong and Macau regions.

1966-1967: Continuation from the December 3 Incident into Hong Kong

May 6, 1967: Outbreak of the labor dispute at the Hong Kong Artificial Flower Works in San Po Kong (Prelude to the 1967 Riots) A labor dispute over unpaid wages erupted at a branch factory of the Hong Kong Artificial Flower Works on Tai Yau Street, San Po Kong, Hong Kong. Riot police arrived to suppress the protest, and workers threw glass bottles and iron cans at the police, resulting in the arrest of 21 demonstrators. Leftist intervention: The Hong Kong Federation of Trade Unions (FTU) intervened in a high-profile manner, posting Quotations from Chairman Mao and big-character posters, politicizing the labor dispute.

May 11, 1967: Bloody conflict in Hong Kong Bloody clashes broke out again in San Po Kong, Hong Kong, with the police firing wooden baton rounds. Leftist newspapers claimed that "3 workers were beaten to death after being arrested."

May 12, 1967: Establishment of the "Struggle Committee" in Hong Kong The Federation of Trade Unions announced the establishment of the "Hong Kong and Kowloon Committee of People from All Walks of Life for Struggle Against Persecution by the British Authorities in Hong Kong" (abbreviated as the "Struggle Committee"), and the leftists began launching full-scale riots.

May 13, 1967: The riots expanded in Hong Kong

The riots spread to Wong Tai Sin, To Kwa Wan, and other areas, as leftists initiated large-scale urban terrorism actions.

May to June 1967: Hong Kong leftists learned from the "Macau experience" Under the arrangement of the leftist Federation of Trade Unions in Macau, members of Hong Kong leftist organizations traveled to Macau to visit and learn from the local leftist struggle experience, absorbing the "Macau experience." Ip Kwok-him and a group of students went to Macau to study under the arrangement of the Macau leftist Federation of Trade Unions, which directly led to the outbreak of the 1967 riots in Hong Kong.

June 1967: Storming of the British Consulate in Macau Influenced by the 1967 riots in Hong Kong, Macau leftists continued to expand their anti-British and anti-persecution struggles. On a certain day in June: Macau leftists organized a storming of the British Consulate, demanding that the British government respond to the riot incidents in Hong Kong in June. Leftists sang revolutionary songs, read Mao's quotations, posted big-character posters and Quotations from Chairman Mao outside the British Consulate, and attacked British colonial rule. The British Consulate in Macau was forced to close, and the British government summoned Macau Governor Nobre de Carvalho, demanding a halt to the leftist actions. This event was a continuation of the Macau leftists' ongoing efforts to eradicate Kuomintang influence and extend the so-called anti-British and anti-persecution struggle after the "December 3 Incident."

July to September 1967: Full-scale outbreak of the 1967 riots in Hong Kong Hong Kong leftists launched months of anti-British and anti-persecution campaigns, including bomb attacks, protest marches, labor strikes, and market boycotts. July 8: The Man Kam To incident, where the People's Liberation Army surrounded a police post, and British Hong Kong police officers were detained. August 22: Lam Bun, a radio commentator who frequently criticized leftist activities, was assassinated; he was attacked and burned to death on his way to work at Radio Hong Kong.

July to September 1967: Full-scale outbreak of the 1967 riots in Hong Kong Hong Kong leftists launched months of anti-British and anti-persecution campaigns, including bomb attacks, protest marches, labor strikes, and market boycotts. July 8: The Man Kam To incident, where the People's Liberation Army surrounded a police post, and British Hong Kong police officers were detained. August 22: Lam Bun, a radio commentator who frequently criticized leftist activities, was assassinated; he was attacked and burned to death on his way to work at Radio Hong Kong.

September 7, 1967: The North Point incident Leftists launched a large-scale riot.

December 24, 1967: The Hong Kong border incident (Sha Tau Kok gun battle) The People's Liberation Army and British Hong Kong police officers faced off.

December 1967: End of the 1967 riots in Hong Kong Under the Hong Kong government's forceful suppression and the mediation of centrists, the leftist riots gradually subsided, and the 1967 riots officially ended. Official statistics: The 1967 riots in Hong Kong resulted in over 80 deaths, at least 2,000 injuries, and thousands of arrests.

Final Outcomes and Historical Impact

Outcomes of the 1967 riots in Hong Kong

• The Hong Kong government forcefully suppressed the leftist riots

• Hong Kong leftist forces declined, but still maintained a certain level of influence

• Hong Kong society entered a "period of stability," laying the foundation for the economic prosperity of the 1970s

Historical Chain Impact

The "December 3 Incident" in Macau indirectly catalyzed the 1967 riots in Hong Kong, as Hong Kong leftists visited Macau to draw on the "Macau experience." The shockwaves of the Cultural Revolution thus extended from mainland China into the Hong Kong and Macau regions. Both events were large-scale mass movements triggered by the shockwaves of the Cultural Revolution in mainland China. Although about two generations have passed, part of the influence of these two events continues in Macau and Hong Kong to this day.





Apêndice:

Cronologia do "Incidente 1-2-3" em Macau Português e dos "Distúrbios de 1967" em Hong Kong Britânico

Abril de 1966: Início do pedido de ampliação das instalações da Escola Fong Chong da Taipa

Em abril de 1966, a Escola Fong Chong da Taipa arrendou os prédios n.º 4, 6 e 8 da Rua do Regedor com a intenção de ampliar o seu campus. A escola requereu imediatamente a licença de construção junto da Câmara Municipal das Ilhas na Taipa, mas a aprovação foi sucessivamente adiada.

Maio a outubro de 1966: Longo período de negociações Durante este período de espera de vários meses, os representantes da escola reuniram-se com o Presidente da Câmara Municipal das Ilhas 24 vezes para solicitar a aprovação das obras, mas sem qualquer resultado. Sem ter obtido a licença de construção, a escola procedeu à montagem de andaimes e iniciou as obras, plantando as sementes para os conflitos que se seguiriam.

15 de novembro de 1966: Deflagração do estopim (O "Incidente da Taipa" e o "Incidente de 15 de Novembro")

Em 15 de novembro de 1966, Rui de Andrade, Presidente interino da Câmara Municipal das Ilhas, descobriu que os operários estavam a erguer andaimes e enviou funcionários para os impedir, o que gerou um impasse que escalou para um confronto entre a polícia e a população. O conflito resultou em dezenas de feridos e 6 detidos, incluindo um jornalista do Macao Daily News. Por volta do meio-dia, a Associação Comercial de Macau enviou representantes para negociar; 4 pessoas ficaram detidas durante a noite, sendo posteriormente libertadas sob fiança com o apoio de Chui Tak-kei.

18 de novembro de 1966: A Comissão de Construção da Escola apresentou cinco exigências

A Comissão de Construção da Escola apresentou formalmente cinco exigências: (1) Punição dos culpados; (2) Não obstrução do ensino por parte do Governo; (3) Indemnização dos danos sofridos pelos feridos; (4) Revogação das sentenças contra os detidos; (5) Garantia de que incidentes semelhantes não voltem a ocorrer.

22 de novembro de 1966: Associações pró-Pequim condenaram o incidente As associações pró-Pequim em Macau realizaram um simpósio para condenar veementemente o confronto entre a polícia e o povo, ameaçando lançar uma luta.

25 de novembro de 1966: O novo Governador Nobre de Carvalho chegou a Macau para assumir o cargo O recém-nomeado Governador de Macau, José Manuel de Sousa Faro Nobre de Carvalho, chegou oficialmente a Macau para assumir as suas funções, tornando-se a figura-chave na gestão dos acontecimentos subsequentes.

29 de novembro de 1966: O Governador admitiu uma gestão inadequada Nobre de Carvalho recebeu representantes do setor industrial e comercial, admitindo que o uso da força policial tinha sido inadequado e prometendo criar uma comissão de inquérito para investigar o incidente.

30 de novembro de 1966: Manifestação em frente ao Palácio do Governador Professores e alunos da Escola Hou Kong concentraram-se em frente ao Palácio do Governador em protesto. Nos dias seguintes, o número de manifestantes aumentou progressivamente, com pessoas a empunhar o Livro Vermelho e a recitar as Citações do Presidente Mao, fazendo com que os protestos escalassem gradualmente.

3 de dezembro de 1966: Confronto sangrento em grande escala (O evento principal do "1-2-3") Às 12h00, eclodiu um confronto em grande escala em frente ao Palácio do Governador. Elementos da fação de esquerda invadiram o palácio, cantando canções revolucionárias, lendo citações de Mao e capotando carros da polícia. Após as 15h00, a multidão destruiu a estátua comemorativa de Vicente Nicolau de Mesquita, atirando-a ao Porto Interior, vandalizou a estátua de pedra de Jorge Álvares e invadiu o Leal Senado (Câmara Municipal) e a Repartição do Notariado. Às 16h30, a multidão dirigiu-se ao comissariado de polícia, onde a polícia de choque disparou gás lacrimogéneo e munições reais. Às 18h00, o Governador declarou o estado de sítio e impôs o recolher obrigatório. Nos dias seguintes, várias outras pessoas foram mortas a tiro indiscriminadamente. Balanço oficial de mortos: 8 mortos (outra fonte aponta para 11 mortos), 212 feridos e entre 40 a 62 detidos.

9 de dezembro de 1966: O PCC exigiu que as autoridades coloniais portuguesas encerrassem as instituições pró-Kuomintang A situação tornou-se desfavorável para a fação do Kuomintang, e todas as principais instituições pró-Kuomintang sediadas em Macau foram mandadas encerrar pelas autoridades portuguesas.

10 de dezembro de 1966: O Gabinete de Assuntos Externos de Guangdong apresentou seis exigências O Gabinete de Assuntos Externos do Comité Popular Provincial de Guangdong, juntamente com as associações pró-Pequim, apresentou seis exigências ao Governador Nobre de Carvalho, incluindo a admissão imediata de culpa e a assinatura de uma declaração de desculpa.

12 de dezembro de 1966: O Governo de Macau manifestou a aceitação total das exigências A Secretaria do Governo de Macau emitiu um comunicado informando que iria "aceitar integralmente" as exigências apresentadas pelo Gabinete de Assuntos Externos de Guangdong, convidando os representantes das associações pró-Pequim para uma reunião no dia 15.

A partir de 21 de dezembro de 1966: Negociações diárias sobre o conteúdo da declaração de desculpa O governo português de Macau foi obrigado a enviar representantes todos os dias a Gongbei para negociar o conteúdo da declaração de desculpa com o Gabinete de Assuntos Externos de Guangdong, prosseguindo as negociações diariamente.



2 de janeiro de 1967: O governo português de Macau encerrou as instituições do Kuomintang

O governo português de Macau emitiu um bando proibindo atividades hostis à República Popular da China, encerrou todas as instituições do Kuomintang e proibiu a exibição da bandeira do Céu Azul e Sol Branco. A influência do Kuomintang em Macau foi completamente eliminada.

20 de janeiro de 1967: Criação do "Grupo de Estudo de Sanções contra Macau Português" As associações pró-Pequim decidiram criar o "Grupo de Estudo de Sanções contra Macau Português", preparando-se para novas ações de sanção.

24 de janeiro de 1967: Implementação da política dos "Três Nãos" e encerramento das Portas do Cerco Foi formalmente executada a política dos "Três Nãos": (1) Não pagar impostos; (2) Não vender bens ao governo; (3) Não prestar serviços a oficiais e soldados portugueses. Simultaneamente, as autoridades de Guangdong encerraram as Portas do Cerco, proibindo o abastecimento de alimentos e água para Macau, impondo sanções económicas ao território.

27 de janeiro de 1967: O governo português de Macau emitiu uma declaração de admissão de culpa e indemnização O governo de Macau emitiu uma declaração admitindo a culpa, pedindo desculpas e assumindo todas as despesas de funeral e subsídios de indemnização, num total de 2.058.424 patacas.

29 de janeiro de 1967: O Governador assinou a declaração de desculpa, terminando o incidente O Governador Nobre de Carvalho assinou a "Resposta do Governo de Macau à Nota de Protesto Apresentada pelos Representantes dos Residentes Chineses de Todos os Setores", admitindo formalmente o erro e pedindo desculpas. O "Incidente 1-2-3" deu-se assim por concluído.

Impacto do "Incidente 1-2-3"

O governo português de Macau assinou a declaração de desculpa, admitindo a culpa e indemnizando as vítimas, o que fez com que o prestígio e a autoridade da governação portuguesa em Macau fossem completamente destruídos. A influência do Kuomintang foi totalmente erradicada, fazendo desaparecer a presença da República da China em Macau. A fação comunista passou a exercer o controlo de facto sobre Macau, e a esquerda enraizou-se profundamente em todas as camadas sociais até aos dias de hoje, estendendo a sua influência até à era moderna. Este incidente impulsionou indiretamente os distúrbios de 1967 na vizinha Hong Kong, visto que a esquerda de Hong Kong se deslocou a Macau para absorver a "experiência de Macau", levando diretamente à eclosão das ações de luta anti-britânica e contra a perseguição por parte da esquerda de Hong Kong em 1967. As ondas de choque da Revolução Cultural expandiram-se, assim, da China Continental para as regiões de Hong Kong e Macau.

1966-1967: Continuação do Incidente 1-2-3 em Hong Kong

6 de maio de 1967: Eclosão do conflito laboral na Fábrica de Flores Artificiais de Hong Kong em San Po Kong (Prelúdio dos Distúrbios de 1967) Eclodiu uma disputa laboral devido a salários em atraso numa sucursal da Fábrica de Flores Artificiais de Hong Kong, localizada na Rua Tai Yau, em San Po Kong, Hong Kong. A polícia de choque compareceu para reprimir o protesto, e os operários atiraram garrafas de vidro e latas de ferro contra a polícia, resultando na detenção de 21 manifestantes. Intervenção da esquerda: A Federação das Associações dos Operários de Hong Kong (FTU) interveio de forma proeminente, afixando Citações do Presidente Mao e cartazes de caracteres grandes (dazibao), politizando a disputa laboral.

11 de maio de 1967: Confronto sangrento em Hong Kong Deflagraram novamente confrontos sangrentos em San Po Kong, Hong Kong, tendo a polícia disparado balas de bastão de madeira. Os jornais da fação de esquerda alegaram que "3 operários foram espancados até à morte após terem sido detidos".

12 de maio de 1967: Criação do "Comité de Luta" em Hong Kong A Federação das Associações dos Operários anunciou a criação do "Comité dos Operários de Todas as Indústrias de Hong Kong e Kowloon Contra a Perseguição da Administração Britânica em Hong Kong" (abreviado como "Comité de Luta"), e a esquerda começou a lançar os grandes distúrbios.



13 de maio de 1967: Alastramento dos distúrbios em Hong Kong

Os distúrbios alastraram-se a Wong Tai Sin, To Kwa Wan e outras zonas, tendo a esquerda lançado ações de terrorismo urbano em grande escala.

Maio a junho de 1967: A esquerda de Hong Kong absorveu a "experiência de Macau" Sob a coordenação da Associação Geral dos Operários de Macau (fação de esquerda), membros de organizações da esquerda de Hong Kong deslocaram-se a Macau para visitar e aprender com a experiência de luta da esquerda local, absorvendo a "experiência de Macau". Ip Kwok-him e um grupo de estudantes foram a Macau para estudar sob a organização da Associação Geral dos Operários de Macau, o que levou diretamente à eclosão dos distúrbios de 1967 em Hong Kong.

Junho de 1967: Incidente do assalto ao Consulado Britânico em Macau Sob o impacto dos distúrbios de 1967 em Hong Kong, a esquerda de Macau continuou a alargar a luta anti-britânica e contra a perseguição. Num determinado dia de junho: Elementos da esquerda de Macau organizaram um assalto ao Consulado Britânico, exigindo que o governo britânico respondesse aos distúrbios ocorridos em Hong Kong em junho. Elementos da fação de esquerda cantaram canções revolucionárias, leram citações de Mao, afixaram cartazes de caracteres grandes (dazibao) e Citações do Presidente Mao no exterior do Consulado Britânico, atacando o domínio colonial britânico. O Consulado Britânico em Macau foi forçado a encerrar, e o governo britânico chamou o Governador de Macau, Nobre de Carvalho, exigindo a cessação das ações da esquerda. Este incidente foi uma continuação das ações da esquerda de Macau após o "Incidente 1-2-3" para continuar a erradicar a influência do Kuomintang e expandir a chamada luta anti-britânica e contra a perseguição.

Julho a setembro de 1967: Eclosão total dos distúrbios de 1967 em Hong Kong A esquerda de Hong Kong lançou meses consecutivos de ações anti-britânicas e contra a perseguição, incluindo ataques à bomba, manifestações, greves e boicotes aos mercados. 8 de julho: O incidente de Man Kam To, onde o Exército de Libertação Popular cercou um posto policial e agentes da polícia de Hong Kong Britânico foram detidos. 22 de agosto: Lam Bun, um radialista que criticava frequentemente as atividades da esquerda, foi assassinado, tendo sido atacado com fogo e morto a caminho do trabalho na Radio Television Hong Kong.

Julho a setembro de 1967: Eclosão total dos distúrbios de 1967 em Hong Kong A esquerda de Hong Kong lançou meses consecutivos de ações anti-britânicas e contra a perseguição, incluindo ataques à bomba, manifestações, greves e boicotes aos mercados. 8 de julho: O incidente de Man Kam To, onde o Exército de Libertação Popular cercou um posto policial e agentes da polícia de Hong Kong Britânico foram detidos. 22 de agosto: Lam Bun, um radialista que criticava frequentemente as atividades da esquerda, foi assassinado, tendo sido atacado com fogo e morto a caminho do trabalho na Radio Television Hong Kong.

7 de setembro de 1967: O incidente de North Point A esquerda lançou distúrbios em grande escala.

24 de dezembro de 1967: Incidente na fronteira de Hong Kong (Tiroteio de Sha Tau Kok) O Exército de Libertação Popular e os agentes da polícia de Hong Kong Britânico confrontaram-se.

Dezembro de 1967: Fim dos distúrbios de 1967 em Hong Kong Sob a forte repressão do governo de Hong Kong e a mediação de fações moderadas, os distúrbios da esquerda acalmaram progressivamente, dando-se os distúrbios de 1967 por oficialmente terminados. Balanço oficial: Os distúrbios de 1967 em Hong Kong causaram mais de 80 mortos, pelo menos 2.000 feridos e milhares de detidos.

Resultado Final e Impacto Histórico

Resultado dos distúrbios de 1967 em Hong Kong

• O governo de Hong Kong reprimiu duramente os distúrbios da esquerda

• As forças da esquerda de Hong Kong enfraqueceram, mas mantiveram uma certa influência

• A sociedade de Hong Kong entrou num "período de estabilidade", lançando as bases para a prosperidade económica da década de 1970



Impacto Histórico em Cadeia

O "Incidente 1-2-3" em Macau impulsionou indiretamente os distúrbios de 1967 em Hong Kong, tendo a esquerda de Hong Kong recorrido a Macau para se basear na "experiência de Macau". As ondas de choque da Revolução Cultural expandiram-se, assim, da China Continental para as regiões de Hong Kong e Macau. Ambos os acontecimentos foram movimentos de massas em grande escala desencadeados pelas ondas de choque da Revolução Cultural na China Continental. Embora já tenham passado cerca de duas gerações, parte do impacto destes dois incidentes continua a fazer-se sentir em Macau e em Hong Kong até aos dias de hoje.




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